FICHAMENTO:
HOGG, Michael A.; VAUGHAN, Graham M. Essentials of social psychology. Published Harlow : Pearson Education. 2010 (p. 64 - 90)
Por Karla Freitas
Sobre os autores:
Michael Hogg é
professor de psicologia social na Claremont Graduate University. Também é
professor honorário de psicologia na Universidade de Kent e da Universidade de
Queensland. Além disso, é membro da Association for Psychological Science, da
Sociedade de Psicologia da Personalidade e Social, a Sociedade para o Estudo
Psicológico de Assuntos Sociais, da Sociedade de Psicologia Social
Experimental, a Associação Ocidental de Psicologia, e da Academia de Ciências
Sociais na Austrália . Ele é membro do comitê executivo da Sociedade de
Psicologia Social Experimental (vice-presidente em 2012 e presidente em 2013).
Graham Vaugham é professor de psicologia da University of Auckland e já fez
parte de outras instituições como Bristol University, Cambridge University,
University of Illinois, Princeton University e National University of
Singapore.
Objetivos do capítulo: “Self,
Identidade e Sociedade” é o terceiro capítulo da obra Essentials of Social
Psychology e tem como foco principal explanar sobre o conceito de self e
identidade.
Argumentação Central: Hogg e Vaugham tratam sobre a diferenciação dos
conceitos de self e identidade e aborda o conceito de self, suas inúmeras
variações, a sua construção histórica e de que forma está inserido nas
interações sociais, no comportamento e no pensamento da sociedade.
Tópico 1 - Introdução: Os
autores tratam o self (Eu) e a identidade como elementos influenciadores da
interação social, da existência social e da percepção. Hogg e Vaugham afirmam
que a interação social depende das pessoas conhecerem quem elas são e quem os
outros são. Ter conhecimento sobre nossa identidade regula e estrutura como
interagimos uns com os outros. A capacidade do ser humano de refletir sobre si
mesmo e sobre os outros parte da desenvolvida consciência de quem nós somos (o
nosso Eu). A identidade e o self são elementos fundamentais que constituem o
ser humano, justamente por isso não surpreende
o crescente interesse de muitos estudiosos pelo tema.
Tópico 2 –
O self e a História: A ideia de que
cada um de nós possui um self é relativamente nova. Na sociedade medieval, a
identidade era entendida de acordo com a posição social que o individuo ocupava
e seus atributos variáveis (religião, família, local de nascimento, gênero etc.).
no século XVI, começaram a acontecer mudanças no entendimento do self e da
identidade em sua complexidade. Os autores destacam quatro fatores importantes
para tal: a secularização, a industrialização, o iluminismo e a psicanálise
(p.64).
Tópico 3 – O self psicodinâmico: Hogg e
Vaugham destacam a visão de Freud que defende que só se pode conhecer a si
mesmo de fato através da hipnose ou da psicanálise, pois nelas o individuo
revela seus pensamentos reprimidos (p.65).
Tópico 4 – O self: “Eu” ou “Nós”?:
Os
autores questionam se o self é um fenômeno individual ou coletivo. A princípio
muitos psicologos enxergavam o self como individual. Entretanto outros estudos
de ciências sociais tem considerado o individuo em grupos ou comunidades e
nesta perspectiva percebido uma identidade coletiva. Gradativamente teóricos do
tema tem substituido o self individual pelo coletivo (exemplo a Teoria do
Comportamento em Multidão) (p. 66). Em pesquisas mais recentes a noção de self
coletivo tem sido elaborada através da teoria da identidade social, que se
baseia na categorização do self, na comparação social e na construção da
definição do eu compartilhada a partir das propriedades de definição em um
grupo.
Tópico 5 – O self e a interação
social: Neste tópico, os autores distinguem o self “I”, fluxo de consciência e o
self “Me”, objeto de percepção. Para isto utilizam o conceito de Interacionismo
Simbólico, fazendo referência a Mead como pesquisador. Este conceito entende
que o self emerge influenciado pela interação social e é remodelado ao longo do
tempo pelas influencias sociais. O interagir, efetivamente, seria atuar de
acordo com o que o outro espera de você. Este entendimento reflexivo é possível
porque o “I” é consciente do “Me” e deste modo o indivíduo pode se conhecer.
A interação humana acontece através
de termos verbais e não-verbais que emitem e transmitem muito mais do que a
pura ação. Para Mead, a união destes aspectos é que torna a interação
simbólica. Durante este processo o indivíduo enxerga-se como os outros o veem,
distanciando-se do sujeito social “I” e aproximando-se de um objeto social
“Me”. Este self que é construído a partir do olhar do outro sobre nós mesmos é
nomeado de self espelho (looking glass) (p.67). Por fim os autores verificam
este conceito analisando os resultados de um estudo, realizado por Diane Tice,
que envolve o self público e privado.
Tópico 6 – Auto-consciência: Com base no estudo citado
anteriormente, os autores abordam o self-awareness, que é o estado em que o
indivíduo, consciente de que é um objeto, faz comparações entre como ele é e
quem ele gostaria de ser. Utilizando esta teoria como base Charles Caver e
Michael Scheir distinguem dois tipos de self conscientes: Self Privado (seu pensamento
privado, sentimentos, atitudes) e Self Público (como outras pessoas te veem,
sua imagem pública) (p.69).
A autoconsciência pode ser muito
desconfortável, se agir com self privado pode nos levar a um comportamento de
padrões internalizados e se sob o self público estamos orientados a uma
apresentação de atitudes positivas para outros. Em contra partida está a
desindividualização como estado contrário ao de autoconsciência.
Tópico 7 – Autoconhecimento: De acordo
com os autores, o autoconhecimento é construído da mesma forma e através dos
mesmos processos que nós construímos representações de outras pessoas. Para
tanto é preciso seguir alguns etapas, cada uma delas com características
especificas: esquemas de si, aprendizado sobre si, comparação social e
autoconhecimento e regulação (p.70-73).
Tópico 8 – Muitos selves,
identidades múltiplas: Neste tópico Hogg e Vaughan tratam sobre a gama de
selves que o individuo pode formar a partir do entendimento de que existem duas
categorias de identidade (social e pessoal). A identidade social define o self
no que concerne o individuo como membro de um grupo, já a identidade pessoal
entende o self em termos das características e relacionamentos
idiossincráticos. Os autores distinguem três formas de self (individual,
relacional e coletivo) e evidenciam a existência de múltiplos selves e a
necessidade de manter a coerência e estabilidade no comportamento mesmo em
diferentes contextos.
Tópico 9 – Motivos do self: Estudiosos
da psicologia social identificaram três classes de motivos que influenciam a
construção do eu e a busca por autoconhecimento: self-assessment (validar-se),
self-verification (ser consistente) e self-enhancement (parecer bem). O
self-assessment é o processo pelo qual buscamos novas informações sobre nós
mesmos, a fim de descobrir que tipo de pessoa realmente somos. O
self-verification é a procura por informações que confirmem o que já sabemos
sobre nós mesmos. O self-enhancement é a motivação do individuo para
desenvolver e promover uma imagem favorável de si mesmo. Em 1993, Constanine
Sedikides descobriu através de experimentos que o self-enhancement tinha sua
importância destacada para alcançar o autoconhecimento, ou seja o self
constituído por uma imagem de aspectos positivos (p.75).
Tópico 10 – Auto-estima: Pesquisas
sugerem que as pessoas tendem a pensar bem sobre si (exagerar seus pontos
positivos) e esta é uma das questões para os autores neste tópico. Os
indivíduos normalmente superestimam seus pontos positivos, superestimam seu
controle sobre os eventos e são irrealmente otimistas a respeito de si. Estas
três características do pensamento humano compõem o conceito self-enhancing
triad desenvolvido por Sedikides e Gregg. Outro questionamento levantado é a
cerca da busca pela autoestima, segundo os autores existem dois motivos para
esta busca: o medo da morte e o sociometer, sendo a autoestima utilizada como
uma medida do nível de inclusão a situações sociais.
Tópico 11 – Auto-apresentação: O tópico
final trata de conceitos como auto-apresentação e gerenciamento de impressões
trazendo como referencia o estudo desenvolvido pelo sociólogo Erving Goffman.
Segundo os autores existiriam dois tipos de auto-apresentação (1) estratégica,
manipular a percepção dos outros e (2) expressiva, construída a partir das atitudes
do indivíduo. A auto-apresentação estratégica envolve o controle sobre o que é
apresentado aos outros num monitoramento constante pensando que o público pode
mudar, já a auto-apresentação expressiva aquilo que é transmitido a partir de
suas ações faz parte da ideia que o individuo tem de si.
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