quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Questões - Aulas 2 e 3

ARGYLE, Michael. Interação Social: Relações Interpessoais e Comportamento Social. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.

KENDON, Adam. Conducting interaction: Patterns of behavior in focused encounters. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.

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A interação social face a face prevê a emissão e troca de informações verbais e não verbais entre os interatores. Sabemos que o conteúdo não dito, mas emitido através de mudanças de tom de voz, expressões faciais ou adoção de certas posturas corporais são capazes de influenciar, modificar e corrigir os rumos de uma interação. Como tais mudanças podem ser percebidas quando a interação ocorre em ambientes virtuais? As interações realizadas nestes ambientes apenas através de trocas verbais se tornariam mais previsíveis?

Observando as definições de regras e papéis prescritos que pautam as interações sociais face a face, torna-se interessante indagar de que forma tais fatores tem sido reconfigurados a partir da disseminação das tecnologias de comunicação. Podemos afirmar que tais tecnologias acabam por criar e incorporar novas regras e papéis desempenhados durante a interação?


Até que ponto analisar as dinâmicas que marcam as interações sociais demanda que se conheça as motivações que marcam esse processo? Compreender essas dinâmicas, dentro de uma determinada situação, evoca necessariamente uma compreensão dos processos cognitivos que estão presentes nos interatores? 

É correto pensar que as regras se mantêm em situações semelhantes que ocorrem em ambientes diferentes (físico e digital)? O que devo observar para estabelecer uma comparação, em busca de rupturas e continuidades? Em tempo: penso, particularmente, nas interações sociais que são realizadas em torno da experiência de ver/ comentar novela numa sala de estar e no Twitter. 

Em um ambiente de sociabilidade como o Twitter, onde os internautas comentam um determinado tópico discursivo, sem necessariamente se dirigirem a alguém (mas, por vezes, pegando comentários da timeline e discorrendo sobre eles), até que ponto é possível afirmar que a presença desses tweets (uma vez que, ainda que não tenham tido uma resposta direta, foram feitos sabendo que outras pessoas potencialmente iriam lê-los) não traz elementos de interação social? Neste caso, ainda que tenha uma série de características que marquem as interações sociais, o fato de não se ter uma resposta direta, faz com que esse comentário necessariamente não possa ser considerado como uma interação social? Faz algum sentido pensar que, muitas vezes, as trocas não são diretas entre usuários, mas realizadas de uma pessoa para um conjunto de pessoas? 

Quais elementos que, em ambientes digitais, pensando especificamente no Twitter, 'substituiriam' a percepção da (a) disposição no espaço e da (b) existência de papéis definidos (uma vez que pessoas, muitas vezes, não se conhecem), enquanto um elemento que dá pistas para os processos cognitivos que acontecem nas interações sociais?


Segundo as definições encontradas no texto para o comportamento de altruísmo, este pode ser visto como uma imitação, ou pode ocorrer sem a expectativa de uma recompensa por parte da pessoa alvo do comportamento ou de outras pessoas. Um comportamento que não precisa ser incutido na criança humana. Como funcionaria o processo de desenvolvimento de comportamento ético? Ele é produto de evolução ou consequência de um refinado arranjo de contingências especificas? É possível pensar o sujeito da espécie humana sem um inerente egoísmo?

A coordenação entre os oito fatores levantados no texto como conteúdo da interação, duração da fala, tom emocional, dentre outros, é considerada essencial para que ocorra a interação, e para que esta esteja em equilíbrio. Algum fator seria determinante para que a interação não ocorra? É possível efetuar todos os passos e ainda assim uma díade ser formada por duas pessoas que essencialmente estão falando sozinhas? Se for possível, qual seria esta característica que manteria duas pessoas em uma díade interacional, mas sem realmente estarem conectadas?

O texto demonstra a existência de uma relação significativa entre o posicionamento corporal dos participantes de uma interação e o tipo de interação que ocorre, quando dois sujeitos estão face a face. A intimidade da relação pode ser percebida ou influenciada pela organização espacial que se estabelece entre dois sujeitos.  Como seria isso em uma relação intermediada por algum meio de comunicação à distância? Como um Skype, onde as pessoas podem olhar para a imagem do rosto uma da outra? As regras mudariam pela intermediação do computador?

O texto relata uma série de experiências científicas que demonstram particularidades da interação face a face? Posicionamentos corporais, arranjos espaciais, sinais antecedentes, dentre outros fatores. É possível pensar na utilização deliberada desses critérios para um sucesso maior na interação com outras pessoas? Seria possível criar ambiente onde as pessoas fossem direcionadas a situações que promoveriam maior interação? É possível controlar um contexto de forma que se possa aumentar a probabilidade de ocorrência de interações utilizando as características citadas pelo texto?

Argyle relata no seu texto, acerca de experimentos e descrição de modelos, na tentativa de compreender como se configura a interação social. É possível estudar fenômenos coletivos como a interação social em contextos laboratoriais, já que se distancia da realidade concreta das pessoas que participam desses estudos?

Ainda que um pesquisador  queira compreender os aspectos existentes na interação social e adote uma postura metodológica que seja possivelmente mais compatível com pressupostos que autorize essa análise, é possível que a interação social seja acolhida de forma efetiva pela cientificidade da Psicologia?

O texto aborda como diversos recursos  do comportamento no contexto de interação podem favorecer um entendimento prévio de como uma pessoa irá se comportar em relação a outra ou vice – versa . Sempre será possível observar e compreender este processo de interpretação atentando para as condições antecedentes da interação?

O comportamento expresso na interação social não é somente o resultado de pressões ambientais, estímulos, motivos ou as atitudes, ela deriva do modo em que ela interpreta e maneja tais coisas na ação que está se construindo. A partir disso, é possível pensar na interação como uma atividade continuamente negociada, remanejável e ininterrupta?


Determinadas ações periféricas, chamadas pelo autor (Kendon) de framing actions ou ações de enquadramento, adquirem um papel importante no estabelecimento de uma interação focada. Qual é esse papel? 

Por que programas de entrevistas como os de Jô Soares e Marília Gabriela podem ser uma ótima fonte de observação de interações diádicas? 


A revisão de estudos sobre interações sociais feita por Argyle (1976) é muito interessante. Em alguns momentos, o método utilizado nas pesquisas não ficou claro e a análise fica injustificada. De qualquer forma, parece que são estudos que produziram dados relevantes para a área de pesquisa. Observa-se que os autores frequentemente destacam a importância e, em alguns exemplos, a necessidade, da presença física, da relação face a face para a ocorrência de uma interação social efetiva. Uma questão que pode ser colocada, diante do contexto em que lemos esse texto é: como a ausência dessa característica, tão destacada nesses estudos, muda/interfere nas interações sociais que ocorrem em ambientes digitais?

Considerado a definição de relação cooperativa: "Diz-se que duas pessoas estão numa relação cooperativa se elas tem algum objetivo comum que não pode ser obtido facilmente por nenhuma delas sozinha, e onde cada uma delas se beneficiará de sua consecução", como podemos pensar as construções colaborativas realizadas por grupos de pessoas em sites, redes sociais e outras plataformas digitais?

Como analisar as interações sociais em ambientes digitais quando os interatores não possuem praticamente nenhuma informação sobre aqueles com quem interagem? Quais variáveis devem ser consideradas? A análise é mais simples? A previsibilidade do comportamento é menor ou maior?

Assim como Argyle, Kendon destaca frequentemente questões morfológicas das repostas dos interatores: gestos, endereçamento de olhares, tom de voz, velocidade de fala etc. Aspectos que ele chama de "não-verbais". Aspectos estes que são muito importantes, segundo o autor, para a ocorrência de comunicação efetiva entre os interatores. Esses aspectos não interferem, em princípio, nas interações sociais em ambientes digitais que não utilizem vídeo e áudio. Existiriam outros aspectos a serem considerados neste tipo de interação? Quais? Uso de "emoticons", pontuações, onomatopéias, repetições de letras e palavras poderiam ser exemplos de aspectos morfológicos deste tipo de interação que afetariam o quão efetiva ela pode ser e modulariam as interações? Além disso, como podemos entender o posicionamento espacial e suas influências sobre os relacionamentos dentro de um ambiente digital? Em outro aspecto, será que há formas de comunicação suficientemente convencionais  em ambientes digitas que possam cumprir a função das saudações em relações face-a-face?


Segundo o Argyle, durante o comportamento social geralmente as pessoas estão conscientes de que são objeto de intenções, percepções e atitudes em relação ao outro, e que em um encontro, existe uma mútua manipulação para cada um atingir seus próprios objetivos. Em que medida as formas de interação social mediadas pelo computador trazem à tona essa concepção abordada pelo autor? 

Nas redes sociais, muitas vezes a pessoa constrói um perfil com um referencial identitário com expressões e conteúdos considerados desejados para situações sociais vivenciadas. Neste contexto, a importância da fachada torna-se mais evidente nas interações diretas (presenciais) como afirmando por Goffman, ou nas relações mediadas isto vem se potencializando? 

Ao longo do texto, Kendon aborda a correlação dos gestos com a narrativa dos falantes na interação face a face, afirmando ser uma forma de fornecer informações necessárias para quando uma pessoa se propõe a interagir com a outra. Que mudanças são possíveis perceber quando a interação ocorre virtualmente? 

Segundo o autor, existem determinados tipos de conduta para cada situação que é estabelecida antecipadamente. As regras de conduta nas interações presenciais (face a face) são as mesmas nos espaços digitais, ou a possibilidade de anonimato permite uma alteração destes comportamentos?


De que maneira as relações interpessoais desenvolvidas em ambientes digitais evoluem de amizades para relações íntimas de amizade ou “apaixonamento” sem a convivência “in Real Life” (RL)?

De que modo ocorre a mobilização social de certos grupos através de ambientes digitais e redes sociais de cunho ativista/social?

Nos ambientes digitais, mas especificamente nas redes sociais, os atos/ ações não são “físicas” como em Real Life (RL) logo, não podem ser observadas da mesma forma. Faz-se através de ferramentas ou linguagem escrita e/ou símbolos. De que forma os indivíduos embasam seu julgamento em relação às informações adquiridas nos ambientes digitais em termos de veracidade/sinceridade em seus relacionamentos de amizade ou outros?

Pode-se afirmar que os arranjos interacionais em ambientes digitais são qualitativamente diferentes dos arranjos desenvolvidos/nascidos “in Real Life” (RL)?


Nos Sites de Redes Sociais, como Facebook, o curtir ou comentar, uma mensagem ou fotografia de outro, após este ter agido assim, pode ser considerado reciprocidade? 

Pensando na influência da frequência de interação para formação de amizades, a facilidade de comunicação através da Internet e dos dispositivos móveis fomentaria um circulo de amizade maior? Ou laços mais intensos? 

Ao pensarmos que distâncias e posições diferentes com relação ao outro influem na informação obtida na interação, então podemos pensar no tempo (entendendo como o espaço-temporal entre a mensagem enviada e o recebimento da resposta) na interação como outro fator influenciador desta percepção. Ao aplicar isto a uma interação mediada por computador, poderia o tempo de resposta ser entendido como um aspecto de linguagem não verbal? 

Quando os sinais expressivos de A não são suficientemente condizentes a saudação que este faz a B, podemos considerar que a credibilidade dada, por B, a este ato torna-se reduzida. Diante disto podemos pensar que acontece uma nova definição de situação para a interação?

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