quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Questões - Aula 7

Relacionadas ao texto:

BURKITT, Ian. Social Selves - Theories of Self and Society. SAGE Publications Inc. Thousand Oaks, California, 2008.

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Segundo o autor, devido às constantes mudanças na sociedade e, especialmente, com as consequências das chamadas “novas tecnologias”, o self está em constante mudança. Levando em conta este pensamento, as novas tecnologias proporcionariam novos espaços de experimentação, auto-conhecimento, desenvolvimento do self, vivências e relações, ou apenas geram uma alienação capitalista, visando o consumo de tecnologias perecíveis? 

Tomando por base a ideia de “relações líquidas” de Bauman, como tais relações se dão atualmente nos ambientes digitais: líquidas ou sólidas? Como poderíamos explicar então o desenvolvimento de relações profundas e consistentes formadas nestes ambientes? 

As tecnologias de saturação social acabam por aumentar a intimidade entre desconhecidos. O envio de “beijos”, “abraços” às pessoas não próximas é uma prática comum em ambientes digitais, mas essa intimidade é levada para as interações face-a-face? 

Um individuo nativo digital fará distinções desses dois níveis de intimidade (mediada e fa a face)?

Burkitt afirma que na contemporaneidade possuímos uma relação cada vez mais global do que local. No entanto, questiono quais tipos de interação temos construído, pois apesar das redes sociais serem uma zona de atração e o lugar de um encontro coletivo, tenho uma impressão que há uma tendência para “ ausência de laços”, que estamos sendo socializados para o isolamento.

No texto é relatada a positividade de obter múltiplas identidades, pois podemos refazê – las de acordo com as circunstâncias sociais que nos cercam. Olhando por outra ótica, essas possibilidades de “mutações identitárias” que estamos inseridos, poderia nos levar futuramente falta de sentido para a existência?

A dificuldade em tomar decisões acerca de quem se é, ou de quem deve se tornar, ou das ações que se deve tomar, descrita pelo autor como frequente na modernidade líquida, é um fator relevante na análise de como as pessoas produzem suas apresentações em ambientes digitais?

Será que a vasta gama de possibilidades disponíveis atualmente, as quais parecem gerar ansiedade nas pessoas (ainda que indiretamente), produzem as condições nas quais ter o poder de criar identidades virtuais "diferentes", ou que atendam a mais possibilidades do que aquelas de fato realizadas no "mundo real", funciona como uma maneira eficaz de lidar com a liquidez moderna (potencialmente ansiogênica)?

A partir da discussão levantada por Adams e Guidens sobre a relação entre reflexão e classe social, entendi que eles acreditam que há influência de um sobre o outro e que os acessos a recursos materiais e o pertencimento a determinado grupo social e econômico permitirá "mais reflexão" ou "reflexão de formas diferentes". Embora concorde que o acesso a informação/educação, ao capital e ambientes de relação trazem limites às nossas possibilidades de compreensão e de construção do nosso eu, porém achei que vai de encontro à perspectiva da pós-modernidade como ampliadora das possibilidades de transformação, de acesso às informações e às relações e transposição das fronteiras inclusive entre classes, tão mais bem delimitadas e duradouras no passado.

Giddens fala que os locais estão perdendo a importância central na estrutura das relações e nas ações sociais, considerando os meios de comunicação e as tecnologias para além do tempo e espaço as quais temos acesso hoje. Mas será que o homem passou a prescindir dessas delimitações de "onde estamos", "quais são os códigos e as regras aqui", a partir do momento que são criados novos "ambientes para se relacionar"? Será que não transpomos essa idéia de local para além do ambiente físico? Até que ponto ele afirmar que somos hoje mais globais que locais não se trata na veradade de uma ampliação dos limites do local, já que vemos tudo a partir da perspectiva local da qual disponibilizamos?

No decorrer do texto, o autor pontua que é o indivíduo pode construir suas relações interpessoais em lugares “reais” e que isso não é possível quando ocorre em ambientes digitais. Ou seja, as interações sociais estabelecidas na Internet, as possibilidades de contato com pessoas de diferentes lugares do mundo não contam como uma forma de relação?

Na contemporaneidade, a sobrevivência do self pode estar relacionada aos indivíduos que conseguem se adaptar rapidamente a diferentes situações, já que para nos relacionarmos precisamos manter as nossas características e ao mesmo tempo estarmos preparados para novas formas de mudança

A internet e as redes sociais são costumeiramente entendidas como espaços que permitem a expressão de uma maior liberdade e uma maior flexibilização na construção de nossas identidades (criação de diferentes perfis, edição cuidadosa de informações, perfis fakes, etc). No entanto, esta noção não menospreza uma realidade de intensa vigilância, na qual nossos perfis e construções identitárias acabam se engessando por estarem sob o constante risco de um "desmascaramento público?

De que forma episódios punitivos, tais como, perseguições e humilhações públicas podem afetar as construções identitárias em ambientes online? 



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