quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Questões - Aulas 2 e 3

ARGYLE, Michael. Interação Social: Relações Interpessoais e Comportamento Social. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.

KENDON, Adam. Conducting interaction: Patterns of behavior in focused encounters. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.

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A interação social face a face prevê a emissão e troca de informações verbais e não verbais entre os interatores. Sabemos que o conteúdo não dito, mas emitido através de mudanças de tom de voz, expressões faciais ou adoção de certas posturas corporais são capazes de influenciar, modificar e corrigir os rumos de uma interação. Como tais mudanças podem ser percebidas quando a interação ocorre em ambientes virtuais? As interações realizadas nestes ambientes apenas através de trocas verbais se tornariam mais previsíveis?

Observando as definições de regras e papéis prescritos que pautam as interações sociais face a face, torna-se interessante indagar de que forma tais fatores tem sido reconfigurados a partir da disseminação das tecnologias de comunicação. Podemos afirmar que tais tecnologias acabam por criar e incorporar novas regras e papéis desempenhados durante a interação?


Até que ponto analisar as dinâmicas que marcam as interações sociais demanda que se conheça as motivações que marcam esse processo? Compreender essas dinâmicas, dentro de uma determinada situação, evoca necessariamente uma compreensão dos processos cognitivos que estão presentes nos interatores? 

É correto pensar que as regras se mantêm em situações semelhantes que ocorrem em ambientes diferentes (físico e digital)? O que devo observar para estabelecer uma comparação, em busca de rupturas e continuidades? Em tempo: penso, particularmente, nas interações sociais que são realizadas em torno da experiência de ver/ comentar novela numa sala de estar e no Twitter. 

Em um ambiente de sociabilidade como o Twitter, onde os internautas comentam um determinado tópico discursivo, sem necessariamente se dirigirem a alguém (mas, por vezes, pegando comentários da timeline e discorrendo sobre eles), até que ponto é possível afirmar que a presença desses tweets (uma vez que, ainda que não tenham tido uma resposta direta, foram feitos sabendo que outras pessoas potencialmente iriam lê-los) não traz elementos de interação social? Neste caso, ainda que tenha uma série de características que marquem as interações sociais, o fato de não se ter uma resposta direta, faz com que esse comentário necessariamente não possa ser considerado como uma interação social? Faz algum sentido pensar que, muitas vezes, as trocas não são diretas entre usuários, mas realizadas de uma pessoa para um conjunto de pessoas? 

Quais elementos que, em ambientes digitais, pensando especificamente no Twitter, 'substituiriam' a percepção da (a) disposição no espaço e da (b) existência de papéis definidos (uma vez que pessoas, muitas vezes, não se conhecem), enquanto um elemento que dá pistas para os processos cognitivos que acontecem nas interações sociais?


Segundo as definições encontradas no texto para o comportamento de altruísmo, este pode ser visto como uma imitação, ou pode ocorrer sem a expectativa de uma recompensa por parte da pessoa alvo do comportamento ou de outras pessoas. Um comportamento que não precisa ser incutido na criança humana. Como funcionaria o processo de desenvolvimento de comportamento ético? Ele é produto de evolução ou consequência de um refinado arranjo de contingências especificas? É possível pensar o sujeito da espécie humana sem um inerente egoísmo?

A coordenação entre os oito fatores levantados no texto como conteúdo da interação, duração da fala, tom emocional, dentre outros, é considerada essencial para que ocorra a interação, e para que esta esteja em equilíbrio. Algum fator seria determinante para que a interação não ocorra? É possível efetuar todos os passos e ainda assim uma díade ser formada por duas pessoas que essencialmente estão falando sozinhas? Se for possível, qual seria esta característica que manteria duas pessoas em uma díade interacional, mas sem realmente estarem conectadas?

O texto demonstra a existência de uma relação significativa entre o posicionamento corporal dos participantes de uma interação e o tipo de interação que ocorre, quando dois sujeitos estão face a face. A intimidade da relação pode ser percebida ou influenciada pela organização espacial que se estabelece entre dois sujeitos.  Como seria isso em uma relação intermediada por algum meio de comunicação à distância? Como um Skype, onde as pessoas podem olhar para a imagem do rosto uma da outra? As regras mudariam pela intermediação do computador?

O texto relata uma série de experiências científicas que demonstram particularidades da interação face a face? Posicionamentos corporais, arranjos espaciais, sinais antecedentes, dentre outros fatores. É possível pensar na utilização deliberada desses critérios para um sucesso maior na interação com outras pessoas? Seria possível criar ambiente onde as pessoas fossem direcionadas a situações que promoveriam maior interação? É possível controlar um contexto de forma que se possa aumentar a probabilidade de ocorrência de interações utilizando as características citadas pelo texto?

Argyle relata no seu texto, acerca de experimentos e descrição de modelos, na tentativa de compreender como se configura a interação social. É possível estudar fenômenos coletivos como a interação social em contextos laboratoriais, já que se distancia da realidade concreta das pessoas que participam desses estudos?

Ainda que um pesquisador  queira compreender os aspectos existentes na interação social e adote uma postura metodológica que seja possivelmente mais compatível com pressupostos que autorize essa análise, é possível que a interação social seja acolhida de forma efetiva pela cientificidade da Psicologia?

O texto aborda como diversos recursos  do comportamento no contexto de interação podem favorecer um entendimento prévio de como uma pessoa irá se comportar em relação a outra ou vice – versa . Sempre será possível observar e compreender este processo de interpretação atentando para as condições antecedentes da interação?

O comportamento expresso na interação social não é somente o resultado de pressões ambientais, estímulos, motivos ou as atitudes, ela deriva do modo em que ela interpreta e maneja tais coisas na ação que está se construindo. A partir disso, é possível pensar na interação como uma atividade continuamente negociada, remanejável e ininterrupta?


Determinadas ações periféricas, chamadas pelo autor (Kendon) de framing actions ou ações de enquadramento, adquirem um papel importante no estabelecimento de uma interação focada. Qual é esse papel? 

Por que programas de entrevistas como os de Jô Soares e Marília Gabriela podem ser uma ótima fonte de observação de interações diádicas? 


A revisão de estudos sobre interações sociais feita por Argyle (1976) é muito interessante. Em alguns momentos, o método utilizado nas pesquisas não ficou claro e a análise fica injustificada. De qualquer forma, parece que são estudos que produziram dados relevantes para a área de pesquisa. Observa-se que os autores frequentemente destacam a importância e, em alguns exemplos, a necessidade, da presença física, da relação face a face para a ocorrência de uma interação social efetiva. Uma questão que pode ser colocada, diante do contexto em que lemos esse texto é: como a ausência dessa característica, tão destacada nesses estudos, muda/interfere nas interações sociais que ocorrem em ambientes digitais?

Considerado a definição de relação cooperativa: "Diz-se que duas pessoas estão numa relação cooperativa se elas tem algum objetivo comum que não pode ser obtido facilmente por nenhuma delas sozinha, e onde cada uma delas se beneficiará de sua consecução", como podemos pensar as construções colaborativas realizadas por grupos de pessoas em sites, redes sociais e outras plataformas digitais?

Como analisar as interações sociais em ambientes digitais quando os interatores não possuem praticamente nenhuma informação sobre aqueles com quem interagem? Quais variáveis devem ser consideradas? A análise é mais simples? A previsibilidade do comportamento é menor ou maior?

Assim como Argyle, Kendon destaca frequentemente questões morfológicas das repostas dos interatores: gestos, endereçamento de olhares, tom de voz, velocidade de fala etc. Aspectos que ele chama de "não-verbais". Aspectos estes que são muito importantes, segundo o autor, para a ocorrência de comunicação efetiva entre os interatores. Esses aspectos não interferem, em princípio, nas interações sociais em ambientes digitais que não utilizem vídeo e áudio. Existiriam outros aspectos a serem considerados neste tipo de interação? Quais? Uso de "emoticons", pontuações, onomatopéias, repetições de letras e palavras poderiam ser exemplos de aspectos morfológicos deste tipo de interação que afetariam o quão efetiva ela pode ser e modulariam as interações? Além disso, como podemos entender o posicionamento espacial e suas influências sobre os relacionamentos dentro de um ambiente digital? Em outro aspecto, será que há formas de comunicação suficientemente convencionais  em ambientes digitas que possam cumprir a função das saudações em relações face-a-face?


Segundo o Argyle, durante o comportamento social geralmente as pessoas estão conscientes de que são objeto de intenções, percepções e atitudes em relação ao outro, e que em um encontro, existe uma mútua manipulação para cada um atingir seus próprios objetivos. Em que medida as formas de interação social mediadas pelo computador trazem à tona essa concepção abordada pelo autor? 

Nas redes sociais, muitas vezes a pessoa constrói um perfil com um referencial identitário com expressões e conteúdos considerados desejados para situações sociais vivenciadas. Neste contexto, a importância da fachada torna-se mais evidente nas interações diretas (presenciais) como afirmando por Goffman, ou nas relações mediadas isto vem se potencializando? 

Ao longo do texto, Kendon aborda a correlação dos gestos com a narrativa dos falantes na interação face a face, afirmando ser uma forma de fornecer informações necessárias para quando uma pessoa se propõe a interagir com a outra. Que mudanças são possíveis perceber quando a interação ocorre virtualmente? 

Segundo o autor, existem determinados tipos de conduta para cada situação que é estabelecida antecipadamente. As regras de conduta nas interações presenciais (face a face) são as mesmas nos espaços digitais, ou a possibilidade de anonimato permite uma alteração destes comportamentos?


De que maneira as relações interpessoais desenvolvidas em ambientes digitais evoluem de amizades para relações íntimas de amizade ou “apaixonamento” sem a convivência “in Real Life” (RL)?

De que modo ocorre a mobilização social de certos grupos através de ambientes digitais e redes sociais de cunho ativista/social?

Nos ambientes digitais, mas especificamente nas redes sociais, os atos/ ações não são “físicas” como em Real Life (RL) logo, não podem ser observadas da mesma forma. Faz-se através de ferramentas ou linguagem escrita e/ou símbolos. De que forma os indivíduos embasam seu julgamento em relação às informações adquiridas nos ambientes digitais em termos de veracidade/sinceridade em seus relacionamentos de amizade ou outros?

Pode-se afirmar que os arranjos interacionais em ambientes digitais são qualitativamente diferentes dos arranjos desenvolvidos/nascidos “in Real Life” (RL)?


Nos Sites de Redes Sociais, como Facebook, o curtir ou comentar, uma mensagem ou fotografia de outro, após este ter agido assim, pode ser considerado reciprocidade? 

Pensando na influência da frequência de interação para formação de amizades, a facilidade de comunicação através da Internet e dos dispositivos móveis fomentaria um circulo de amizade maior? Ou laços mais intensos? 

Ao pensarmos que distâncias e posições diferentes com relação ao outro influem na informação obtida na interação, então podemos pensar no tempo (entendendo como o espaço-temporal entre a mensagem enviada e o recebimento da resposta) na interação como outro fator influenciador desta percepção. Ao aplicar isto a uma interação mediada por computador, poderia o tempo de resposta ser entendido como um aspecto de linguagem não verbal? 

Quando os sinais expressivos de A não são suficientemente condizentes a saudação que este faz a B, podemos considerar que a credibilidade dada, por B, a este ato torna-se reduzida. Diante disto podemos pensar que acontece uma nova definição de situação para a interação?

domingo, 2 de dezembro de 2012

Fichamento - Aulas 2 e 3

ARGYLE, Michael. Interação Social: Relações Interpessoais e Comportamento Social. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.

Por Paulo Victor Barbosa de Sousa e Felippe Thomaz


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Sobre o autor:
Michael Argyle foi pesquisador da Universidade de Oxford, tendo trabalhado em áreas como Psicologia Experimental e Psicologia Social, abordando temas como felicidade, competência, habilidade e comunicação não-verbal.


Objetivos do capítulo: O capítulo parte de bases já lançadas em momentos anteriores do livro em que se apresentam componentes básicos dos processos de interação social. Tendo tais elementos em mãos, o autor passa, aqui, para a apresentação e discussão de modelos conceituais que deem conta dos processos interativos.

Argumentação Central: Argyle se ocupa no capítulo discutido com as sequências de interação que ocorrem em díades, propondo-se a apresentar três modelos teóricos que deem conta dessa proposta. São eles: o modelo Sequência de Respostas (SR); o modelo de habilidade social; e o modelo de sistema em equilíbrio. É este último que o autor adota, justamente pelo fato de os outros dois estarem demasiadamente centrados em indivíduos, não no conjunto formado entre dois interatores – o que se explica pelo fato de ser díade o ponto que interessa às discussões do texto.


Tópico 1 - Introdução: Na parte introdutória, além de explicar a que se propõe, o autor apresenta também métodos de pesquisa que lidem especificamente com as interações em díades. São eles: a) análise estatística de sequências em interação normal; b) técnicas experimentais com um cúmplice; c) técnicas experimentais com dois sujeitos não-cúmplices; d) técnicas que eliminam a interação; e e) métodos projetivos.

Tópico 2 – Modelo de sequências de respostas
No modelo SR, compreende-se que cada ato é determinado pelo ato imediatamento anterior. Dessa forma, um interator atua em reação ao último ato do outro indivíduo que compõe a díade. Uma vantagem apontada por Argyle se dá em relação à teórica facilidade de ser prever ações tendo em vista atos anteriores. Ainda assim, aponta que a principal dificuldade se dá em relação à percepção da pessoa. De qualquer forma, é possível perceber a ocorrência de padrões dentre os enunciados, os quais são chamados de sequências regulares. Seriam elas os tópicos, os tipos de enunciado e a duração da fala. Também é possível perceber padrões dentre elementos não-verbais.

Um ponto específico para a superação do modelo SR se dá quanto à motivação de cada indivíduo envolvido na interação – o que não pode ser captado por esse esquema teórico. Vejamos: se o modelo SR compreende cada ação como uma, de fato, uma reação a atos anteriores, como e quando teria lugar a ação inicial de uma sequência de ações? Além disso, Argyle coloca outra consideração: que é necessário perceber regras ou esquemas pré-concebidos sobre a dada situação, bem como os papéis de cada interator e os processos psicológicos das pessoas envolvidas. Apesar de sua própria crítica, o autor enumera alguns padrões comportamentais ou maneiras de ocorrência de feedbacks entre os interatores, o que chama de encaixe de respostas (p. 204). São eles extensão de enunciados, interrupções e silêncios, tipo de enunciado, palavras usadas, gestos e posturas, informações pessoais.

Esses encaixes podem ocorrer, pelo menos a princípio (e sem grandes discussões quanto a outras possibilidades) por imitação e reciprocidade (p. 205). A imitação pode ser utilizada em situações em que um interator copia a resposta do outro diante da mesma situação de uma outra semelhante. Um exemplo dado está relacionado ao pedestre que ignora a sinalização e atravessa a rua mesmo com o sinal verde para os carros. Entretanto, Argyle faz a ressalva de que a imitação é algo mais complexo do que um mero conjunto de respostas produzidas por condicionamento – no caso acima, outros pedestres podem estar condicionados a repetir a ação diante de certas características daquele indivíduo que iniciou a ação. Já em relação à reciprocidade, esta se dá quando um interator retribui uma ação do outro – sendo que a reação não será igual, mas sim de igual valor e calculada a longo prazo. O autor apresenta  diversas variáveis quanto às formas de recriprocidade.

Tópico 3 – O modelo de habilidade social
Nesta parte, Argyle concentra-se nas análises do comportamento de um interator. Ao considerar o modelo SR como um todo, o autor conclui que aquela abordagem falha ao não considerar a sequência relacionada e intencional de respostas dada por cada indivíduo em uma interação. Ao se compreender que cada interator tem objetivos determinados e ao se reconhecer que cada interator sabe-se possuidor de interferências na ação do outro, então deve-se considerar que o comportamento de cada um tem um aspecto de “habilidade motora” (p. 214). Argyle define habilidade como “uma atividade organizada, coordenada em relação a um objeto ou uma situação, que envolve toda uma cadeia de mecanismos sensoriais, centrais e motores” (p. 214), especificamente caracterizada por um input sensorial.

Argyle propõe, dessa forma, que um interator está sempre envolvido num processo duplo e não automático de percepção: observa-se e compreende-se o input disponível para ele, de modo tal a adaptar o próprio output para o outro. O autor traz à tona vários detalhes desse processo:

  1. Definição de objetos/motivação: o indivíduo tem objetivos imediatos ou objetivos mais genéricos com objetivos menores dentro desse maior.
  2. Percepção seletiva de pistas: o indivíduo aprende a perceber pistas relevantes e passa ser seletivo a elas.
  3. Tradução da situação: trata-se do manuseio e tratamento da informação captado pelos sistemas de recepção. Uma vez reunidas, serão transformadas num plano de ação.
  4. Respostas motoras: é um retorno do planejamento para nosso corpo, ou seja, uma produção de ações e movimentos.
  5. Feedback e ação corretiva: trata-se do uso das pistas  para tomar novas ações corretivas.

É preciso atentar, como o próprio autor fala, que esse modelo é só um ponto de partida. Argyle propõe duas elaborações principais (p. 221): 1) os indivíduos podem se colocar uns no lugar dos outros; 2) é necessário atentar que os interatores estão jogando o mesmo jogo e, assim, deve haver uma sequência tal de respostas que torne possível a situação de interação. O autor se atém, tendo em vista esse modelo, o item específico de cada um preocupar-se com o ponto de vista alheio (p. 224).

Parte-se da assunção de que, quando numa interação, estamos preocupados com manipulações e percepções. Dentre a eficácia de cooperações ou competições, é preciso atentar que outros processos dependem de nos colocarmos no lugar do outro: a autorrepresentação, a compreensão de ser observador ou observado e a tomada de papeis.

Tópico 4 – Díades (sistemas em equilíbrio)
Aqui Argyle passa a tratar a interação a partir da dimensão de dupla influência entre os interatores, superando a visão estritamente pessoal que os outros modelos propunham (que, de maneira geral, não parece assim tão pessoais).

Inicialmente, consideram-se as abordagens que visualizam as trocas de recompensa e custo (teoria da troca), mostrando experimentos que esclareciam os movimentos de uma interação como busca de recompensas pessoais (p. 230). São, em geral, modelos econômicos que postulam os atos pessoais em meras ações em busca de benefício, mas que nem sempre observam, status ou outras condições subjetivas para a ocorrência das ações. Também há de se perceber que os indivíduos não precisam necessariamente apenas estar preocupados com seus próprios benefícios, mas com os de terceiros também envolvidos no contexto da interação (232).

Para o autor, a teoria das trocas é útil para visualizar o papel dos reforços. Considera, no entanto, que esse modelo não é adequado à interação social, uma vez que seus componentes (fluxo de sinais, efeitos de movimentações, fluxos comportamentais, preocupação com o contexto etc.) podem até ser englobadas por essa teoria, mas não podem por ela ser analisados (p. 236).

Para além dos padrões de conflito (que caracterizam em grande medida os modelos econômicos de troca e recompensa), Argyle enumera algumas condições proporcionadas pela coordenação, as quais irão resultar no sustento da interação (237).

  1. Conteúdo da interação: concordância sobre o que está em jogo.
  2. Dimensão das relações: concordância sobre a definição da situação e sobre os papéis a serem ali desempenhados, dos graus de intimidade e das condições de poder entre os interatores.
  3. Duração da fala: ou os modos de se portar numa conversa
  4. Sequência de comportamento: conjunto de respostas apropriadas para cada resposta anterior.
  5. Correspondência não-verbal: dar sinais de feedback para o outro interator.
  6. Tom emocional: tendência de um mesmo estado emocional entre os interatores.

Tópico 5 – A formação das relações
Para finalizar o capítulo, Argyle trata dos diversos processos que têm lugar desde quando duas pessoas se encontram pela primeira vez até o estabelecimento de relações mais duradouras. Há discussões pontuais sobre a aproximação dos indivíduos, da formação da amizade, das frequências e similaridades de interação e de envolvimentos amorosos. Cada subtópico, contudo, não possui aprofundamento e apenas servem como conjunto de exemplos de procedimentos a transcorrerem não apenas na interação em si, mas também em ocasiões mais expressivas, de maior representação, como a transição de noivado para casamento.

Fichamento - Aulas 2 e 3

KENDON, Adam. Conducting interaction: Patterns of behavior in focused encounters. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.

Por Felippe Thomaz e Paulo Victor Sousa
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Sobre o autor: 
Adam Kendon tem formação em biologia e psicologia experimental pelas universidades de Cambridge e Oxford. É uma autoridade no que concerne ao estudo dos gestos e sistemas de sinais em interações humanas. Atualmente é editor do jornal GESTURE (http://benjamins.com/catalog/gest).


Objetivos do capítulo:
O capítulo, intitulado “Frame-attunement in interaction”, propõe uma análise de processos de interação social nos quais a presença física\corpórea dos atores em determinados ambientes condiciona uma série de ações que tem, como objetivo geral, a manutenção da coerência da situação social. Aproxima-se autores como Goffman e Garfinkel para compreender a dinâmica de atividades em torno do encontro entre indivíduos.


Argumentação Central:
Kendon se propõe a investigar como se dá o compartilhamento de frames por indivíduos em interação. A partir de uma partilha básica de signos e referenciais, ocorre a sustentação de um processo de interação. O que o autor pretende investigar é como este frame se estabelece. Para tanto, apreende o corpo como um conjunto de segmentos que transmitem informações intencionais e não-intencionais ao outro e, neste processo, o ator não somente se adequa à presença do interlocutor, como se ajusta ao espaço onde se encontra, utilizando elementos do “cenário” a fim de conduzir a situação ao objetivo desejado. Sua reflexão se vale de diversos exemplos ao longo do texto para ilustrar como os gestos e expressões corporais podem ser identificados como sinais e\ou comandos durante a interação.



Tópico 1 - Introdução:
O autor inicia a discussão ressaltando as diferentes interpretações que podem ocorrer - e certamente ocorrem - quando em um processo de interação. Como garantir que A entendeu o que B quis dizer com o que disse? Visando uma situação que tenha por objetivo o estabelecimento e manutenção da coerência da interação, este mesmo processo só se sustenta no compartilhamento (mesmo que ínfimo) de características da situação e das intenções do outro. O idioma, alguns referenciais identitários, interesses, entre outros, constituem a “enciclopédia intertextual” que será utilizada pelos atores durante o processo de interação. Citando Garfinkel, o autor afirma que caso não haja correspondência adequada na interação, o resultado pode ser confusão, raiva e desapontamento.

É em um contexto de “interação focada”, no qual os indivíduos buscam a “definição da situação” a partir da partilha de frames interpretativos que Kendon questiona como esse frame partilhado, esta perspectiva interpretativa comum, se estabelece.

De início, já atenta para a importância dos sinais corporais fornecidos pelos atores durante a interação. Tal processo social só se sustenta quando há respostas positivas de um aos estímulos dados por outro. Kendon atenta para o recorte do seu objeto situando-o no tempo enquanto processo em fluxo. As leituras recíprocas efetuadas pelos interagentes durante a situação poderão ser previstas por qualquer uma das partes. No entanto, é somente no desenrolar da ação que o ator terá a confirmação de sua expectativa/presunção. Para observar tais fenômenos, Kendon lança seu olhar aos processos de rotinização para extrair daí elementos que lhe auxiliem a pensar a constituição de frames interpretativos comuns e como estes constructos condicionam o fluxo da interação.


Tópico 2 - Routinization:
É nos processos de rotinização que Kendon se aproxima do conceito de tipos\esquemas de conduta apropriados a cada situação. Participantes da interação operam em termos de uma categorização recíproca, lêem-se de acordo com padrões estabelecidos em experiências anteriores. Este processo não está dissociado da representação que faz para o outro, obviamente. Segundo Goffman, o ator estabelece selves para si na interação. Gerencia sua aparência e modos de acordo com as convenções estabelecidas pelo ambiente e pelo interlocutor.

Por outro lado, há sempre espaço para a incerteza na interação. "O que você quer dizer com isso que você diz?", tal questionamento sugere uma discussão trazida por Goffman acerca da transmissão\emissão de informações. Frames interpretativos diferentes, sugerem possíveis interpretações diferentes. O autor exemplifica este caso com uma situação na qual se dá o encerramento de uma situação de interação qualquer. Os atores envolvidos na cena terão de concordar quanto ao fim da interação para que esta de fato ocorra. Quando não há consenso entre os atores, o desviante assume uma postura irrelevante, inconsistente ou disjuntiva perante o grupo. O frame pelo qual lança seu olhar ao mundo já não é comum aos demais integrantes do antigo grupo.


Tópico 3 - Differential attention in interaction:
A negociação de um consenso operacional ("working consensus") da interação consiste da complacência dos participantes em eleger somente alguns aspectos de comportamento como ações. É necessário compreender que a corrente de ação do outro é composta de uma camada intencional [mensagens intencionais] e outra não intencional. Os atores, quando em processo de interação, deverão estar atentos às linhas de ação do outro mesmo que não demonstre destinar atenção. Durante a interação, os atores exploram reciprocamente suas perspectivas interpretativas e negociam medidas de aceitação no sentido de manter, novamente, um consenso operacional.Kendon cita o conceito de attentional tracks, de Goffman: diferenciação na atenção dispensada às ações.
1. STORY-LINE TRACK - um aspecto da atividade como uma linha principal ("main line"). Domínio de ação delineado como relevante ao objetivo principal do encontro. Orientação e cuidados para definir e sustentar a interação.
2. DIRECTIONAL TRACK - Corrente de sinais que está excluída do conteúdo da atividade mas que serve para regulá-la, margeá-la, articulá-la.
3. DISATTEND TRACK - Variedade de ações não contadas como parte da interação de maneira nenhuma. Descarregos de conforto ("Creature comfort releases"). Há certa margem de aceitação para desvios comportamentais como ajustes de postura, leve coceira...
Em suma, o que está em jogo é a negociação dos atores em eleger o que será principal e guiará o curso das ações (digno de atenção direta) e, por outro lado, o que será tratado como secundário - ou sequer considerado -, merecendo pouca atenção.
Kendon formula a máxima de que o frame attunement só ocorre se houver o processo de atenção diferenciada. Ou seja, se determinadas linhas receberem destaque e outras continuarem secundárias ao mainline.
Conclui o tópico convidando à refletir sobre como estes atos significantes se tornam relevantes para outros indivíduos. O que está velado nos gestos dos atores quando em interação? Como sabem como a atenção do outro é organizada? No caso do exemplo de jogo que fornece, por exemplo, quais são os elementos que "abrem" o círculo mágico?


Tópico 4 - The communication of attention:

Neste tópico, Kendon apresenta o exemplo de uma performance feita por uma criança no sentido de impressionar seu pai com um ioiô. Descreve como a menina ocupa uma região periférica do quarto, praticando com seu brinquedo discretamente e como, posteriormente, convoca a atenção do pai para uma exibição dos truques que aprendeu. Prontamente, ela posiciona-se no centro da sala, espera seu pai abandonar o jornal que lê para concentrar a atenção no pequeno corpo a sua frente. A menina, durante os turnos do ioiô, olha para seu pai e examina as respostas que ele fornece.
Relacionando este exemplo às considerações que propõe, Kendon destaca os framing actions desempenhados pela criança no sentido de tornar uma ação a maintrack e manter a situação desta forma (address and its reciprocation) até que esta se conclua. O momento em que a apresentação inicia é nitidamente contrastado aos momentos anteriores e posteriores à representação em si.
Em suma, o que é requerido para a interação focada é 1) aspectos de comportamento que sirvam no processo de fornecer um locus espaço-temporal à atividade da interação e 2) que estes aspectos de comportamento sejam diferentes daqueles aspectos constituídos como atividades maintracks. Ou seja, é preciso considerar os elementos secundários, pois são igualmente valiosos no que diz respeito ao fornecimento de informações acerca do processo interacional.


Tópico 5 - Spatial-orientational positioning:

O posicionamento espaço-orientacional, chave deste tópico, é uma delimitação temporária do espaço na qual os interagentes consentem em arranjos através dos quais sustentarão o objetivo (perspectiva orientacional) da interação. "Cooperando com o outro para sustentar um dado arranjo espaço-oriental, eles (os atores) podem demonstrar uma comunalidade de leitura (da situação)" (p. 247).

A posição espacial e orientacional do indivíduo fornece informações sobre seu frame interpretativo ou domínio atencional. Baseia tal justificativa, primeiramente, na ideia de que qualquer linha de ação que a pessoa possua sempre terá relação com determinado ambiente ("se vou escrever, organizo meu ambiente para tornar tal ação possível"). O que Kendon afirma, em linhas gerais, é que há consequências espaciais para qualquer linha de atividade. O indivíduo se reajusta continuamente em relação ao que o rodeia, mudando, com isso, sua linha de ação.

O autor ainda traz o conceito de transactional segment como o espaço no qual o indivíduo irá desempenhar sua linha de ação, que é guiada por determinado objetivo. Neste sentido, utilizará do espaço para manipular sua atuação em prol do que almeja da interação. O segmento transacional pode ser reconhecido pelos outros pela posição, orientação e organização postural do corpo.

No tocante ao corpo, o autor o considera enquanto uma organização de segmentos responsáveis, cada um a seu modo, por diferentes orientações. O corpo é contemplado em sua relação entre mobilidade e limitação. O movimento dos olhos é mais móvel, mas é mais limitado (pois depende da cabeça). O frame se apresenta através daquilo que está frente ao torso. Mudanças na orientação do "corpo inferior" produzem implicações para mudanças na atenção. Em suma, o que Kendon afirma no presente tópico é que a orientação corporal condiciona a atenção que o indivíduo dispensa a determinadas partes do ambiente.


Tópico 6 - Formation arrangements:

É de interesse de Kendon identificar como os indivíduos podem fornecer informações acerca da relevância que o outro tem a partir da maneira como se organizam no espaço e como incluem ou excluem os outros nos respectivos segmentos transacionais. Aborda padrões espaciais pelos quais os indivíduos se agrupam e destaca um destes padrões: o F-formation (face-formation).

Este padrão se constitui quando os indivíduos estão posicionados de frente uns para os outros. Uma postura que permite um acesso direto e igualitário aos demais atores na interação. Este sistema de formação não somente integra os indivíduos pertencentes ao grupo como delimita a região com relação aos que não fazem parte daquele agrupamento. Geralmente a disposição espacial dos indivíduos formam círculos ou retângulos. Esta característica reforça mais uma vez a preocupação do autor em observar a influência do corpo em processo de interação social.


Tópico 7 - Interactional relationships:

O presente tópico inicia com o autor considerando que diferentes distâncias resultam em diferentes tipos de informação e maneiras de conduta. Os atores então selecionarão a que distância estarão um do outro conforme a intencionalidade da situação social. Kendon amplia a discussão afirmando que não somente a distância, como também o ângulo altera o fluxo de interação. Indivíduos sentados frente a frente tem uma visão privilegiada do outro, no entanto, se estão lado a lado, partilham de um mesmo horizonte. Esta mudança de angulação já seria condicionante da interação em fluxo.

Apesar de haver pouca bibliografia sobre a dimensão espacial na interação face a face, Kendon afirma que há obsevações suficientes que possam fundamentar a relação entre arranjo espacial e modo de interação. O posicionamento espacial é visto como um recurso expressivo para atores, uma vez que é visto como “fora” do curso de ação.

Agora, segundo o autor, importa observar como os atores empregam manobras espaço-orientacionais como meios de testar os alinhamentos dos demais com relação a determinado frame. Por exemplo, os gestos de inquietação em determinado momento da interação podem sugerir o fim da interação, se os demais agentes assim procederem.

No tópico seguinte, o autor aproxima-se mais do seu interesse específico.


Tópico 8 - Frame attunement

Considerando os elementos pelos quais os atores podem fornecer pistas ou respostas sobre a manutenção da situação apresentados até então, sobretudo no que concerne à orientação espacial dos indivíduos no cenário, Kendon reforça que tais ajustes têm função secundária e formam a estrutura da interação que se apresenta. A partir daí, parte à análise de alguns aspectos relacionados à interação, a começar pelo destino das ações que, segundo o autor, sempre têm um “endereço”.

ADRESS - Resumidamente, o que está em jogo é o estabelecimento de uma conformidade com relação à relevância de determinado frame para o grupo. Para quem se destina este discurso? É a pergunta que emerge nessas reflexões. Kendon observa a troca de olhares entre como marcante para selecionar quem participa da interação e dar linha à performance do ator. Além disso, movimentos de cabeça e mudança nas expressões faciais são padronizadas em relações sistemáticas do falante com seu público.


RHYTMICAL COORDINATION - Os ajustes de postura podem ser ritmicamente desempenhados em função do discurso do falante. Tal movimento coordenado pode indicar que participantes demonstram que compartilham a mesma perspectiva na interação. Além disso, pode assumir um papel de código entre a plateia e o falante, uma vez a atenção estará nas deixas que o falante dará ao longo de sua fala. A questão é que uma pessoa pode modificar sua linha de ação e conformar seu ritmo ao de outrem.


SALUTATIONS - No sentido da combinação rítmica abordada acima, as saudações se constituem enquanto recortes valiosos para esta abordagem. Antes de A saudar B, terá de avistar B e certificar-se que B está aberto à saudação de A. A coordenação de comportamente pode ser observada antes da troca de saudações.


Tópico 9 - Functions of salutational exchanges

As saudações podem ser observadas a partir de uma série de estágios. Assim como variam em sua apresentação, variam também conforme suas funções. Após citar alguns exemplos, Kendon ressalta características das saudações gestuais: a) alto grau de convencionalização; b) saudações são estruturadas de maneira que os participantes fazem a mesma coisa simultaneamente. A coornação das ações em simultâneo corresponde a um respeito pelo outro e que os atores encontram-se em igualdade perante o outro.

É dito que a troca de felicitações entre atores, por serem tão convencionalizadas, são bons exemplos de comunhão fática: não servem a nenhuma função informacional.


Tópico 10 - Gradients of explicitness

O derradeiro tópico propõe pensar as linhas de ação em uma escala de explicitude que varia conforme a intencionalidade do emissor e a percepção do receptor. Por exemplo, quando um restaurante está prestes a fechar, os garçons desarrumam as mesas, os encarregados da limpeza iniciam seu serviço etc. Caso estes indícios não sejam suficientes para levar a um novo consenso operacional, os atores serão mais explícitos a fim de que a situação que busca estabelecer ocorra de fato.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Cronograma inicial






DATA
ATIVIDADE E LEITURAS BÁSICAS OBRIGATÓRIAS

Responsável(is) pelo(s) fichamento(s)  do dia
1
23/11
Apresentação do programa


2
30/11
Interações Sociais - Características gerais (parte 1)

Referências Básicas:

·     ARGYLE, M. A interação social: relações interpessoais e comportamento social. Rio de Janeiro: Zahar, 1976. (p. 196 - 256)

·   KENDON, A. C. Conducting interaction: patterns of behavior in focused encounters. Cambridge: Cambridge University Press, 1990. (p. 239 a 262)

Referências Complementares:

·   ARGYLE, M.; FURNHAM, A.; GRAHAM, J. A. Social situations. Cambridge: Cambridge University Press, 1981 (p. 208 - 227)

·     GIDDENS, A. Sociologia. Porto Alegre: Artmed, 2005. (p. 81 - 100)
·      MARC, E.; PICARD, D. A interacção social. Porto: RES Editora, s.d. (p. 81- 97)

·   TURNER, Jonathan H. A theory of social interaction. Stanford, CA: Stanford
University Press,1988. (p. 85 - 101)





Paulo Victor



Felippe Thomaz
3
07/12
Interações Sociais - Características gerais (parte 2)

Referências Básicas:

·       ARGYLE, M. A interação social: relações interpessoais e comportamento social. Rio de Janeiro: Zahar, 1976. (p. 196 - 256)

·   KENDON, A. C. Conducting interaction: patterns of behavior in focused encounters. Cambridge: Cambridge University Press, 1990. (p. 239 a 262)

Referências Complementares:

·   ARGYLE, M.; FURNHAM, A.; GRAHAM, J. A. Social situations. Cambridge: Cambridge University Press, 1981 (p. 208 - 227)

·     GIDDENS, A. Sociologia. Porto Alegre: Artmed, 2005. (p. 81 - 100)
·      MARC, E.; PICARD, D. A interacção social. Porto: RES Editora, s.d. (p. 81- 97)

·    TURNER, Jonathan H. A theory of social interaction. Stanford, CA: Stanford
University Press,1988. (p. 85 - 101)





Paulo Victor



Felippe Thomaz
4




















5
14/12




















21/12
Interações Sociais - Perspectiva sócio-interacionista

Referência Básica:

  • LAVER, J.; HUTCHESON, S. (eds.) Communication in face to face interaction. Baltimore: Penguin Books, 1972. (p. 319 - 363)

Referências Complementares:

·   McCALL, George. Symbolic Interaction. In BURKE, Peter J. Contemporary Social Psychological Theories. Stanford, CA: Stanford University Press, 2006. (p. 1 -  23)

·    TEDESCO, J. Paradigmas do cotidiano. Introdução à constituição de um campo social. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 1999 (p. 69 - 91)





Aula suspensa





André
6
04/01
Interações Sociais - Identidade e Self

Referências Básicas:

  • HOGG, Michael A.; VAUGHAN, Graham M. Essentials of social psychology. Published Harlow : Pearson Education. 2010 (p. 64 - 90)

  • LEARY, Mark. The Self We Know and The Self We Show. In FLETCHER, Garth; CLARK, Margaret. Blackwell handbook of social psychology:         Interpersonal processes. Malden, MA: Blackwell Publishing. 2001 (p. 457 - 477)

Referências Complementares:

·      AUGOUSTINOS, M., WALKER, I. Social Cognition – an integrated introduction London: Sage Publications, 2007. (p.186 - 224).

·    BURKITT, Ian. Social Selves - Theories Of Self And Society. SAGE Publications Inc. Thousand Oaks, California, 2008 (p. 31 -57)
·   HOLSTEIN, J.; GUBRIUM, J. Inner lives and social worlds. Oxford: Oxford University Press, 2003. (p. 119 - 160)





Karla





Bruno
7
11/01
Interações Sociais- Identidade e Self (continuação)

Referências Básicas:
  • BURKITT, Ian. Social Selves - Theories Of Self And Society. SAGE Publications Inc. Thousand Oaks, California, 2008. (p. 162-186)

Referências Complementares:
  • GERGEN, Kenneth J. The Self in the Age of Information. 2000, Online: disponível em http://muse.jhu.edu/journals/wq /summary/v023/23.1gergen.html

·  MELUCCI, Alberto. The playing self : person and meaning in the planetary society. Cambridge ; New York : Cambridge University Press, 1996 (p. 24 a 56)

·     SIMON, B. (2004). Identity in Modern Society. A social psychological perspective. Oxford: Blackwell Publishing Ltd. (p. 20-42)





Iris
8
18/01
 Interações Sociais - Gerenciamento de impressões

Referências Básicas:

  • METTS, Sandra; GROHSKOPF, Erica. Impression Management: Goals, Strategies, and Skills. In GREENE, John O.; BURLESON, BRANT R. Handbook of Communication and Social Interaction Skills. Lawrence Erlbaum Associates, Publishers. London, 2003. (p. 357 - 399)

  • SCHLENKER, Barry. Self-Presentation. In LEARY, Mark.; TANGNEY, June. Handbook of  Self and Identity. The Guilford Press, New York, 2003. (p. 492 - 518)

Referências Complementares:

·     FISHER, A.; ADAMS, K. Interpersonal communication. Pragmatics of human relationships. New York: McGraw-Hill, Inc. 1994. (p. 238 - 247)

·        JENKINS, Richard. Social identity. London ; New York : Routledge, 2008. (p. 90 - 101)

·   TSEËLON,  Efrat. Is the Presented Self Sincere? Goffman, Impression Management and the Postmodern Self. Online: disponível em http://tcs.sagepub.com /content/9/2/115.full.pdf







Bianca







Diogo
9
25/01
Novas Mídias e Ambientes Digitais - Características gerais

Referência Básica:

  • CREEBER, Glen; MARTIN, Royston. Digital Cultures - Understanding New Media. Open University Press - McGraw-Hill Education, 2009. (p. 11 - 29; p. 30 - 45)

Referência Complementar:

·     BENEDIKT, Michael. Cyberspace: First Steps. Cambridge, MA: MIT P, 1990 (p.119 a 223)






Liziane
10
01/02
Interações Sociais em Ambientes Digitais - Características gerais

Referências Básicas:

  • BAKER, Andrea. Down The Rabbit Hole: The Role of Place in the Initiation and       Development  of  Online Relationships. In BARAK, Azy. Psychological Aspects of  Cyberspace - Theory, Research, Applications. Cambridge University Press, 2008 (p. 163 - 184)

·   BARNES, Susan. Computer-mediated communication: Human-to-human communication across  the internet.  Boston, MA: Pearson Education, Inc. 2003 (p. 136 a 159)

Referências Complementares:

·     KATZ, J.; RICE, R. Social consequences of Internet use: Access, involvement, and interaction. Cambridge, MA: MIT Press. 2002, (p. 203 a 225)

·   TILLEMA, T. Face-to-face and electronic communications in maintaining social networks: the influence of geographical and relational distance and of information content, 2010. Online: disponível em: http://nms.sagepub.com/ content/12/6/965





Aline






Andrea
11
15/02
Interações Sociais em Ambientes Digitais - Características gerais (continuação)

Referência Básica:

·  CAPLAN, Scott; HIGH, Andrew. Interação Social na Internet, Bem-estar Psicossocial e Uso Problemático de Internet. In YOUNG, K.; ABREU, C. Dependência de Internet - Manual e Guia de Avaliação e Tratamento. Artmed, Porto Alegre, 2011 (p. 55 - 76)

Referências Complementares:

·       BRIVIO, Eleonora; IBARRA, Francesca; GALIMBERTI, Carlo. An Integrated Approach to Interactions in Cyberplaces: The Presentation of Self in Blogs. In TAIWO, Rotimi. Handbook of Research on Discourse Behavior and Digital Communication - Language Structures and Social Interaction. IGI Global, New York, 2010. (p. 810 - 829)

·      DAS, Anupam. Social Interaction Process - Analysis of Bengali´s on Orkut. In TAIWO, Rotimi. Handbook of Research on Discourse Behavior and Digital Communication - Language Structures and Social Interaction. IGI Global, New York, 2010. (p. 66 - 87)






Iris
12
22/02
Interações Sociais em Ambientes Digitais - Expressões identitárias

Referências Básicas:

·   BARNES, Susan.  Presentation of Self: theory and methods.  In BRAGA, A. (org.). CMC, Identidades e Gênero: teoria e método. Editora da UBI, Covilhã, 2005 (p. 59 - 88)

·     CAVANAGH, Allison. Sociology in the Age of Internet. Open University Press - McGraw-Hill Education, 2007. (p. 120 - 131)

·    KATZ, J.; RICE, R. Social consequences of Internet use: Access, involvement, and interaction. Cambridge, MA: MIT Press. 2002, (p. 265 - 283)

Referências Complementares:

·   DONATH, Judith; BOYD, Danah. Public displays of connection. BT Technology Journal, v. 22, n. 4, 2004. (p. 71 - 82)

·     GEORGALOU, Mariza. "Pathfinding" Discourse of Self in Social Networks Sites. In TAIWO, Rotimi. Handbook of Research on Discourse Behavior and Digital Communication - Language Structures and Social Interaction. IGI Global, New York, 2010. (p. 39 - 62)





Regina



Lisiane



Bianca
13
01/03
Interações Sociais em Ambientes Digitais - Gerenciamento de Impressões - Análise de Aplicativos

Referências Básicas:

  • BARASH, Vladimir; DUCHENEAUT, Nicolas; ISAACS, Ellen; BELLOTTI, Victoria. Faceplant: Impression (Mis)management in Facebook Status Updates. Proceedings f the Fourth International AAAI Conference on Weblogs and Social Media, 2010.

  • ELLISON, Nicole; HANCOCK, J.; TOMA, Catalina. Profile as promise: A framework for conceptualizing veracity in online dating self-presentations. 2011. Online: disponível em http://nms. sagepub.com/content/early/2011/06/24/1461444811410395

         Referências Complementares:

·    GIBBS, J.ELLISON, Nicole ; LAI C. First Comes Love, Then Comes Google: An Investigation of Uncertainty Reduction Strategies and Self-Disclosure in Online Dating. 2010. Online: disponível em http://crx.sagepub.com/content/38/1 /70.full.pdf






Renata





Aline
14
08/03
Interações Sociais em Ambientes Digitais - Gerenciamento de Impressões - Análise de Aplicativos (continuação)

Referências Básicas:

·  MARWICK, A.; BOYD, D. I tweet honestly, I tweet passionately: Twitter users,  context collapse, and the imagined audience.  Online: disponível em              http://nms.sagepub.com/content/early/2010/06/22 /1461444810365313


Referências Complementares:

  • WALTHER, J. B. Selective self-presentation in computer-mediated communication: Hyperpersonal dimensions of technology, language, and cognition. Computers in  Human Behavior, 23, 2007 (p. 2538 - 2557)
·          






Karla
15
15/03
Interações Sociais em Ambientes Digitais - Registro e Resgate de Informações Sociais - Análise de Aplicativos

Referências Básicas:
·  RAMIREZ, A.; WALTHER, J.; BURGOON, J.; SUNNAFRANK, M.. Information-Seeking Strategies, Uncertainty, and Computer-Mediated Communication. In Human Communication Research, 28, 2002. (p. 213 – 228)

·  WESTERMAN, David; HEIDE, Brandon; KLEIN, Katherine; WALTHER, Joseph. How do people really seek information about others?: Information seeking across Internet and traditional communication channels. Journal of Computer-Mediated Communication,  v.13, 2008 (p.751 - 767).


Referências Complementares:
· BERGER, C.; KELLERMAN, K. Acquiring Social Information. In DALY, J; WIEMANN, J. Strategic Interpersonal Communication. Lawrence Erlbaum Associates, Hillsdale, 1994.  (p. 1 - 31).
·          




Bruno





Lisiane
16
22/03
Interações Sociais em Ambientes Digitais - Registro e Resgate de Informações Sociais - Análise de Aplicativos (continuação)

Referências Básicas:

  • D’AQUIN,  Mathieu; ELAHI, Salman; MOTTA, Enrico. Personal Monitoring of   Web     Information Exchange: Toward Web Lifelogging. Web Science Conf. 2010, Raleigh, USA, 2010 (p. 1 - 7)

·      O’HARA, Kieron; TUFFIELD, Mischa; SHADBOLD, Nigel. Lifelogging: Privacy and Empowerment with Memories for Life. 2008. Online: disponível em http://www.springerlink.com/content/r273l7321v8h85t7/

Referência Complementar:
·      ALLEN, A. Dredging-up the Past: Lifelogging, Memory and Surveillance. 2007. Online: disponível em:  http://lsr.nellco.org /upenn_wps/173

·     TUFEKCI, Zeynep. Can You See Me Now? Audience and Disclosure Regulation in Online Social Network Sites. 2008.  Online: disponível em: http://bst. sagepub.com/cgi /content/abstract/28/1/20
·          





Andre




Diogo
17
29/03
Interações Sociais em Ambientes Digitais - Tendências

Referência Básica:

·       CHAKA, C. From CMC Technologies to Social Participation Technologies. In TAIWO, Rotimi. Handbook of Research on Discourse Behavior and Digital Communication - Language Structures and Social Interaction. IGI Global, New York, 2010. (p. 627 - 641)
  
Fechamento da disciplina
 




Renata