quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Questões - Aula 4


GOFFMAN, E. On Face-Work: an Analysis of Ritual Elements in Social Interaction. In: LAVER, J.; HUTCHESON, S. (eds.) Communication in face to face interaction. Baltimore: Penguin Books, 1972, p. 319-363.

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O texto aborda que a participação espontânea e a necessidade de sustentá – la são condições essenciais para que a interação social seja estabelecida, no qual, os membros aprende seus códigos, regras básicas de relacionamento através de um processo de negociação. Ideias que me fazem sugerir que não necessariamente tópicos objetivos e conceituais poderá definir de forma universal como se aplica as diversificadas formas de se estabelecer uma interação social, pois os conjuntos de vivências e representações experenciadas por um grupo podem apresentar variações que não contemplem tais descrições.

Os códigos sociais presentes em um contexto permite a construção de uma série de expectativas de comportamentos estabelecidos por meio de um consenso grupal. É notória a capacidade que nos adaptarmos a diferentes situações sociais e de nos comportarmos diferentemente em cada uma delas. A partir disso, é possível denominar um único ‘eu’, já que a realidade do sujeito pós - moderno é uma constante pluralidade de significados socialmente construídos?

Goffman, neste texto de 1972, analisa as interações humanas em detalhes a partir do conceito de face e de discussões acerca de relacionamentos sociais, os rituais envolvidos e as nuances positivas e negativas destes. Nota-se que sua argumentação ressalta a função de diversas ações humanas no sentido de estabelecer e manter interações. Por outro lado, assim como nos textos anteriores, há também muitas referências à "comportamentos não verbais", como sinais e gestos, como elementos importantes no processo de interação face a face. Uma questão que se mantém, portanto, écomo esses elementos da interação presencial podem ser entendidos nas relações humanas em ambiente digital. 

Outra questão relevante pode ir num sentido um pouco mais filosófico: o quão "natural" é a forma de interação humana descrita por Goffman? Se, segundo o autor: "Universal human nature is not a very human thing. By acquiring it, the person becomes a kind of construct, built up not from inner psychic propensities but from moral rules that are impressed upon him from without" (p. 345), será que se pode encarar as descrições acerca das interações humanas apresentadas neste texto como descrições genéricas que ajudam a entender qualquer tipo de relação em qualquer cultura e contexto?

Considerando as contribuições de Goffman em torno das interações humanas nas quais os indivíduos estão engajados na conversação, emerge uma questão relacionada a uma categoria de sujeito que neste texto não é contemplada: a do blasé. Neste sentido, para examinar o comportamento desta pessoa aparentemente indiferente à situação a sua volta, é necessário um outro aporte metodológico ou, por outro lado, as considerações do autor podem ser aplicadas? O conceito de "gerenciamento de impressão" deve ser pensado fora da intencionalidade deliberada de impressionar os outros atores? Ou, em contrapartida, a própria postura "away" deste indivíduo já se configura enquanto um movimento de impressão dos demais?

As medidas corretivas adotadas pelos atores durante a interação objetivam manter o fluxo deste processo. O que está em jogo sempre é a manutenção de um sistema que se nutre a partir da manutenção da situação social que se dá. No entanto, a adoção destas medidas pressupõe um compartilhamento de signos entre os atores. Supondo uma situação na qual os envolvidos na interação são de contextos distintos (incluindo aqui o próprio idioma - linguagem), como pensar a aplicabilidade das observações do autor americano? Poderíamos pensar em uma primazia das expressões "emitidas" em uma situação como esta?

O texto fala bastante sobre a importância da imagem, da linha de conduta que se estabelece os participantes de uma interação. E de como é fundamental estar atento a esta face mostrada. Qual a quantidade de esforço é necessária para estar frequentemente atento a isto? E quais seriam as possíveis vantagens de não estar tão atento? De preocupar-se menos com as imagens e mais com a interação em si? Seria realmente improvável, ou impossível, a interação caso essa imagem não fosse protegida por todos os participantes?

No tópico pseudo-conversações, o texto fala sobre interações que tem estruturas similares a uma conversação, mas não são uma interação verbal. Seria possível uma interação onde os dois participantes estão utilizando regras iguais, e falando de assuntos parecidos, mas sem realmente estarem conversando? É possível estar falando do mesmo assunto, frente a frente, seguindo regras similares e ainda assim não estar engajado em uma conversação? Se é possível, que tipo de interação seria essa?

Numa interação, onde os individuos estejam escrevendo ao invés de falando, podemos entender como uma forma mais facilitada de "administrar o uso das faces"?
As interações são compostas por rituais. Inclusive inicio e o fim. Nos chats online algumas vezes as pessoas simplesmente evadem das salas. Poderia ser considerado uma quebra na interação ou neste ambiente isso seria um final (despedida)?

Considerando as categorias básicas de elaboração de face propostas por Goffman, podemos afirmar que as situações sociais possuem um equilíbrio bastante frágil no que diz respeito à elaboração e manutenção da face? Se comparadas com as interações face a face, de que forma as interações sociais mediadas complexificam ainda mais este equilíbrio?

Em uma situação, tal como, uma entrevista de emprego é possível pressupor uma interação baseada em uma atitude mais protetora de face por parte do entrevistado e mais agressiva por parte do entrevistador?  De que forma um encontro social como este, com papéis bem definidos,  pode tornar a interação previsível?
  
Quando a fachada é desestruturada, é possível que o indivíduo busque alternativas para que esta seja reorganizada?

O fato do indivíduo se engajar em outras atividades pode dificultar o foco nas interações sociais mediadas?

O autor afirma que em uma situação onde exista uma interação entre pessoas se desenvolve a experiência individual de cada sujeito. A articulação entre eles, as influências recíprocas e a avaliação do contexto onde essas relações acontecem são necessárias para definir a conduta mais adequada para um determinado tipo de situação e espaço. Qual o lugar da individualidade do sujeito nas interações face a face?

No decorrer do texto, Goffman demonstra que a interação é limitada por regras, e que estas operam de forma pré-estabelecida na maneira como o indivíduo se comporta.  Com isso, é possível afirmar que não existem formas espontâneas de se relacionar?
  
Problematizando a questão da “realidade” no contexto de ambientes digitais, pode-se afirmar que há diferenças entre a realidade nos ambientes digitais e fora destes  (in real life) em relação à identidade apresentada pelos sujeitos?

Tomando como pressuposto o conceito de “face” que o define como valores positivos os quais uma pessoa reivindica para si, e consequentementeassumidos pelos outros durante um encontro; como se pode associá-lo aos níveis de responsabilidade que um sujeito possui em relação aos danos que o “face” pode criar?

De que maneira o facework se aproxima do conceito de regulação emocional? Pareceu-me semelhante, sobretudo quando o autor aborda a gestão da expressão facial não necessariamente conectada com o bem estar real.

O autor parece generalizar condutas nas situações sociais, deduzindo padrões de reação em determinados contextos, como se houvesse um protocolo de ação. No entanto não traz dados empíricos na argumentação. Já são dados exaustivamente comprovados ou trata-se de um texto apenas teórico?

Fiquei com a impressão de que o autor parte do pressuposto de que as interações face a face são ameaçadoras, trazendo a todo momento iminentes riscos de desconforto, embate, rompimento. Mas sempre quando um dos interatores “fugir” ao acordo/contrato da relação o impacto será negativo (lose face)?

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