GOFFMAN, E. On Face-Work: an Analysis of
Ritual Elements in Social Interaction. In: LAVER, J.; HUTCHESON, S. (eds.) Communication
in face to face interaction. Baltimore:
Penguin Books, 1972, p. 319-363.
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O
texto aborda que a participação espontânea e a necessidade de sustentá – la são
condições essenciais para que a interação social seja estabelecida, no qual, os
membros aprende seus códigos, regras básicas de relacionamento através de um
processo de negociação. Ideias que me fazem sugerir que não necessariamente
tópicos objetivos e conceituais poderá definir de forma universal como se
aplica as diversificadas formas de se estabelecer uma interação social, pois os
conjuntos de vivências e representações experenciadas por um grupo podem
apresentar variações que não contemplem tais descrições.
Os
códigos sociais presentes em um contexto permite a construção de uma série de
expectativas de comportamentos estabelecidos por meio de um consenso grupal. É
notória a capacidade que nos adaptarmos a diferentes situações sociais e de nos
comportarmos diferentemente em cada uma delas. A partir disso, é possível
denominar um único ‘eu’, já que a realidade do sujeito pós - moderno é uma
constante pluralidade de significados socialmente construídos?
Goffman,
neste texto de 1972, analisa as interações humanas em detalhes a partir do
conceito de face e de discussões acerca de relacionamentos sociais,
os rituais envolvidos e as nuances positivas e negativas destes. Nota-se que
sua argumentação ressalta a função de diversas ações humanas no sentido de
estabelecer e manter interações. Por outro lado, assim como nos textos
anteriores, há também muitas referências à "comportamentos não
verbais", como sinais e gestos, como elementos importantes no processo de
interação face a face. Uma questão que se mantém, portanto, écomo esses
elementos da interação presencial podem ser entendidos nas relações humanas em
ambiente digital.
Outra
questão relevante pode ir num sentido um pouco mais filosófico: o quão
"natural" é a forma de interação humana descrita por Goffman? Se,
segundo o autor: "Universal human nature is not a very human thing. By
acquiring it, the person becomes a kind of construct, built up not from inner
psychic propensities but from moral rules that are impressed upon him from
without" (p. 345), será que se pode encarar as descrições acerca das
interações humanas apresentadas neste texto como descrições genéricas que
ajudam a entender qualquer tipo de relação em qualquer cultura e contexto?
Considerando
as contribuições de Goffman em torno das interações humanas nas quais os
indivíduos estão engajados na conversação, emerge uma questão relacionada a uma
categoria de sujeito que neste texto não é contemplada: a do blasé. Neste
sentido, para examinar o comportamento desta pessoa aparentemente indiferente à
situação a sua volta, é necessário um outro aporte metodológico ou, por outro
lado, as considerações do autor podem ser aplicadas? O conceito de
"gerenciamento de impressão" deve ser pensado fora da
intencionalidade deliberada de impressionar os outros atores? Ou, em
contrapartida, a própria postura "away" deste indivíduo já se
configura enquanto um movimento de impressão dos demais?
As
medidas corretivas adotadas pelos atores durante a interação objetivam manter o
fluxo deste processo. O que está em jogo sempre é a manutenção de um sistema
que se nutre a partir da manutenção da situação social que se dá. No entanto, a
adoção destas medidas pressupõe um compartilhamento de signos entre os atores.
Supondo uma situação na qual os envolvidos na interação são de contextos
distintos (incluindo aqui o próprio idioma - linguagem), como pensar a
aplicabilidade das observações do autor americano? Poderíamos pensar em uma
primazia das expressões "emitidas" em uma situação como esta?
O
texto fala bastante sobre a importância da imagem, da linha de conduta que se
estabelece os participantes de uma interação. E de como é fundamental estar
atento a esta face mostrada. Qual a quantidade de esforço é necessária para
estar frequentemente atento a isto? E quais seriam as possíveis vantagens de
não estar tão atento? De preocupar-se menos com as imagens e mais com a
interação em si? Seria realmente improvável, ou impossível, a interação caso
essa imagem não fosse protegida por todos os participantes?
No
tópico pseudo-conversações, o texto fala sobre interações que tem estruturas
similares a uma conversação, mas não são uma interação verbal. Seria possível
uma interação onde os dois participantes estão utilizando regras iguais, e
falando de assuntos parecidos, mas sem realmente estarem conversando? É
possível estar falando do mesmo assunto, frente a frente, seguindo regras
similares e ainda assim não estar engajado em uma conversação? Se é possível,
que tipo de interação seria essa?
Numa
interação, onde os individuos estejam escrevendo ao invés de falando, podemos
entender como uma forma mais facilitada de "administrar o uso
das faces"?
As
interações são compostas por rituais. Inclusive inicio e o fim. Nos chats
online algumas vezes as pessoas simplesmente evadem das salas. Poderia ser
considerado uma quebra na interação ou neste ambiente isso seria um final
(despedida)?
Considerando
as categorias básicas de elaboração de face propostas por Goffman, podemos
afirmar que as situações sociais possuem um equilíbrio bastante frágil no que
diz respeito à elaboração e manutenção da face? Se comparadas com as interações
face a face, de que forma as interações sociais mediadas complexificam ainda
mais este equilíbrio?
Em
uma situação, tal como, uma entrevista de emprego é possível pressupor uma
interação baseada em uma atitude mais protetora de face por parte do
entrevistado e mais agressiva por parte do entrevistador? De que
forma um encontro social como este, com papéis bem definidos, pode
tornar a interação previsível?
Quando
a fachada é desestruturada, é possível que o indivíduo busque alternativas para
que esta seja reorganizada?
O
fato do indivíduo se engajar em outras atividades pode dificultar o foco nas
interações sociais mediadas?
O
autor afirma que em uma situação onde exista uma interação entre pessoas se
desenvolve a experiência individual de cada sujeito. A articulação entre eles,
as influências recíprocas e a avaliação do contexto onde essas relações
acontecem são necessárias para definir a conduta mais adequada para um
determinado tipo de situação e espaço. Qual o lugar da individualidade do
sujeito nas interações face a face?
No
decorrer do texto, Goffman demonstra que a interação é limitada por regras, e
que estas operam de forma pré-estabelecida na maneira como o indivíduo se
comporta. Com isso, é possível afirmar que não existem formas
espontâneas de se relacionar?
Problematizando
a questão da “realidade” no contexto de ambientes digitais, pode-se afirmar que
há diferenças entre a realidade nos ambientes digitais e fora destes (in
real life) em relação à identidade apresentada pelos sujeitos?
Tomando
como pressuposto o conceito de “face” que o define como valores positivos os
quais uma pessoa reivindica para si, e consequentementeassumidos pelos outros
durante um encontro; como se pode associá-lo aos níveis de responsabilidade que
um sujeito possui em relação aos danos que o “face” pode criar?
De
que maneira o facework se aproxima do conceito de regulação emocional?
Pareceu-me semelhante, sobretudo quando o autor aborda a gestão da expressão
facial não necessariamente conectada com o bem estar real.
O
autor parece generalizar condutas nas situações sociais, deduzindo padrões de
reação em determinados contextos, como se houvesse um protocolo de ação. No
entanto não traz dados empíricos na argumentação. Já são dados exaustivamente
comprovados ou trata-se de um texto apenas teórico?
Fiquei
com a impressão de que o autor parte do pressuposto de que as interações face a
face são ameaçadoras, trazendo a todo momento iminentes riscos de desconforto,
embate, rompimento. Mas sempre quando um dos interatores “fugir” ao
acordo/contrato da relação o impacto será negativo (lose face)?
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