quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Questões - Aula 7

Relacionadas ao texto:

BURKITT, Ian. Social Selves - Theories of Self and Society. SAGE Publications Inc. Thousand Oaks, California, 2008.

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Segundo o autor, devido às constantes mudanças na sociedade e, especialmente, com as consequências das chamadas “novas tecnologias”, o self está em constante mudança. Levando em conta este pensamento, as novas tecnologias proporcionariam novos espaços de experimentação, auto-conhecimento, desenvolvimento do self, vivências e relações, ou apenas geram uma alienação capitalista, visando o consumo de tecnologias perecíveis? 

Tomando por base a ideia de “relações líquidas” de Bauman, como tais relações se dão atualmente nos ambientes digitais: líquidas ou sólidas? Como poderíamos explicar então o desenvolvimento de relações profundas e consistentes formadas nestes ambientes? 

As tecnologias de saturação social acabam por aumentar a intimidade entre desconhecidos. O envio de “beijos”, “abraços” às pessoas não próximas é uma prática comum em ambientes digitais, mas essa intimidade é levada para as interações face-a-face? 

Um individuo nativo digital fará distinções desses dois níveis de intimidade (mediada e fa a face)?

Burkitt afirma que na contemporaneidade possuímos uma relação cada vez mais global do que local. No entanto, questiono quais tipos de interação temos construído, pois apesar das redes sociais serem uma zona de atração e o lugar de um encontro coletivo, tenho uma impressão que há uma tendência para “ ausência de laços”, que estamos sendo socializados para o isolamento.

No texto é relatada a positividade de obter múltiplas identidades, pois podemos refazê – las de acordo com as circunstâncias sociais que nos cercam. Olhando por outra ótica, essas possibilidades de “mutações identitárias” que estamos inseridos, poderia nos levar futuramente falta de sentido para a existência?

A dificuldade em tomar decisões acerca de quem se é, ou de quem deve se tornar, ou das ações que se deve tomar, descrita pelo autor como frequente na modernidade líquida, é um fator relevante na análise de como as pessoas produzem suas apresentações em ambientes digitais?

Será que a vasta gama de possibilidades disponíveis atualmente, as quais parecem gerar ansiedade nas pessoas (ainda que indiretamente), produzem as condições nas quais ter o poder de criar identidades virtuais "diferentes", ou que atendam a mais possibilidades do que aquelas de fato realizadas no "mundo real", funciona como uma maneira eficaz de lidar com a liquidez moderna (potencialmente ansiogênica)?

A partir da discussão levantada por Adams e Guidens sobre a relação entre reflexão e classe social, entendi que eles acreditam que há influência de um sobre o outro e que os acessos a recursos materiais e o pertencimento a determinado grupo social e econômico permitirá "mais reflexão" ou "reflexão de formas diferentes". Embora concorde que o acesso a informação/educação, ao capital e ambientes de relação trazem limites às nossas possibilidades de compreensão e de construção do nosso eu, porém achei que vai de encontro à perspectiva da pós-modernidade como ampliadora das possibilidades de transformação, de acesso às informações e às relações e transposição das fronteiras inclusive entre classes, tão mais bem delimitadas e duradouras no passado.

Giddens fala que os locais estão perdendo a importância central na estrutura das relações e nas ações sociais, considerando os meios de comunicação e as tecnologias para além do tempo e espaço as quais temos acesso hoje. Mas será que o homem passou a prescindir dessas delimitações de "onde estamos", "quais são os códigos e as regras aqui", a partir do momento que são criados novos "ambientes para se relacionar"? Será que não transpomos essa idéia de local para além do ambiente físico? Até que ponto ele afirmar que somos hoje mais globais que locais não se trata na veradade de uma ampliação dos limites do local, já que vemos tudo a partir da perspectiva local da qual disponibilizamos?

No decorrer do texto, o autor pontua que é o indivíduo pode construir suas relações interpessoais em lugares “reais” e que isso não é possível quando ocorre em ambientes digitais. Ou seja, as interações sociais estabelecidas na Internet, as possibilidades de contato com pessoas de diferentes lugares do mundo não contam como uma forma de relação?

Na contemporaneidade, a sobrevivência do self pode estar relacionada aos indivíduos que conseguem se adaptar rapidamente a diferentes situações, já que para nos relacionarmos precisamos manter as nossas características e ao mesmo tempo estarmos preparados para novas formas de mudança

A internet e as redes sociais são costumeiramente entendidas como espaços que permitem a expressão de uma maior liberdade e uma maior flexibilização na construção de nossas identidades (criação de diferentes perfis, edição cuidadosa de informações, perfis fakes, etc). No entanto, esta noção não menospreza uma realidade de intensa vigilância, na qual nossos perfis e construções identitárias acabam se engessando por estarem sob o constante risco de um "desmascaramento público?

De que forma episódios punitivos, tais como, perseguições e humilhações públicas podem afetar as construções identitárias em ambientes online? 



Fichamento - Aula 7


BURKITT, Ian. Social Selves - Theories of Self and Society. SAGE Publications Inc. Thousand Oaks, California, 2008.
     
  Por Íris Araújo

   Sobre o autor: Ian Burkkit, psicólogo britânico, pesquisador no departamento de Ciência Social e Humanidades na Universidade de Bradford.

Objetivo do capítulo: Explorar e argumentar as ideias desenvolvidas por alguns autores, na busca de compreender como os fatores intrínsecos ao mundo contemporâneo têm influenciado o processo de construção e compreensão do self na atualidade.
Argumentação central: Burkit, relata sobre como as transformações ocorridas no mundo contemporâneo, tem trazido a necessidade de rever a concepção do self, deixando de ser individual e imutável, e passando a ser continuamente  modificada e multiplicada(com possibilidades em potencial), através do intenso fluxo dos meios de comunicação que estamos expostos, pois tem favorecido a interação com pessoas de diversificados estilos de vida. Tal configuração contemporânea, coloca em discussão o questionamento ‘Quem sou eu?’ em um mundo globalizado, fragmentado, onde a possibilidade de uma sustentação de identidade tem se tornado remota.

Tópico 1 – Social saturation and e satured self: O autor, a partir da perspectiva de Gergen indica que um dos principais fatores das mudanças ocorridas na sociedade, é denominado de tecnologia da saturação social, no qual, estão incluídos todos os sistemas de telecomunicações desde os mais antigos até os mais recentes. Chamando atenção de como as diversidades dos meios de comunicação existentes no mundo contemporâneo e de como os mesmos favorecem que as pessoas estejam entrando em contato com distintos tipos de conhecimentos, valores, culturas, religiões, ideias e estilos de vida, de maneira que não poderia ser possível no passado.
Bukkit, citando Mead e Bakthin, aborda que quando os autores discutem que nossos pensamentos foram povoados por palavras, fazem referencia da relação face – a – face ou no máximo personagens conhecidos da literatura. No entanto, hoje com expansão midiática, supõe que houve uma transcendência dessas relações de tal forma, que as pessoas se tornaram íntimas de pessoas que nunca se encontraram pessoalmente. Este favorecimento das diversidades de encontros que influencia nosso modo de vida contribui para inúmeras possibilidades que poderíamos ser futuramente.
Ainda nesta questão, Jameson denomina os selves contemporâneos como esquizofrênico, pelo fato de serem constituídos de múltiplos selves, se apresentando de forma imitativa, sem profundidade e emocionalmente vazio. Todavia, Gergen distingue o self como multifrênico, não em um sentido de uma patologia, mas pontuando como um estilo de self característico do mundo pós – moderno.
A partir de um restropecto histórico, Gergen e Jameson, citam que os filósofos do Iluminismo traçava um self que buscava controlar suas paixões agindo de forma racional. Já o romantismo acreditava em um self composto de uma essência ou voz interior que dizia quem somos, se nos conectássemos a ela. No entanto, Gergen afirma que o self pós – moderno surge, a partir dos processos tecnológicos de saturação social, que não são caracterizados nem pela sua racionalidade, nem pela essência interior, mas pelas conexões que realizadas nos grupos que pertencem. Consequentemente, começa a diminuir a necessidade de se construir uma identidade própria, coerente e continua, pois o fluxo de fragmentação social que estamos imbuídos, promove o aparecimento de identidades unificadas em um conjunto fragmentado de intenções e possibilidades.
Gergen, no entanto, considera estes fatores positivos por que as pessoas passaram a construir uma rede maior de relações, se libertando da ideia de possuírem identidades exclusivas, dando possibilidades de inscrever, apagar e reescrever suas respectivas identidades que são mutáveis, expansivas e incoerentes estando de acordo com as redes de relacionamento permite que sejamos. Burkkit, todavia, contesta a tese de Gergen, pois para ele nem todas as pessoas se enquadram nesta realidade de mudarem constantemente suas identidades, como os moradores de Rohterham que ainda possuem suas relações em uma escala mais local do que global.

Tópico 2 – Self – identities in high modernity: Neste tópico, o autor cita a concordância entre Giddens e Gergen acerca das mudanças ocorridas na construção do self, em termos de reflexão sobre suas construções identitárias. Para Giddens, a modernidade ocidental é uma sociedade pós – tradicional, pois não depende de costumes e ritos transmitidos de gerações anteriores para a construção do self, em vez disso, as rápidas inovações advindas a nível de ciência,  tecnologias, industrias e comunicação, tem dificultado a permanência de características sólidas de uma geração para a outra.
O autor aborda como o Iluminismo quebrou os dogmas e desafiou a doutrina religiosa, buscando inspirações no sistema feudal, com o surgimento e a aceleração do capitalismo industrial houve a quebra do feudalismo e sua estrutura de poder. Contudo, no começo da era moderna, algumas tradições características do período feudal ainda se faziam presentes. Já no final do século XX e no começo do século XXI, tais tradições foram se destituindo. Giddens chama de modernidade tardia ou alta modernidade, a sociedade que vem se tornando pós – tradicional, pois as relações estão mais baseadas pelas possibilidades de escolhas do que em tradições. Isto é notório nos diferentes arranjos familiares que vem se constituindo atualmente, ultrapassando em alguns casos questões biológicas. As relações são baseadas muito mais na mutualidade dos benefícios, na satisfação pessoal e nas possibilidades de escolhas do que nos laços tradicionais.
De acordo com Giddens, a maior mudança vista por ele na alta modernidade é o que ele denomina de ‘distanciamento tempo – espaço’, que descreve a maneira de como o espaço local vem perdendo a importância central na estrutura das relações e ações sociais, pois agora é possível se relacionar com amigos e familiares e no entanto, não conhecer o vizinho.
O autor expõe um dos pontos fracos na tese de Giddens, no qual, aponta ser individualizada quando afirma que as escolhas de uma narrativa biográfica e estilos de vida são feitas de forma independente dos outros. Contradizendo o que Mead e Bakthin onde as identidades são construídas primariamente na relação com outro de forma que nunca pode estar desconectados da maneira como os outros veem, mesmo que ocorra a representação oposta daquilo que as pessoas imaginam. Burkkit ainda questiona a que a trajetória biográfica não se configura apenas pelas escolhas individuais ou por meio de estilo de vida relacionado a determinados lugares, pois não escolhemos o lugar onde nascemos e certamente possuímos hábitos particulares destes locais presentes no nosso self.

Tópico 4 – Self in liquid modernity and the new capitalism: Neste último tópico Burkkit se baseia na obra de Bauman.
De acordo com Bauman, as duas principais mudanças da identidade no mundo contemporâneo são a globalização criada no mundo onde as pessoas e capital são não são ligadas a lugares locais, mas por uma rede de fluxo global de comunicação, identificação, viagens, emigração, e a interligação com grande flexibilidade das pessoas favorecendo a perda de uma comunidade estável para buscarem a constituição de self em caráter global. Tais características são acrescidas ao termo modernidade liquida trazida por Bauman, fazendo uma relação metafórica de um sólido que se liquefaz com as relações humanas estabelecidas de forma fluida através do tempo e espaço. Burkkit afiram que o telefone celular representa o que existe de mais característico na modernidade liquida, pois permite as pessoas estarem conectadas com mais de um grupo simultaneamente, podendo desconectar – se imediatamente se surgir outra situação de maior interesse, ou seja, as relações humanas tem se apresentado cada vez mais fluidas e em constante movimento.
O indicadores para o resultante da modernidade liquida, Bauman chama de capitalismo pesado e capitalismo light. O capitalismo pesado se caracteriza pelas indústrias pesadas e o investimento intenso de maquinaria, tecnologia e trabalho, nestes locais o trabalho seguia um perspectiva distinta do capital pois, os trabalhadores tinham interesses, identidade de uma classe social em comum. Já o capitalismo light, se move em uma escala global, não possuem identidade nacional, fidelidade, sem compromissos locais entre capitalistas e trabalhadores.
Além disso, há uma inquietação das pessoas em como manter um self relativamente concreto para que as pessoas nos conheçam. Portanto, há uma necessidade para que estejamos preparados em um mundo fluido exigindo uma adaptabilidade, pois para Bauman aqueles que não são capazes de ter uma mobilidade são considerados membros fracos da modernidade liquida. Ainda assim, até aqueles que são considerados ‘poderosos’, se deparam com vida fragmentada, descoordenada e inconsistente da narrativa biográfica moderna. Bauman ainda ressalta que tentar criar uma biografia seria como juntar um quebra – cabeça defeituoso, onde as peças estão desaparecidas e não existe nenhuma imagem na caixa pra nortear qual seria o resultado final.
Apesar disso, Bauman traz alguns lados positivos da modernidade líquida. Primeiro, a globalização oferece a oportunidade das pessoas começarem a ser identificar com a humanidade como um todo. Segundo, não é dada a importância do quanto nossas identidades têm sido mercantilizadas, mas sim a questão de que só o ser humano pode inspirar busca continua de variados tipos de relações.  
Outro autor citado é Casey, no qual, concorda com os posicionamentos trazidos sobre as mudanças ocorridas nas relações sociais dentro da ótica da pós – modernidade, alta modernidade e modernidade liquida, porém, discorda que essas mudanças tem diminuindo a importância de um lugar físico. Ele exemplifica através da permanência dos encontros nos cinemas, a procura de livros e encontros nas livrarias convencionais e a busca de parceiros através do contato físico.
Dessa forma, Burkkit tenta mostrar como ainda é possível ter um sentido relativamente estável e coerente de um self que pode lidar com mudanças, contradições e com a fragmentação causada pelo capitalismo, sem reduzir a capacidade do ser humano a ser o mero reflexo de condições sociais existentes. 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Questões - Aulas 5 e 6

Leary, M.R. The Self We Know and the Self We Show: Self-esteem, Self-presentation, and the Maintenance of Interpersonal Relationships. In Fletcher, G.J.O, Clark, M.S. Blackwell Handbook of Social Psychology: Interpersonal Process. Cap 18, Ed. Blackwell Publishers Ltd. 2001, 2003.

HOGG, Michael A.; VAUGHAN, Graham M. Essentials of social psychology. Published Harlow : Pearson Education. 2010 (p. 64 - 90)


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Mark Leary, durante o texto em questão – datado, válido ressaltar, de 2001 – , aborda a autoestima em duas perspectivas temporais: uma voltada para o momento específico de determinada interação entre indivíduos (state self-esteem) e outra que concerne em uma progressão, uma continuidade da autoestima (trait self-esteem). Ao pensarmos em tais classificações situadas em ambientes digitais, é possível conceber uma supressão do state self-esteem, uma vez que as informações trocadas estarão disponíveis posteriormente para estes mesmos (além de outros) usuários? Neste ínterim, é possível pensar em uma situação que não se espraia ao longo do tempo, como sugere o termo state?

Relendo contribuições anteriores sobre o que se compreende por “self”, Leary chega a afirmar que a aplicação dada a este mesmo termo é questionável, uma vez que o “self” (aquilo que é próprio) se constitui a partir de um movimento observação e reflexão dos demais indivíduos. A imagem que emerge é de um mosaico em autorrelevo, no qual as peças se apresentam e são escondidas de acordo com a situação estabelecida no entorno. Neste sentido – e assumindo o risco da repetição –, a construção e manutenção de um perfil em uma rede social pode ser pensada, em contexto mais amplo, como reflexo de uma superficialidade e instantaneidade que parecem intrísecos à sociedade contemporânea?

É recorrente no campo da psicologia social a discussão em torno da composição do indivíduo como resultado das interações que são estabelecidas ao longo da vida. Desta forma, na atual configuração do mundo em redes de informação – nas quais a supressão geográfica é uma característica fundamental –, podemos afirmar que as novas gerações são muito mais “cidadãs do mundo”? Ou seja, quais os reflexos da maior abertura às influências culturais estrangeiras? É muito apocalíptico afirmar que as tradições serão somente “itens de museu”? A ideia de “self saturado” encontra-se em seu ápice?

Um dos pontos principais da contribuição de Mead diz respeito à distinção entre “I” – self como uma extensão da consciência – e “Me” – self como objeto de percepção alheia. Frente às técnicas de obtenção e catalogação de dados deixados pelos usuários nas redes sociais (cenário de interação), é possível reclamar um interacionismo simbólico quantificável em likes, shares e comments, por exemplo? Frente a isto, há brecha para reformularmos o conceito de “sociometria”?

 No decorrer do texto Hogg e Vaughan trazem contribuições de alguns autores e pesquisas acerca das concepções de self público e privado, bem como suas inter – relações. No entanto, suponho que o self pode ser compreendido como um sistema continuamente aberto mediante vários grupos ou instituições em que o homem participa, pois a questão de afirmar o que seria privado ou público podem ter suas concepções modificadas se considerarmos a mudança de um contexto.

O texto aborda que os indivíduos buscam por uma crescente auto – satisfação  de sua imagem e deseja validar sua existência na presença do outro. A manutenção dessa imagem satisfatória exige um bom gerenciamento da própria vida, pois qualquer falha dos mesmos é considerada fracasso. Ainda que exista a possibilidade de reverter este fracasso, como lidar com estas situações diariamente já que temos desenvolvidos traços cada vez mais narcísicos?

O texto afirma que a interação social é altamente simbólica e por sua vez oferece um modelo sofisticado para a formação do self. Tal constatação me faz pensar no sentido de um processo contínuo, no qual, o individuo busca se apresentar semelhantemente ao outro, a partir dos grupos ou classes que pertencem, percebendo sua unicidade partindo de suas diferenças, pois elas só aparecem quando tomamos o outro como referencial.

Apesar do texto apresentar inúmeras possibilidades e caracterizações do self, percebo que ainda há muito que se refletir e discutir pois passamos por um período onde a cultura do efêmero se faz presente.Pensar em uma  compreensão mais previsível do self perpassa pelo ato de articular dimensões aparentemente contraditórias (igualdade / diferença, individual / coletivo, unicidade / totalidade etc.), mas que são inerentes na pluraridade existente no ser humano.

Podemos pensar as redes sociais como um ambiente de exposição e manifestação do eu ‘verdadeiro’ (o que o indivíduo acha que é, suas opiniões, desejos, etc.) ou apenas de características aceitas socialmente?

Usualmente em redes sociais ,na discrição do perfil, são utilizadas características favoráveis, socialmente aceitas e que designam adequada autoestima. A partir disto, o que se pode pensar da ‘veracidade’ da descrição de tais perfisa nível de consciência do próprio self e identidade?

A partir da observação de ambientes digitais como o Twitter e o Orkut, bem como em relação às suas ferramentas, pode-se inferir que o primeiro trabalha com as características e estimulação da exposição do self individual e o segundo com o self coletivo (através da comunidades, por exemplo)? 

A partir dos conceitos e exposições acerca da autoestima e baixa autoestima, pode-se inferir que os indivíduos que fazem cyberbullying e que expõem problemas como a anorexia e bulimia em veículos como os blogs, são sujeitos que possuem baixa autoestima ou adequada autoestima? De que forma os ambientes digitais funcionam e colaboram para estas práticas? 

No texto, os autores afirmam que a interação social depende das pessoas conhecerem a si mesmas e ao outro. Porém, nos ambientes digitais, muitas vezes não é possível saber e conhecer os indivíduos que se encontram em um determinado diálogo. Sendo assim, é possível existir uma interação onde a identidade não é revelada?

Ao se descrever em perfis de redes sociais, o indivíduo pode estar tentando responder a uma determinada definição pessoal ou ele se auto descreve baseado no que ele acredita ser um perfil de referencial identitário?

As interações realizadas através das redes sociais buscam uma necessidade de aprovação a partir dos comentários e publicações realizadas? Neste sentido, no que se diferem as interações virtuais das interações face a face?

No decorrer do texto, é apresentada uma distinção entre os conceitos de private self e public self. Após o surgimento das novas tecnologias estes conceitos ainda se aplicam, ou eles precisam ser reconfigurados a partir dessas novas formas de interação social?

Interessante a afirmação do autor sobre as recompensas externas retirarem o prazer de uma atividade. Ouve-se falar frequentemente sobre os problemas causados pela internet e por jogos eletrônicos principalmente a jovens estudantes que precisam se concentrar em suas obrigações. Será que há nestas atividades, estudar e jogar/navegar, alguma diferença intrínseca em termos de recompensa para a atividade ou para o desempenho?

Como a psicologia pode se voltar para o estudo de interações sociais em ambientes digitais a partir dos conceitos de self? Mais especificamente, o foco do estudo será nos indivíduos interagindo ou nos grupos como coletivos? Segundo o autor, este último foco seria das sociologia e da ciência política. A psicologia não tem ferramentas para lidar com esse objeto de estudo?

Sobre a segunda possibilidade dos efeitos da self-presentation na self-esteem: o que é "imaginado" pode simplesmente ser que a auto-observação do indivíduo detecta que a própria self-presentation realizada naquele momento se assemelha a outras que ele mesmo ou alguém utilizou e não foi bem recebida pela audiência. Portanto, o "colocar-se no lugar do outro", na verdade, seria um lembrar-se, ainda que não conscientemente, de situações passadas nas quais ocorreu um insucesso na self-presentation e, consequentemente, baixa na auto-estima?

O quão útil a distinção entre self privado e público é? O acesso ao suposto self privado, de qualquer forma, é obtido através do que um indivíduo pode relatar sobre o que sente ou pensa. Esse relato não é filtrado, de alguma maneira, pelas habilidades atribuídas ao self público? Ainda que algumas destas estejam fora do indivíduo (a impressão que os outros tem dele)? Além disso, o próprio aprendizado da linguagem, "instrumento" utilizado para relatar o que se sente, não é dado através de relações públicas? O quanto este aprendizado interfere na forma como se relata, ou até se percebe, o chamado self privado? 
São muitas teorias tentando extrapolar as barreiras do self interno, inacessível e misterioso, colocando-o como uma construção no processo de interação do indivíduo com o mundo num tempo e espaço, sempre em transformação. Essas teorias no entanto ainda parecem fazer distinções, como entre self público e privado, ou entre “I” e o “Me”, entre o que sou, o que acho que sou e o que acho que os outros acham que sou, que ainda dicotomizam o processo não negando completamente a existência do “self interno”. Estaria-se caminhando para a admissão da existência de múltiplos selfs? Quando aos teóricos colocam que nos damos conta do self público e do privado, eles presumem que existam selfs dos quais não temos consciência?

A consciência de si (selfawareness) é interessante para pensar a dificuldade que muitas pessoas tem de se deparar com o que “são” ou “como se mostram”, como por exemplo ao ver fotografias antigas ou ao assistir a uma filmagem e se surpreender com seu comportamento e sua aparência. Essa dificuldade de se perceber de fato como se é ou como os outros nos percebem e as mudanças que ocorrem nessas percepções tornam ainda mais interessante a teoria da comparação social e as mudanças de esquemas sobre si na busca pela coerência do self e pela “boa inserção social”.

O que aparece no texto como razões para autoestima, escondendo de si os pontos negativos e superestimando os pontos positivos para manter um desempenho ideal, lembra o tripé que Hogg e Vaughan trouxeram: superestimar os pontos positivos, estimar maior controle sobre os eventos e ser bastante otimista, como estratégias para se manter seguro socialmente. A consciência excessiva de si seria de fato uma ameaça a autoestima e ao bem estar, já que os textos colocam possíveis consequências como estresse, depressão? De que forma isso se atrita com a crença de que a busca pelo autoconhecimento e pela compreensão de si mesmo elevariam o bem estar e a aceitação pessoal?

O texto apresentou a autoestima como um construto também público que é influenciado e influencia a apresentação/representação social. No entanto o grau de autoestima não parece reduzido apenas a capacidade de influenciar pessoas ou ao fato de agradar e ser admirado. Por mais que os fatores externos modulem diretamente, há um fator de autopercepção e do histórico de interações que a pessoal desenvolveu que induzem a uma superestimação dos sinais dados pelo meio ou subestimação de tudo o que aparenta ser para as pessoas. O que seria esse fator mediador para o aumento ou diminuição da autoestima para além dos feedbacks do entorno? 
No final do texto, Leary afirma que a auto-apresentação não funciona apenas como um meio de obter valorização interralacional, mas também pode ter outros fins. Em que medida pode-se dizer que ela funciona como baliza para a construção de "eus" diversos ao invés de ferramenta de direcionamento identitário?

Sendo a auto-estima um reflexo do modo como pensamos sermos enxergados por terceiros, até que ponto se pode afirmar que ela não se encontra em um "eu" particularizado, mas sempre externo à própria pessoa?
  
No tópico "The Self? I or We" (p 65), os autores questionam se o conceito de self é um fenômeno coletivo ou individual. Mas como lidar com eles de modo plenamente separados senão segundo uma abordagem meramente pedagógica? A noção da individualidade não implica necessariamente numa compreensão oposta, a de coletividade?

No final do texto (p. 84), os autores citam Greenberg, para quem a busca por auto-estima é decorrente do medo da morte. Ora, essa teoria não teria validade apenas para sociedades que lidam com a ideia de luto? Não haveria culturas não-cristãs, por exemplo, para as quais a morte não é necessariamente algo indesejável? Ou o luto poderia ser considerado um a priori biológico da nossa espécie?

Se notamos no texto a importância exercida pela percepção que temos de nós mesmos, isso faz com que a análise das interações sociais, que ocorrem em um determinado ambiente digital, em torno de um tópico e um período específicos, dependa até que ponto de um entendimento sobre qual é essa percepção existente nas pessoas observadas?

Se o self está continuamente sendo construído/refeito, quais são os elementos que nos dariam uma visão menos mutável sobre quem é o público que estamos abordando? Como afirmar, então, quem é o nosso público em uma pesquisa?

Quando falamos da noção de 'aprimoramento', que vai ocorrendo ao longo das interações sociais, estamos nos referindo a um conjunto de objetivos, como 'reforçar/manter aspectos positivos' e 'evitar aspectos negativos'. O ser humano, ao interagir, nunca buscará uma neutralidade -ou será indiferente aos objetivos anteriormente citados?

Existem estudos que mapeiam conjuntos de táticas utilizadas, em ambientes digitais, que trazem características sociotécnicas diversas e particulares, para alcançar os objetivos de 'reforçar/manter aspectos positivos' e 'evitar aspectos negativos'?

Pensando na relação entre auto-estima e identidade social, de que forma pode-se afirmar que uma alta auto-estima deriva de aspectos positivos identificados e reconhecidos nos grupos sociais a que uma pessoa pertence?  Um indivíduo pode apresentar alta auto-estima  na interação com determinados grupos ou contextos sociais, e em outros apresentar baixa auto- estima?
De que forma a publicização de traços das interações nos sites de redes sociais, e a consequente explicitação de traços de aceitação ou recusa de indivíduos, por outros indivíduos ou grupos em sites de redes sociais podem complexificar a conformação da auto-estima?
Considerando o raciocínio de Leary, que afirma que pessoas com baixa auto-estima, tendem a ser menos seguras em suas relações sociais, e por isso costumam arriscar menos em suas representações do self, pode-se afirmar que tais pessoas tendem a se expor menos ou a despenderem mais energia em sua auto-apresentação em sites de redes sociais a fim de evitar possíveis avaliações negativas?

De que forma o consumo de bens materiais e a identificação com as marcas participam da construção do self? Até que ponto a utilização dos mesmos nesse processo pode ser uma prática positiva, não caindo no consumismo vazio de sentido?

Podemos pensar as redes sociais como um grande palco para a construção/exibição de selfs ideais? De que forma essas projeções são construídas? Quais são as práticas mais comuns utilizadas pelos usuários esta construção?

Para Leary (2001), a auto-estima e sua manutenção através da auto-apresentação giram em torno do desejo de aprovação social. Seria então a "aprovação social" a base motivacional para a participação e o engajamento das pessoas nas redes sociais?

A partir de que ponto as discrepâncias entre o self privado e o público podem ser consideradas uma patologia?

Fichamento - Aulas 5 e 6


FICHAMENTO: Leary, M.R. The Self We Know and the Self We Show: Self-esteem, Self-presentation, and the Maintenance of Interpersonal Relationships. In Fletcher, G.J.O, Clark, M.S. Blackwell Handbook of Social Psychology: Interpersonal Process. Cap 18, Ed. Blackwell Publishers Ltd. 2001, 2003.

Por Bruno Cesar de Sousa Silva
Sobre o autor:

Mark R. Leary é PhD em psicologia social pela Universidade da Florida. É professor de psicologia e neurociências, e Diretor do programa de psicologia social da Universidade de Duke. Ele escreveu ou editou 12 livros e tem mais de 200 artigos escritos. Seus principais campos de pesquisa são motivação social e emoção; Self e autorreflexão.

Objetivos do capítulo:

O texto tem como objetivo trabalhar o conceito de aprimoramento do self, da imagem transmitida através da interação social. Tanto do que se entende por self público quanto o self privado.  O texto trabalha a relação entre autoestima e auto apresentação, e seus efeitos entre si e sobre os relacionamentos interpessoais.

Argumentação Central:

O texto tem como argumentação central a existência de um processo individual de monitoramento e resposta a eventos interpessoais que funcionam através do que o autor denomina self-esteem e self-presentantion, sendo o primeiro um alarme que indica a existência de um problema, e o segundo o caminho pelo qual esse problema deve ser corrigido. O problema em si seria a manutenção e aprimoramento do valor, e consequentemente da aceitação que uma pessoa possui aos olhos das outras de seu grupo. Ele também transcende a polarização entre estes dois conceitos buscando a interdependência deles.


Tópico 1 - Introdução:

Na introdução o autor demonstra a polarização existente na literatura relativa ao self. Temos dois tipos de teorias predominantes, uma que defende essencialmente um self privado, subjetivo, e outra que investiga um self social, público. Os primeiros estudiosos do self estavam voltados para uma investigação do privado, das suas motivações psicológicas, o que afetava a percepção do self, e as implicações emocionais e comportamentais de como as pessoas percebem a si mesmas. Com os interacionistas simbólicos temos um campo de estudo voltado para o self público, que segundo Gofman é o único self verdadeiro. Este não seria uma característica interna do individuo, e sim um produto de sua imagem pessoal pública. O texto demostra que desde 1980 já existem pesquisas que demonstram a interação entre self público e privado.

Tópico 2 – Private and Public Self-enhancement

O self não é apenas uma estrutura cognitiva que permite autorreflexões e organiza informações sobre o indivíduo. Ele também tem motivadores, que se dividem em três principais, consistência do self, avaliação do self e aprimoramento do self. Este último é sobre qual o texto irá se debruçar. Pesquisas anteriores demonstram a busca dos indivíduos em construir imagens favoráveis e socialmente desejáveis de si. Greenwald (1980) compara a motivação do self em construir imagens favoráveis com a de um governo totalitário, pois assim como este, o ego totalitário distorce os fatos e reconstrói história de maneira a manter uma avaliação positiva de si. Na verdade é como se existisse uma necessidade do individuo em preservar uma imagem de si positiva. E isto pode ser visto nas vantagens comportamentais de uma boa auto avaliação como autoafirmação, autoestima positiva, e nas desvantagens de uma auto avaliação ruim como a possibilidade de depressão, abuso de drogas dentre outros.

Pesquisas demonstram que as pessoas são seriamente motivadas a conseguir uma avaliação positiva por parte de outras pessoas. E isto é fácil de compreender tendo em vista que uma imagem positiva é pré-requisito para varias coisas da vida como relacionamentos sociais, namoros, amizades e sucesso profissional. Este comportamento de transmitir imagens de si que favoreçam uma avaliação positiva por partes das outras pessoas é denominado no texto como auto apresentação ou self-presentation.  Que não é exclusivo do que as pessoas falam de si, mas também de como se vestem, com quem se relacionam, e o que possuem materialmente. O texto levanta a possibilidade de transmitir uma imagem negativa buscando algum objetivo específico como subjugar ou causar medo em outras pessoas. No entanto este é um procedimento menos usual, sendo predominante a tentativa de transmitir uma imagem positiva.

Ainda neste tópico o autor demonstra a importância de definir conceitualmente self público e self privado, e também a função de um aprimoramento do self privado. Segundo ele o termo self seria usado para definir exclusivamente um self privado, pois existiria um aparato cognitivo que promove a autorreflexão e tudo do self seria privado. Seria próprio do individuo. Segundo ele self público é um termo que tem sido usado para se referir a três tipos de entidades. A primeira é a imagem de si transmitida para outras pessoas, a segunda é a crença individual sobre a imagem pública de si mesmo, e a terceira a impressão que as pessoas tem do indivíduo que transmite as imagens. Logo no sentido estreito do termo, self público é um termo utilizado para definir uma série de interações sociais.

Já no caso da função de aprimoramento do self privado, ou melhor dizendo, da autoestima, ele levanta algumas possibilidades que justificariam a motivação para desenvolve-la. A primeira seria lidar melhor com as dificuldades da vida, pois uma autoestima elevada aumenta também a autoconfiança e promove sensação de bem estar. A segunda seria que a autoestima promove a integridade do self. Comportar-se de acordo com um “verdadeiro self”. E a terceira defende que as pessoas não buscam simplesmente uma autoestima boa por si, mas que esta poderia ser um indicador, através dos sentimentos subjetivos que causa, de outros desejos sociais, como aceitação social. Esta terceira possibilidade é adotada pelo texto.

Tópico 3 – Sociometer Theory

De acordo com teoria sociométrica, seres humanos possuem um mecanismo psicológico que monitora a qualidade das relações interpessoais, principalmente a forma como outras pessoas percebem e valorizam o relacionamento com eles. O mecanismo seria menos ou mais ativo de acordo com as interações sociais, funcionando como um alarme quando fossem detectados sinais de desaprovação ou redução da qualidade do relacionamento. Segundo uma visão particular do autor, este mecanismo teria se desenvolvido nos nossos ancestrais que tinham a avaliação do outro e consequentemente a disposição em oferecer ajuda como uma condição sine qua non para a sobrevivência, sendo indispensável perceber e corrigir possíveis problemas de aceitação social com rapidez. Esses sentimentos desagradáveis produzidos pela redução da aceitação social, e os agradáveis quando ela aumenta são, segundo a teoria sociométrica, o que convencionamos chamar de autoestima. Quando esse alarme dispara o individuo utiliza a auto apresentação para corrigir os possíveis problemas. Por isso a autoestima é importante, pois serve de medida para a aceitação e para a rejeição.

Tópico 4 – State and Trait Self-esteem

As avaliações pessoais sobre si flutuam com o decorrer do tempo. Pesquisam demonstram que a autoestima esta fortemente ligada a como o individuo sente-se no momento atual. Está ligada a quanto de valorização e aceitação social ele percebe no momento. No entanto existe também o que podemos chamar de característica pessoal de autoestima positiva, que seria como uma marca que define um indivíduo que está frequentemente com uma autoestima positiva. Estas pessoas geralmente acreditam em si, nos valor social que possuem, e na sua capacidade de se incluir socialmente. As pessoas não buscam ter autoestima positiva, elas buscam valorização e aceitação social, a autoestima positiva é uma forma de medir se elas conseguiram.

As pessoas consideradas de características pessoais de baixa autoestima não são necessariamente rejeitadas o tempo todo, ou fazem uma avaliação constante de si negativa. Elas possuem frequentemente uma avaliação neutra de si. Eles frequentemente apenas não se avaliam positivamente.

Tópico 5 – Moderating Effects of Self-esteem on Self-presentation

A teoria sociométrica ajuda a explicar porque autoestima e auto apresentação estão tão interligados. A autoestima fornece uma indicação de como as pessoas são aceitas e valorizadas, e a auto apresentação permite corrigir a avaliação de outras pessoas promovendo mais aceitação e valoração social, o que consequentemente aumenta a autoestima.

A autoestima está inversamente ligada à importância que uma pessoa dá a avaliação dos outros. Pessoas com autoestima baixa são mais fortemente direcionadas a conseguir aprovação social e evitar desaprovação. As pessoas que foram desaprovadas em algum contexto estão mais fortemente dispostas a conseguir aprovação em outros contextos, mesmo que não relacionados. Este processo cria uma situação onde pessoas de autoestima baixa estão constantemente buscando aprovação e aceitação. Só que uma das estratégias de auto apresentação de pessoas com autoestima baixa envolve não piorar a imagem que demonstram. Um objetivo importante se desenvolve: não ser ainda mais desaprovado. O que produz comportamentos de autoproteção, de esquiva social, de evitar estar no centro das atenções. Eles passam a ser cautelosos e evasivos nas relações interpessoais.

Estas pessoas sentem-se menos seguras nas relações interpessoais e acreditam que os vínculos sociais são frágeis. Elas também não acreditam que possam transmitir uma imagem positiva de si. No entanto podem evitar transmitir uma imagem negativa.  Quanto mais pública for uma situação, maior será a autoproteção da imagem, e quanto mais privada for a situação, menor será a cautela e o cuidado com a imagem transmitida.


Tópico 6 – Effects of Self-presentation and Self-esteem

Um dos objetivos da auto apresentação é aumentar o valor que a pessoa tem aos olhos dos outros. Em algumas pesquisas foi possível perceber que instruções sobre como se apresentar corretamente causaram um aumento da autoestima, demonstrando o efeito de uma auto apresentação eficaz sobre aquela. Pessoas de autoestima baixa nessas pesquisas “abaixaram a guarda” assumindo comportamentos mais arriscados socialmente. Esta dificuldade em deixar de ser cautelosos, de protegerem constantemente a imagem de si pode ser uma das grandes dificuldades em modificar um quadro de autoestima baixa. Estas pessoas dificilmente correm os riscos sociais que poderiam levar as outras pessoas a uma avaliação positiva delas.

Existem, segundo o texto, três formas de influencia da auto apresentação sobre a autoestima. Na primeira uma auto apresentação positiva pode aumentar a autoestima, e uma auto apresentação negativa pode reduzir a autoestima. Na segunda forma é possível antecipar a reação das pessoas a uma auto apresentação e consequentemente aumentar ou reduzir a autoestima. Pois o individuo pode olhar para si através do que acredita ser a perspectiva de outras pessoas. E na terceira forma temos uma procura tendenciosa, que seria pensar somente nos atributos positivos e ignorar os negativos. Esta terceira no entanto pode não ser tão eficaz, pois usualmente tentar ignorar defeitos ou pensamentos sobre defeitos próprios costuma ser uma forma extremamente eficaz de não conseguir pensar em outra coisa além dos defeitos. O que certamente seria ruim para a autoestima.

Tópico 7 – Private and Self-enhancement an Self-deception

A ideia de autoengano é importante dentro de uma discussão sobre self. A noção de que as pessoas podem ser enganadas pelas avaliações erradas que fazem de si. Esta noção pressupõe a existência de um self dividido entre uma parte que sabe toda a verdade sobre o self, e outra que está sendo enganada. Isto é possível em alguns transtornos psiquiátricos, mas não é claro como funciona com sujeitos dentro da norma. Segundo o autor o autoengano não faz sentido, pois traria mais desvantagens do que vantagens. Ele relata que o autoengano como uma ação do self privado não faria tanto sentido, e que deve-se entender como uma ação do self público, logo consciente do processo, para transmitir uma imagem desejada.

Tópico 8 - Conclusions

Os dois conceitos principais trabalhados no texto são autoestima que é uma medida da aceitação e valorização social, e a auto apresentação através da qual as pessoas tentam causar boas impressões às outras. O texto mostra a relação estreita entre estes dois conceitos, como parte de um processo único de monitoramento da aceitação social e da manutenção desta através da imagem projetada para os outros. O texto termina explicando que estes não são os únicos objetivos da autoestima e da auto apresentação, mas defende que a teoria sociométrica é uma forma eficaz de entender esses conceitos, ainda que não abarque todas as suas possíveis utilidades na vida prática. Mas que é correto afirmar que tanto a autoestima quanto a auto apresentação estão estritamente ligadas a tentativa de aumentar a valorização e aceitação social dentro do grupo. 

Fichamento - Aulas 5 e 6



FICHAMENTO:
HOGG, Michael A.; VAUGHAN, Graham M. Essentials of social psychology. Published Harlow : Pearson Education. 2010 (p. 64 - 90)

Por Karla Freitas


Sobre os autores:
Michael Hogg é professor de psicologia social na Claremont Graduate University. Também é professor honorário de psicologia na Universidade de Kent e da Universidade de Queensland. Além disso, é membro da Association for Psychological Science, da Sociedade de Psicologia da Personalidade e Social, a Sociedade para o Estudo Psicológico de Assuntos Sociais, da Sociedade de Psicologia Social Experimental, a Associação Ocidental de Psicologia, e da Academia de Ciências Sociais na Austrália . Ele é membro do comitê executivo da Sociedade de Psicologia Social Experimental (vice-presidente em 2012 e presidente em 2013). Graham Vaugham é professor de psicologia da University of Auckland e já fez parte de outras instituições como Bristol University, Cambridge University, University of Illinois, Princeton University e National University of Singapore.

Objetivos do capítulo: “Self, Identidade e Sociedade” é o terceiro capítulo da obra Essentials of Social Psychology e tem como foco principal explanar sobre o conceito de self e identidade.

Argumentação Central: Hogg e Vaugham tratam sobre a diferenciação dos conceitos de self e identidade e aborda o conceito de self, suas inúmeras variações, a sua construção histórica e de que forma está inserido nas interações sociais, no comportamento e no pensamento da sociedade.


Tópico 1 - Introdução: Os autores tratam o self (Eu) e a identidade como elementos influenciadores da interação social, da existência social e da percepção. Hogg e Vaugham afirmam que a interação social depende das pessoas conhecerem quem elas são e quem os outros são. Ter conhecimento sobre nossa identidade regula e estrutura como interagimos uns com os outros. A capacidade do ser humano de refletir sobre si mesmo e sobre os outros parte da desenvolvida consciência de quem nós somos (o nosso Eu). A identidade e o self são elementos fundamentais que constituem o ser humano, justamente por isso não surpreende  o crescente interesse de muitos estudiosos pelo tema.

Tópico 2 – O self e a História: A ideia de que cada um de nós possui um self é relativamente nova. Na sociedade medieval, a identidade era entendida de acordo com a posição social que o individuo ocupava e seus atributos variáveis (religião, família, local de nascimento, gênero etc.). no século XVI, começaram a acontecer mudanças no entendimento do self e da identidade em sua complexidade. Os autores destacam quatro fatores importantes para tal: a secularização, a industrialização, o iluminismo e a psicanálise (p.64).


Tópico 3 – O self psicodinâmico: Hogg e Vaugham destacam a visão de Freud que defende que só se pode conhecer a si mesmo de fato através da hipnose ou da psicanálise, pois nelas o individuo revela seus pensamentos reprimidos (p.65).

Tópico 4 – O self: “Eu” ou “Nós”?: Os autores questionam se o self é um fenômeno individual ou coletivo. A princípio muitos psicologos enxergavam o self como individual. Entretanto outros estudos de ciências sociais tem considerado o individuo em grupos ou comunidades e nesta perspectiva percebido uma identidade coletiva. Gradativamente teóricos do tema tem substituido o self individual pelo coletivo (exemplo a Teoria do Comportamento em Multidão) (p. 66). Em pesquisas mais recentes a noção de self coletivo tem sido elaborada através da teoria da identidade social, que se baseia na categorização do self, na comparação social e na construção da definição do eu compartilhada a partir das propriedades de definição em um grupo.

Tópico 5 – O self e a interação social: Neste tópico, os autores distinguem o self “I”, fluxo de consciência e o self “Me”, objeto de percepção. Para isto utilizam o conceito de Interacionismo Simbólico, fazendo referência a Mead como pesquisador. Este conceito entende que o self emerge influenciado pela interação social e é remodelado ao longo do tempo pelas influencias sociais. O interagir, efetivamente, seria atuar de acordo com o que o outro espera de você. Este entendimento reflexivo é possível porque o “I” é consciente do “Me” e deste modo o indivíduo pode se conhecer.
A interação humana acontece através de termos verbais e não-verbais que emitem e transmitem muito mais do que a pura ação. Para Mead, a união destes aspectos é que torna a interação simbólica. Durante este processo o indivíduo enxerga-se como os outros o veem, distanciando-se do sujeito social “I” e aproximando-se de um objeto social “Me”. Este self que é construído a partir do olhar do outro sobre nós mesmos é nomeado de self espelho (looking glass) (p.67). Por fim os autores verificam este conceito analisando os resultados de um estudo, realizado por Diane Tice, que envolve o self público e privado.

Tópico 6 – Auto-consciência:  Com base no estudo citado anteriormente, os autores abordam o self-awareness, que é o estado em que o indivíduo, consciente de que é um objeto, faz comparações entre como ele é e quem ele gostaria de ser. Utilizando esta teoria como base Charles Caver e Michael Scheir distinguem dois tipos de self conscientes: Self Privado (seu pensamento privado, sentimentos, atitudes) e Self Público (como outras pessoas te veem, sua imagem pública) (p.69).
A autoconsciência pode ser muito desconfortável, se agir com self privado pode nos levar a um comportamento de padrões internalizados e se sob o self público estamos orientados a uma apresentação de atitudes positivas para outros. Em contra partida está a desindividualização como estado contrário ao de autoconsciência.

Tópico 7 – Autoconhecimento: De acordo com os autores, o autoconhecimento é construído da mesma forma e através dos mesmos processos que nós construímos representações de outras pessoas. Para tanto é preciso seguir alguns etapas, cada uma delas com características especificas: esquemas de si, aprendizado sobre si, comparação social e autoconhecimento e regulação (p.70-73).


Tópico 8 – Muitos selves, identidades múltiplas: Neste tópico Hogg e Vaughan tratam sobre a gama de selves que o individuo pode formar a partir do entendimento de que existem duas categorias de identidade (social e pessoal). A identidade social define o self no que concerne o individuo como membro de um grupo, já a identidade pessoal entende o self em termos das características e relacionamentos idiossincráticos. Os autores distinguem três formas de self (individual, relacional e coletivo) e evidenciam a existência de múltiplos selves e a necessidade de manter a coerência e estabilidade no comportamento mesmo em diferentes contextos.


Tópico 9 – Motivos do self: Estudiosos da psicologia social identificaram três classes de motivos que influenciam a construção do eu e a busca por autoconhecimento: self-assessment (validar-se), self-verification (ser consistente) e self-enhancement (parecer bem). O self-assessment é o processo pelo qual buscamos novas informações sobre nós mesmos, a fim de descobrir que tipo de pessoa realmente somos. O self-verification é a procura por informações que confirmem o que já sabemos sobre nós mesmos. O self-enhancement é a motivação do individuo para desenvolver e promover uma imagem favorável de si mesmo. Em 1993, Constanine Sedikides descobriu através de experimentos que o self-enhancement tinha sua importância destacada para alcançar o autoconhecimento, ou seja o self constituído por uma imagem de aspectos positivos (p.75).

Tópico 10 – Auto-estima: Pesquisas sugerem que as pessoas tendem a pensar bem sobre si (exagerar seus pontos positivos) e esta é uma das questões para os autores neste tópico. Os indivíduos normalmente superestimam seus pontos positivos, superestimam seu controle sobre os eventos e são irrealmente otimistas a respeito de si. Estas três características do pensamento humano compõem o conceito self-enhancing triad desenvolvido por Sedikides e Gregg. Outro questionamento levantado é a cerca da busca pela autoestima, segundo os autores existem dois motivos para esta busca: o medo da morte e o sociometer, sendo a autoestima utilizada como uma medida do nível de inclusão a situações sociais.

Tópico 11 – Auto-apresentação: O tópico final trata de conceitos como auto-apresentação e gerenciamento de impressões trazendo como referencia o estudo desenvolvido pelo sociólogo Erving Goffman. Segundo os autores existiriam dois tipos de auto-apresentação (1) estratégica, manipular a percepção dos outros e (2) expressiva, construída a partir das atitudes do indivíduo. A auto-apresentação estratégica envolve o controle sobre o que é apresentado aos outros num monitoramento constante pensando que o público pode mudar, já a auto-apresentação expressiva aquilo que é transmitido a partir de suas ações faz parte da ideia que o individuo tem de si.

Questões - Aula 4


GOFFMAN, E. On Face-Work: an Analysis of Ritual Elements in Social Interaction. In: LAVER, J.; HUTCHESON, S. (eds.) Communication in face to face interaction. Baltimore: Penguin Books, 1972, p. 319-363.

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O texto aborda que a participação espontânea e a necessidade de sustentá – la são condições essenciais para que a interação social seja estabelecida, no qual, os membros aprende seus códigos, regras básicas de relacionamento através de um processo de negociação. Ideias que me fazem sugerir que não necessariamente tópicos objetivos e conceituais poderá definir de forma universal como se aplica as diversificadas formas de se estabelecer uma interação social, pois os conjuntos de vivências e representações experenciadas por um grupo podem apresentar variações que não contemplem tais descrições.

Os códigos sociais presentes em um contexto permite a construção de uma série de expectativas de comportamentos estabelecidos por meio de um consenso grupal. É notória a capacidade que nos adaptarmos a diferentes situações sociais e de nos comportarmos diferentemente em cada uma delas. A partir disso, é possível denominar um único ‘eu’, já que a realidade do sujeito pós - moderno é uma constante pluralidade de significados socialmente construídos?

Goffman, neste texto de 1972, analisa as interações humanas em detalhes a partir do conceito de face e de discussões acerca de relacionamentos sociais, os rituais envolvidos e as nuances positivas e negativas destes. Nota-se que sua argumentação ressalta a função de diversas ações humanas no sentido de estabelecer e manter interações. Por outro lado, assim como nos textos anteriores, há também muitas referências à "comportamentos não verbais", como sinais e gestos, como elementos importantes no processo de interação face a face. Uma questão que se mantém, portanto, écomo esses elementos da interação presencial podem ser entendidos nas relações humanas em ambiente digital. 

Outra questão relevante pode ir num sentido um pouco mais filosófico: o quão "natural" é a forma de interação humana descrita por Goffman? Se, segundo o autor: "Universal human nature is not a very human thing. By acquiring it, the person becomes a kind of construct, built up not from inner psychic propensities but from moral rules that are impressed upon him from without" (p. 345), será que se pode encarar as descrições acerca das interações humanas apresentadas neste texto como descrições genéricas que ajudam a entender qualquer tipo de relação em qualquer cultura e contexto?

Considerando as contribuições de Goffman em torno das interações humanas nas quais os indivíduos estão engajados na conversação, emerge uma questão relacionada a uma categoria de sujeito que neste texto não é contemplada: a do blasé. Neste sentido, para examinar o comportamento desta pessoa aparentemente indiferente à situação a sua volta, é necessário um outro aporte metodológico ou, por outro lado, as considerações do autor podem ser aplicadas? O conceito de "gerenciamento de impressão" deve ser pensado fora da intencionalidade deliberada de impressionar os outros atores? Ou, em contrapartida, a própria postura "away" deste indivíduo já se configura enquanto um movimento de impressão dos demais?

As medidas corretivas adotadas pelos atores durante a interação objetivam manter o fluxo deste processo. O que está em jogo sempre é a manutenção de um sistema que se nutre a partir da manutenção da situação social que se dá. No entanto, a adoção destas medidas pressupõe um compartilhamento de signos entre os atores. Supondo uma situação na qual os envolvidos na interação são de contextos distintos (incluindo aqui o próprio idioma - linguagem), como pensar a aplicabilidade das observações do autor americano? Poderíamos pensar em uma primazia das expressões "emitidas" em uma situação como esta?

O texto fala bastante sobre a importância da imagem, da linha de conduta que se estabelece os participantes de uma interação. E de como é fundamental estar atento a esta face mostrada. Qual a quantidade de esforço é necessária para estar frequentemente atento a isto? E quais seriam as possíveis vantagens de não estar tão atento? De preocupar-se menos com as imagens e mais com a interação em si? Seria realmente improvável, ou impossível, a interação caso essa imagem não fosse protegida por todos os participantes?

No tópico pseudo-conversações, o texto fala sobre interações que tem estruturas similares a uma conversação, mas não são uma interação verbal. Seria possível uma interação onde os dois participantes estão utilizando regras iguais, e falando de assuntos parecidos, mas sem realmente estarem conversando? É possível estar falando do mesmo assunto, frente a frente, seguindo regras similares e ainda assim não estar engajado em uma conversação? Se é possível, que tipo de interação seria essa?

Numa interação, onde os individuos estejam escrevendo ao invés de falando, podemos entender como uma forma mais facilitada de "administrar o uso das faces"?
As interações são compostas por rituais. Inclusive inicio e o fim. Nos chats online algumas vezes as pessoas simplesmente evadem das salas. Poderia ser considerado uma quebra na interação ou neste ambiente isso seria um final (despedida)?

Considerando as categorias básicas de elaboração de face propostas por Goffman, podemos afirmar que as situações sociais possuem um equilíbrio bastante frágil no que diz respeito à elaboração e manutenção da face? Se comparadas com as interações face a face, de que forma as interações sociais mediadas complexificam ainda mais este equilíbrio?

Em uma situação, tal como, uma entrevista de emprego é possível pressupor uma interação baseada em uma atitude mais protetora de face por parte do entrevistado e mais agressiva por parte do entrevistador?  De que forma um encontro social como este, com papéis bem definidos,  pode tornar a interação previsível?
  
Quando a fachada é desestruturada, é possível que o indivíduo busque alternativas para que esta seja reorganizada?

O fato do indivíduo se engajar em outras atividades pode dificultar o foco nas interações sociais mediadas?

O autor afirma que em uma situação onde exista uma interação entre pessoas se desenvolve a experiência individual de cada sujeito. A articulação entre eles, as influências recíprocas e a avaliação do contexto onde essas relações acontecem são necessárias para definir a conduta mais adequada para um determinado tipo de situação e espaço. Qual o lugar da individualidade do sujeito nas interações face a face?

No decorrer do texto, Goffman demonstra que a interação é limitada por regras, e que estas operam de forma pré-estabelecida na maneira como o indivíduo se comporta.  Com isso, é possível afirmar que não existem formas espontâneas de se relacionar?
  
Problematizando a questão da “realidade” no contexto de ambientes digitais, pode-se afirmar que há diferenças entre a realidade nos ambientes digitais e fora destes  (in real life) em relação à identidade apresentada pelos sujeitos?

Tomando como pressuposto o conceito de “face” que o define como valores positivos os quais uma pessoa reivindica para si, e consequentementeassumidos pelos outros durante um encontro; como se pode associá-lo aos níveis de responsabilidade que um sujeito possui em relação aos danos que o “face” pode criar?

De que maneira o facework se aproxima do conceito de regulação emocional? Pareceu-me semelhante, sobretudo quando o autor aborda a gestão da expressão facial não necessariamente conectada com o bem estar real.

O autor parece generalizar condutas nas situações sociais, deduzindo padrões de reação em determinados contextos, como se houvesse um protocolo de ação. No entanto não traz dados empíricos na argumentação. Já são dados exaustivamente comprovados ou trata-se de um texto apenas teórico?

Fiquei com a impressão de que o autor parte do pressuposto de que as interações face a face são ameaçadoras, trazendo a todo momento iminentes riscos de desconforto, embate, rompimento. Mas sempre quando um dos interatores “fugir” ao acordo/contrato da relação o impacto será negativo (lose face)?