ARGYLE, Michael. Interação Social: Relações Interpessoais e Comportamento Social. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.
KENDON, Adam. Conducting interaction: Patterns of behavior in focused encounters. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.
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A
interação social face a face prevê a emissão e troca de informações verbais e
não verbais entre os interatores. Sabemos que o conteúdo não dito, mas emitido
através de mudanças de tom de voz, expressões faciais ou adoção de certas
posturas corporais são capazes de influenciar, modificar e corrigir os rumos de
uma interação. Como tais mudanças podem ser percebidas quando a interação
ocorre em ambientes virtuais? As interações realizadas nestes ambientes apenas
através de trocas verbais se tornariam mais previsíveis?
Observando
as definições de regras e papéis prescritos que pautam as interações sociais
face a face, torna-se interessante indagar de que forma tais fatores tem sido
reconfigurados a partir da disseminação das tecnologias de comunicação. Podemos
afirmar que tais tecnologias acabam por criar e incorporar novas regras e
papéis desempenhados durante a interação?
Até que ponto analisar as dinâmicas que marcam as interações sociais demanda que se conheça as motivações que marcam esse processo? Compreender essas dinâmicas, dentro de uma determinada situação, evoca necessariamente uma compreensão dos processos cognitivos que estão presentes nos interatores?
É correto pensar que as regras se mantêm em situações semelhantes que ocorrem em ambientes diferentes (físico e digital)? O que devo observar para estabelecer uma comparação, em busca de rupturas e continuidades? Em tempo: penso, particularmente, nas interações sociais que são realizadas em torno da experiência de ver/ comentar novela numa sala de estar e no Twitter.
Em um ambiente de sociabilidade como o Twitter, onde os internautas comentam um determinado tópico discursivo, sem necessariamente se dirigirem a alguém (mas, por vezes, pegando comentários da timeline e discorrendo sobre eles), até que ponto é possível afirmar que a presença desses tweets (uma vez que, ainda que não tenham tido uma resposta direta, foram feitos sabendo que outras pessoas potencialmente iriam lê-los) não traz elementos de interação social? Neste caso, ainda que tenha uma série de características que marquem as interações sociais, o fato de não se ter uma resposta direta, faz com que esse comentário necessariamente não possa ser considerado como uma interação social? Faz algum sentido pensar que, muitas vezes, as trocas não são diretas entre usuários, mas realizadas de uma pessoa para um conjunto de pessoas?
Quais elementos que, em ambientes digitais, pensando especificamente no Twitter, 'substituiriam' a percepção da (a) disposição no espaço e da (b) existência de papéis definidos (uma vez que pessoas, muitas vezes, não se conhecem), enquanto um elemento que dá pistas para os processos cognitivos que acontecem nas interações sociais?
Segundo as definições encontradas no texto
para o comportamento de altruísmo, este pode ser visto como uma imitação, ou
pode ocorrer sem a expectativa de uma recompensa por parte da pessoa alvo do
comportamento ou de outras pessoas. Um comportamento que não precisa ser
incutido na criança humana. Como funcionaria o processo de desenvolvimento de
comportamento ético? Ele é produto de evolução ou consequência de um refinado
arranjo de contingências especificas? É possível pensar o sujeito da espécie
humana sem um inerente egoísmo?
A coordenação entre os oito fatores levantados
no texto como conteúdo da interação, duração da fala, tom emocional, dentre
outros, é considerada essencial para que ocorra a interação, e para que esta
esteja em equilíbrio. Algum fator seria determinante para que a interação não
ocorra? É possível efetuar todos os passos e ainda assim uma díade ser formada
por duas pessoas que essencialmente estão falando sozinhas? Se for possível,
qual seria esta característica que manteria duas pessoas em uma díade
interacional, mas sem realmente estarem conectadas?
O texto demonstra a existência de uma relação
significativa entre o posicionamento corporal dos participantes de uma
interação e o tipo de interação que ocorre, quando dois sujeitos estão face a
face. A intimidade da relação pode ser percebida ou influenciada pela
organização espacial que se estabelece entre dois sujeitos. Como seria isso em uma relação intermediada
por algum meio de comunicação à distância? Como um Skype, onde as pessoas podem
olhar para a imagem do rosto uma da outra? As regras mudariam pela
intermediação do computador?
O texto relata uma série de experiências
científicas que demonstram particularidades da interação face a face?
Posicionamentos corporais, arranjos espaciais, sinais antecedentes, dentre
outros fatores. É possível pensar na utilização deliberada desses critérios
para um sucesso maior na interação com outras pessoas? Seria possível criar
ambiente onde as pessoas fossem direcionadas a situações que promoveriam maior
interação? É possível controlar um contexto de forma que se possa aumentar a
probabilidade de ocorrência de interações utilizando as características citadas
pelo texto?
Argyle
relata no seu texto, acerca de experimentos e descrição de modelos, na
tentativa de compreender como se configura a interação social. É possível
estudar fenômenos coletivos como a interação social em contextos laboratoriais,
já que se distancia da realidade concreta das pessoas que participam desses
estudos?
Ainda
que um pesquisador queira compreender os
aspectos existentes na interação social e adote uma postura metodológica que
seja possivelmente mais compatível com pressupostos que autorize essa análise,
é possível que a interação social seja acolhida de forma efetiva pela
cientificidade da Psicologia?
O
texto aborda como diversos recursos do
comportamento no contexto de interação podem favorecer um entendimento prévio
de como uma pessoa irá se comportar em relação a outra ou vice – versa . Sempre
será possível observar e compreender este processo de interpretação atentando
para as condições antecedentes da interação?
O
comportamento expresso na interação social não é somente o resultado de
pressões ambientais, estímulos, motivos ou as atitudes, ela deriva do modo em
que ela interpreta e maneja tais coisas na ação que está se construindo. A
partir disso, é possível pensar na interação como uma atividade continuamente
negociada, remanejável e ininterrupta?
Determinadas ações periféricas, chamadas pelo autor (Kendon) de framing actions ou ações de enquadramento, adquirem um papel importante no estabelecimento de uma interação focada. Qual é esse papel?
Por que programas de entrevistas como os de Jô Soares e Marília Gabriela podem ser uma ótima fonte de observação de interações diádicas?
A
revisão de estudos sobre interações sociais feita por Argyle (1976) é muito
interessante. Em alguns momentos, o método utilizado nas pesquisas não ficou
claro e a análise fica injustificada. De qualquer forma, parece que são estudos
que produziram dados relevantes para a área de pesquisa. Observa-se que os
autores frequentemente destacam a importância e, em alguns exemplos, a
necessidade, da presença física, da relação face a face para a ocorrência de
uma interação social efetiva. Uma questão que pode ser colocada, diante do
contexto em que lemos esse texto é: como a ausência dessa característica, tão
destacada nesses estudos, muda/interfere nas interações sociais que ocorrem em
ambientes digitais?
Considerado
a definição de relação cooperativa: "Diz-se que duas pessoas estão numa
relação cooperativa se elas tem algum objetivo comum que não pode ser obtido
facilmente por nenhuma delas sozinha, e onde cada uma delas se beneficiará de
sua consecução", como podemos pensar as construções colaborativas
realizadas por grupos de pessoas em sites, redes sociais e outras plataformas
digitais?
Como
analisar as interações sociais em ambientes digitais quando os interatores não
possuem praticamente nenhuma informação sobre aqueles com quem interagem? Quais
variáveis devem ser consideradas? A análise é mais simples? A previsibilidade
do comportamento é menor ou maior?
Assim
como Argyle, Kendon destaca frequentemente questões morfológicas das repostas
dos interatores: gestos, endereçamento de olhares, tom de voz, velocidade de
fala etc. Aspectos que ele chama de "não-verbais". Aspectos estes que
são muito importantes, segundo o autor, para a ocorrência de comunicação
efetiva entre os interatores. Esses aspectos não interferem, em princípio, nas
interações sociais em ambientes digitais que não utilizem vídeo e áudio.
Existiriam outros aspectos a serem considerados neste tipo de interação? Quais?
Uso de "emoticons", pontuações, onomatopéias, repetições de letras e
palavras poderiam ser exemplos de aspectos morfológicos deste tipo de interação
que afetariam o quão efetiva ela pode ser e modulariam as interações? Além
disso, como podemos entender o posicionamento espacial e suas influências sobre
os relacionamentos dentro de um ambiente digital? Em outro aspecto, será que há
formas de comunicação suficientemente convencionais em ambientes digitas que possam cumprir a
função das saudações em relações face-a-face?
Segundo o Argyle, durante o comportamento social geralmente as pessoas estão conscientes de que são objeto de intenções, percepções e atitudes em relação ao outro, e que em um encontro, existe uma mútua manipulação para cada um atingir seus próprios objetivos. Em que medida as formas de interação social mediadas pelo computador trazem à tona essa concepção abordada pelo autor?
Nas redes sociais, muitas vezes a pessoa constrói um perfil com um referencial identitário com expressões e conteúdos considerados desejados para situações sociais vivenciadas. Neste contexto, a importância da fachada torna-se mais evidente nas interações diretas (presenciais) como afirmando por Goffman, ou nas relações mediadas isto vem se potencializando?
Ao longo do texto, Kendon aborda a correlação dos gestos com a narrativa dos falantes na interação face a face, afirmando ser uma forma de fornecer informações necessárias para quando uma pessoa se propõe a interagir com a outra. Que mudanças são possíveis perceber quando a interação ocorre virtualmente?
Segundo o autor, existem determinados tipos de conduta para cada situação que é estabelecida antecipadamente. As regras de conduta nas interações presenciais (face a face) são as mesmas nos espaços digitais, ou a possibilidade de anonimato permite uma alteração destes comportamentos?
De
que maneira as relações interpessoais desenvolvidas em ambientes digitais
evoluem de amizades para relações íntimas de amizade ou “apaixonamento” sem a
convivência “in Real Life” (RL)?
De
que modo ocorre a mobilização social de certos grupos através de ambientes
digitais e redes sociais de cunho ativista/social?
Nos
ambientes digitais, mas especificamente nas redes sociais, os atos/ ações não
são “físicas” como em Real Life (RL) logo, não podem ser observadas da mesma
forma. Faz-se através de ferramentas ou linguagem escrita e/ou símbolos. De que
forma os indivíduos embasam seu julgamento em relação às informações adquiridas
nos ambientes digitais em termos de veracidade/sinceridade em seus
relacionamentos de amizade ou outros?
Pode-se
afirmar que os arranjos interacionais em ambientes digitais são
qualitativamente diferentes dos arranjos desenvolvidos/nascidos “in Real Life”
(RL)?
Nos Sites de Redes Sociais, como Facebook, o curtir ou comentar, uma mensagem ou fotografia de outro, após este ter agido assim, pode ser considerado reciprocidade?
Pensando na influência da frequência de interação para formação de amizades, a facilidade de comunicação através da Internet e dos dispositivos móveis fomentaria um circulo de amizade maior? Ou laços mais intensos?
Ao pensarmos que distâncias e posições diferentes com relação ao outro influem na informação obtida na interação, então podemos pensar no tempo (entendendo como o espaço-temporal entre a mensagem enviada e o recebimento da resposta) na interação como outro fator influenciador desta percepção. Ao aplicar isto a uma interação mediada por computador, poderia o tempo de resposta ser entendido como um aspecto de linguagem não verbal?
Quando os sinais expressivos de A não são suficientemente condizentes a saudação que este faz a B, podemos considerar que a credibilidade dada, por B, a este ato torna-se reduzida. Diante disto podemos pensar que acontece uma nova definição de situação para a interação?