quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Fichamento - Aulas 5 e 6



FICHAMENTO:
HOGG, Michael A.; VAUGHAN, Graham M. Essentials of social psychology. Published Harlow : Pearson Education. 2010 (p. 64 - 90)

Por Karla Freitas


Sobre os autores:
Michael Hogg é professor de psicologia social na Claremont Graduate University. Também é professor honorário de psicologia na Universidade de Kent e da Universidade de Queensland. Além disso, é membro da Association for Psychological Science, da Sociedade de Psicologia da Personalidade e Social, a Sociedade para o Estudo Psicológico de Assuntos Sociais, da Sociedade de Psicologia Social Experimental, a Associação Ocidental de Psicologia, e da Academia de Ciências Sociais na Austrália . Ele é membro do comitê executivo da Sociedade de Psicologia Social Experimental (vice-presidente em 2012 e presidente em 2013). Graham Vaugham é professor de psicologia da University of Auckland e já fez parte de outras instituições como Bristol University, Cambridge University, University of Illinois, Princeton University e National University of Singapore.

Objetivos do capítulo: “Self, Identidade e Sociedade” é o terceiro capítulo da obra Essentials of Social Psychology e tem como foco principal explanar sobre o conceito de self e identidade.

Argumentação Central: Hogg e Vaugham tratam sobre a diferenciação dos conceitos de self e identidade e aborda o conceito de self, suas inúmeras variações, a sua construção histórica e de que forma está inserido nas interações sociais, no comportamento e no pensamento da sociedade.


Tópico 1 - Introdução: Os autores tratam o self (Eu) e a identidade como elementos influenciadores da interação social, da existência social e da percepção. Hogg e Vaugham afirmam que a interação social depende das pessoas conhecerem quem elas são e quem os outros são. Ter conhecimento sobre nossa identidade regula e estrutura como interagimos uns com os outros. A capacidade do ser humano de refletir sobre si mesmo e sobre os outros parte da desenvolvida consciência de quem nós somos (o nosso Eu). A identidade e o self são elementos fundamentais que constituem o ser humano, justamente por isso não surpreende  o crescente interesse de muitos estudiosos pelo tema.

Tópico 2 – O self e a História: A ideia de que cada um de nós possui um self é relativamente nova. Na sociedade medieval, a identidade era entendida de acordo com a posição social que o individuo ocupava e seus atributos variáveis (religião, família, local de nascimento, gênero etc.). no século XVI, começaram a acontecer mudanças no entendimento do self e da identidade em sua complexidade. Os autores destacam quatro fatores importantes para tal: a secularização, a industrialização, o iluminismo e a psicanálise (p.64).


Tópico 3 – O self psicodinâmico: Hogg e Vaugham destacam a visão de Freud que defende que só se pode conhecer a si mesmo de fato através da hipnose ou da psicanálise, pois nelas o individuo revela seus pensamentos reprimidos (p.65).

Tópico 4 – O self: “Eu” ou “Nós”?: Os autores questionam se o self é um fenômeno individual ou coletivo. A princípio muitos psicologos enxergavam o self como individual. Entretanto outros estudos de ciências sociais tem considerado o individuo em grupos ou comunidades e nesta perspectiva percebido uma identidade coletiva. Gradativamente teóricos do tema tem substituido o self individual pelo coletivo (exemplo a Teoria do Comportamento em Multidão) (p. 66). Em pesquisas mais recentes a noção de self coletivo tem sido elaborada através da teoria da identidade social, que se baseia na categorização do self, na comparação social e na construção da definição do eu compartilhada a partir das propriedades de definição em um grupo.

Tópico 5 – O self e a interação social: Neste tópico, os autores distinguem o self “I”, fluxo de consciência e o self “Me”, objeto de percepção. Para isto utilizam o conceito de Interacionismo Simbólico, fazendo referência a Mead como pesquisador. Este conceito entende que o self emerge influenciado pela interação social e é remodelado ao longo do tempo pelas influencias sociais. O interagir, efetivamente, seria atuar de acordo com o que o outro espera de você. Este entendimento reflexivo é possível porque o “I” é consciente do “Me” e deste modo o indivíduo pode se conhecer.
A interação humana acontece através de termos verbais e não-verbais que emitem e transmitem muito mais do que a pura ação. Para Mead, a união destes aspectos é que torna a interação simbólica. Durante este processo o indivíduo enxerga-se como os outros o veem, distanciando-se do sujeito social “I” e aproximando-se de um objeto social “Me”. Este self que é construído a partir do olhar do outro sobre nós mesmos é nomeado de self espelho (looking glass) (p.67). Por fim os autores verificam este conceito analisando os resultados de um estudo, realizado por Diane Tice, que envolve o self público e privado.

Tópico 6 – Auto-consciência:  Com base no estudo citado anteriormente, os autores abordam o self-awareness, que é o estado em que o indivíduo, consciente de que é um objeto, faz comparações entre como ele é e quem ele gostaria de ser. Utilizando esta teoria como base Charles Caver e Michael Scheir distinguem dois tipos de self conscientes: Self Privado (seu pensamento privado, sentimentos, atitudes) e Self Público (como outras pessoas te veem, sua imagem pública) (p.69).
A autoconsciência pode ser muito desconfortável, se agir com self privado pode nos levar a um comportamento de padrões internalizados e se sob o self público estamos orientados a uma apresentação de atitudes positivas para outros. Em contra partida está a desindividualização como estado contrário ao de autoconsciência.

Tópico 7 – Autoconhecimento: De acordo com os autores, o autoconhecimento é construído da mesma forma e através dos mesmos processos que nós construímos representações de outras pessoas. Para tanto é preciso seguir alguns etapas, cada uma delas com características especificas: esquemas de si, aprendizado sobre si, comparação social e autoconhecimento e regulação (p.70-73).


Tópico 8 – Muitos selves, identidades múltiplas: Neste tópico Hogg e Vaughan tratam sobre a gama de selves que o individuo pode formar a partir do entendimento de que existem duas categorias de identidade (social e pessoal). A identidade social define o self no que concerne o individuo como membro de um grupo, já a identidade pessoal entende o self em termos das características e relacionamentos idiossincráticos. Os autores distinguem três formas de self (individual, relacional e coletivo) e evidenciam a existência de múltiplos selves e a necessidade de manter a coerência e estabilidade no comportamento mesmo em diferentes contextos.


Tópico 9 – Motivos do self: Estudiosos da psicologia social identificaram três classes de motivos que influenciam a construção do eu e a busca por autoconhecimento: self-assessment (validar-se), self-verification (ser consistente) e self-enhancement (parecer bem). O self-assessment é o processo pelo qual buscamos novas informações sobre nós mesmos, a fim de descobrir que tipo de pessoa realmente somos. O self-verification é a procura por informações que confirmem o que já sabemos sobre nós mesmos. O self-enhancement é a motivação do individuo para desenvolver e promover uma imagem favorável de si mesmo. Em 1993, Constanine Sedikides descobriu através de experimentos que o self-enhancement tinha sua importância destacada para alcançar o autoconhecimento, ou seja o self constituído por uma imagem de aspectos positivos (p.75).

Tópico 10 – Auto-estima: Pesquisas sugerem que as pessoas tendem a pensar bem sobre si (exagerar seus pontos positivos) e esta é uma das questões para os autores neste tópico. Os indivíduos normalmente superestimam seus pontos positivos, superestimam seu controle sobre os eventos e são irrealmente otimistas a respeito de si. Estas três características do pensamento humano compõem o conceito self-enhancing triad desenvolvido por Sedikides e Gregg. Outro questionamento levantado é a cerca da busca pela autoestima, segundo os autores existem dois motivos para esta busca: o medo da morte e o sociometer, sendo a autoestima utilizada como uma medida do nível de inclusão a situações sociais.

Tópico 11 – Auto-apresentação: O tópico final trata de conceitos como auto-apresentação e gerenciamento de impressões trazendo como referencia o estudo desenvolvido pelo sociólogo Erving Goffman. Segundo os autores existiriam dois tipos de auto-apresentação (1) estratégica, manipular a percepção dos outros e (2) expressiva, construída a partir das atitudes do indivíduo. A auto-apresentação estratégica envolve o controle sobre o que é apresentado aos outros num monitoramento constante pensando que o público pode mudar, já a auto-apresentação expressiva aquilo que é transmitido a partir de suas ações faz parte da ideia que o individuo tem de si.

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