sexta-feira, 15 de março de 2013

Questão - Aula 14


RAMIREZ, A.; WALTHER, J.; BURGOON, J.; SUNNAFRANK, M.. Information-Seeking Strategies, Uncertainty, and Computer-Mediated Communication. In Human Communication Research, 28, 2002. (p. 213 – 228)

WESTERMAN, David; HEIDE, Brandon; KLEIN, Katherine; WALTHER, Joseph. How do people really seek information about others?: Information seeking across Internet and traditional communication channels. Journal of Computer-Mediated Communication, v.13, 2008 (p.751- 767).

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Andrea

De que forma as estratégias de autoapresentação, o gerenciamento de impressões e as limitações técnicas das ferramentas disponíveis na comunicação mediada pelo computador não estão alterando a forma como conhecemos e “selecionamos” nossos contatos ou focos de interesse, uma vez que a busca por informações via internet é cada vez mais difundida e tem se tornado principal meio em muitas situações, sobretudo sociais?

Em relação à escolha pela busca passiva e ativa (interativa) por informações sociais parece variar também em relação às relações estabelecidas previamente com a pessoa sobre quem se busca informações e sobre a natureza da informação que se busca, sendo preferível, por exemplo, buscar de forma passiva ou indireta informações que poderiam ser desconfortáveis para se perguntar diretamente a alguém, a exemplo do salário. Essas estratégias citadas no texto de Ramirez et al. (2002) pareceram de alguma forma semelhantes à classificação sugerida por Westerman et al. (2008) para as relações, cujas categorias influenciariam a escolha do meio de busca: identificável (email, mensagem), não identificável (blog) ou misto (redes sociais).

A comunicação mediada por computador para apresentar uma particularidade, a de ser mais neutra em relação à intimidade, uma vez que a busca por informações via mensagem, blogs, fóruns aparecem como uma possibilidade que independe do alvo da busca e do tipo de relação. Já meios mais tradicionais como telefone, que já foram utilizados dessa forma, quando não havia outros meios, agora parece ser dependente da relação que é estabelecida entre quem busca e o alvo.

Por que será que os blogs pessoais não apareceram como meios interessantes para busca de informações sobre as pessoas? Fiquei pensando sobre as pessoas que não fazem parte das redes sociais, eu não tem blog, que ainda são inúmeras, a partir da leitura desses artigos tive a real impressão de que elas realmente perdem a existência.

Ambos os textos trazem de diferentes maneiras a perspectiva de que na verdade enquanto o objetivo de obter as informações não for atingido os diversos meios de busca serão utilizados, Westermanet al. (2008) traz como o uso processual, continuado das ferramentas e Ramirez (2002) como um processo que vai se autorregulando, buscando diferentes estratégias a medida que os resultados das buscas vão aparecendo (inicial factorsà emergente factors).

Paulo

Os autores dizem que, agora, as pessoas podem se utilizar de motores de busca para descobrirem informações na internet sobre outros indivíduos. Obviamente, vale perguntar: e como fazíamos tal procedimento antes, sem termos tais mecanismos de busca? Listas telefônicas dariam alguma pista nesse sentido?

Dando continuidade à pergunta anterior, o que muda nesse novo cenário é a facilidade ou a formalidade em torno das buscas? Parece claro que queremos sempre "pegar no flagra", observar as pessoas em sua informalidade. O "desenquadramento" das informações pode ser considerado o ponto chave dessas buscas?


Ao considerarem a possibilidade de buscar informações anonimamente, sem se dar a ver ("unindentifiably seek information"), podemos dizer que os autores, de certa forma, reforçam a ideia de autenticidade? O que há por trás disso parece ser a capacidade de escrutinar os indivíduos sem que eles se percebam observados. Até que ponto podemos pensar em seres autênticos aí?

Por ignorância e menos desconfiança: a URT não parece dar tons muito funcionalistas à "busca por informações"? Não se podem visitar perfis alheios simplesmente por uma atitude diletante, como quem "flana" por entre galerias de rostos? Tudo precisa se resumir a buscas por informações?
Aline

As ferramentas do Facebook estariam substituindo as do Orkut a nível de busca de informações sobre os usuários? De que forma os mecanismos de privacidade de cada ambiente pode influenciar este contexto?

Haveria uma mudança social do padrão de comportamento dos usuários de redes sociais, de busca de informações sobre outros usuários para publicações de informações próprias (auto-apresentação, gerenciamento de impressões, etc)?

As estratégias de busca de informações pela comunicação mediada por computador poderiam auxiliar indivíduos que possuem algum tipo de dificuldade em se comunicar face-a-face (não necessariamente uma patologia), de maneira a apreender formas de se comunicar nos ambientes virtuais e aplica-las no contexto off-line?

Como as tecnologias de imagem (câmeras, vídeos com transmissão em tempo real), cada vez mais presentes nas redes sociais, modificaram asdificuldades (no que concerne à imagem e percepção da expressão de sentimentos pelo outro) presentes nas relações mediadas por computador entre pares, sejam relações amorosas e/ou de amizade?

Bianca

Westerman, Heide, Klein e Walther (2008) pontuam ao longo do texto que buscar informações sobre os outros influencia na formação da impressão e das relações. Porém, é possível pensar na autenticidade das informações que são encontradas na Internet?

Em relação a essa busca por informações, é possível afirmar que a Internet pode facilitar uma interação, já que uma pessoa pode saber tudo sobre um determinado usuário (a) e posteriomente, se apresentar como alguém que já possui interesses em comum?

Em serviços como o Facebook, no qual o usuário pode alterar informações postadas anteriormente, isso pode influenciar a sua forma de auto-apresentação no presente?

Na comunicação mediada por computador, é possível identificar padrões comportamentais/gestuais ou expectativas nas interações realizadas nesses espaços? 

Felippe

Ramirez et al., no exercício de revisão dos métodos de adquirir informações dos objetos nos CMC classificam - baseados em estudos anteriores - estes mesmos métodos em "ativo", "passivo", "extra-ativo" (p. 220 e 221). Neste sentido, ressalta que o uso de ferramentas digitais para "garimpar" as informações desejadas é algo que empodera mais o observador (técnico habilidoso na utilização destas) que o observado, uma vez que parte destas informações podem ser adquiridas sem o conhecimento do último. Podemos pensar em uma reconfiguração dos métodos de pesquisa nas ciências humanas, de modo que a lente adotada para observar fenômenos sociais é tanto humana quanto maquínica? 

Ainda no tocante à questão anterior, quais as implicações para o campo teórico de tamanha exatidão no levantamento de dados? Os pesquisadores sociais poderiam ser renomeados "interpretadores de dados"? Quais os pontos positivos e quais os pontos negativos na utilização destas ferramentas?

Os autores, na discussão dos resultados obtidos com a survey, afirmam que, conforme esperado, a utilização de cartas para obtenção de informação não é mais preferível. Por outro lado, surpreendem-se ao notar que, apesar de os blogs se assemelharem aos mass media, eles objetivam os círculos sociais mais próximos dos usuários como público alvo. Ainda evidenciam a carência de evidências que levariam a uma possível conjectura do motivo pelo qual os blogs não são utilizados pelos participantes da survey como meio de obtenção de informação dos demais. Poderíamos supor que o fato de os blogs serem menos utilizados se deve, justamente, à sua composição textual? Seria a preferência por meios como facebook e twitter um indício de uma relação mais fugidia com a leitura? A velocidade destes meios e a instantaneidade, características dos tempos hodiernos, se apresentam com maior evidência nos posts de 140 caracteres e suas consequentes interpretações?

Os próprios autores apontam entre as limitações deste estudo a categorização simplista entre "less known" e "well known" no que toca aos grupos de relacionamento que os respondentes possuem. Tal classificação é um sintoma do impacto da velocidade sobre os próprios pesquisadores? Não seria esta própria lógica de produção acadêmica um reflexo daquilo que é "criticado" nos papers? Como podemos, de fato - e com propriedade -, problematizar o contexto social em que vivemos?


Iris

Os autores através da pesquisa procuram entender de que maneira o desenvolvimento da CMC tem influenciado no processo de construção das relações interpessoais. Ainda que o contexto virtual ofereça ferramentas distintas da comunicação face – a – face, pode – se concluir que a CMC exerça de fato uma ação sobre os relacionamentos desenvolvidos nas redes já que os atores sociais possuem a capacidade de interferir e modificar os meios em que atuam?

Os autores fazem considerações acerca do texto, propondo o estabelecimento de um quadro comparativo entre a veracidade de informações que um indivíduo apresenta estando online e off-line. É possível mensurar estas informações e identificá - las como inverídicas já que em diversos ambientes estamos propensos a nos apresentarmos de forma diferenciada?

O texto coloca que as buscas por informações sobre os outros interfere no gerenciamento de impressão e no desenvolvimento das relações, devido a necessidade de construí – los partindo da observação do outro. Entendendo a percepção como um pré – requisito para interação social, até que ponto a teoria da redução da incerteza pode ser relevante?

A pesquisa em específico coloca que quando as pessoas buscam informações, elas de primeiro momento preferem não revelar suas buscas permanecendo anônimas. Já em momentos de aproximação inicial, o anonimato é deixado de lado. Ao pensar no processo inverso desta relação, ou seja, buscar informações apresentando sua identidade e depois permanecer anônimo, quais as possíveis constatações que teríamos acerca destes dados?

Renata

Ao mesmo tempo em que estratégias extrativas se multiplicam com o advento de uma série de ferramentas especializadas, há um crescente volume de dados disponíveis na internet. Essa tensão traz consequências de qual ordem para as estratégias de busca de informações sociais?

Cada vez mais as pessoas sabem que seus 'rastros digitais' permanecerão acessíveis para outros usuários. Em que medida, assim, o processo de gerenciamento de impressões se reconfigura?


Quais contribuições se originam no estudo dos agrupamentos sociais em que alguém se encontra, em ambientes online, tendo em vista  o objetivo de buscar informações 'para reduzir incertezas'  e 'aprender sobre alguém'?

A seleção dos canais em que as informações podem ser buscadas dependem, em grande parte, dos objetivos existentes do 'observador'. Quais tipos de características sócio-técnicas dos ambientes poderiam exercer uma influência nesse processo?

André

Os autores chamam de ESTRATÉGIAS EXTRATIVAS, a busca de informação disponibilizada pelas pessoas na internet e o uso destas com um determinado objetivo comunicacional. A busca e o tratamento dessas informações torna-se uma atividade cada vez mais importante para a publicidade e o marketing. Poderá o uso dos rastros deixados na internet se transformar numa questão ou debate publico num futuro próximo?

Será mesmo que as estratégias extrativas são uma particularidade da CMC, como afirma o autor? Não deixamos rastros também no mundo off line?

Até que ponto essas estratégias de redução de incertezas podem nos levar a uma idéia precisa do outro? Não estaríamos criando uma idealização do outro que pode não corresponder em nada com a realidade? Afinal, existe a interpretação das pistas, como fator pessoal, no meio desse processo.

Existiria uma relação objetiva entre o gerenciamento de impressão e a formação de impressão? Ou, apesar de reflexos, esses processos estão sujeitos a uma série de "ruídos"?

Fichamento - Aula 14


WESTERMAN, David; HEIDE, Brandon; KLEIN, Katherine; WALTHER, Joseph. How do people really seek information about others?: Information seeking across Internet and traditional communication channels. Journal of Computer-Mediated Communication, v.13, 2008 (p.751 - 767).

FICHAMENTO | Por Lisianne Barberino

Autores:
David Westerman é professor assistente Ph.D. na Universidade Estadual de Michigan-Ma (USA). Sua área de atuação é em Comunicação de Massa e Comunicação Mediada por Computador.
Brandon Van der Heide é doutor pela Universidade Estadual de Michigan (EUA) e professor assistente na Escola de Comunicação da Universidade Estadual de Ohio. Pesquisa as formas de interação mediada por computador, tendo como foco o modo como às pessoas formam e administram impressões a respeito das outras através das tecnologias de comunicação.
Katherine A. Klein é doutora pela Universidade do Texas (EUA) e professora na Universidade da Pensilvânia. Possui pesquisa nas áreas de liderança e psicologia organizacional, grupos e redes sociais, implementação e inovação tecnológica.
Joseph Walther é professor no Departamento de Comunicação e no Departamento de Telecomunicações, Estudos de Informação e Media. Suas pesquisas são focadas n a dinâmica da comunicação mediada por computador e no impacto da internet nas relações interpessoais.

Objetivo do artigo: Investigar a maneira como os indivíduos utilizam os diferentes meios de comunicação no processo de busca de informação interpessoal.  Com base na teoria de Stephens (2007) sobre os usos das Tecnologias de Informação e Comunicação, buscou-se classificar os tipos de usos e quais os canais empregados pelos indivíduos na busca por informações a respeitos de pessoas em diferentes tipos de relacionamento. A partir da aplicação de questionários com cerca de duzentos participantes, os autores examinam o papel dos sites de redes sociais nesse processo de busca,  assim como suas implicações teóricas e apontam direções para pesquisas futuras.
Argumentação Central: A partir da questão de como as pessoas buscam informações sobre outras através da internet e dos meios de comunicação tradicionais, os autores sustentam a hipótese que alguns relacionamentos contemporâneos ultrapassam as teorias comumente utlizadas para fazer previsões sobre eles.  Tal pesquisa, alerta para o fato de que o número reduzido de análises descritivas sobre o assunto aponta uma lacuna na literatura sobre Comunicação Mediada por Computador (CMC). Ainda segundo os pesquisadores, embora haja um número cada vez maior de canais disponíveis para a comunicação, é pequeno o número de estudos sobre o que leva as pessoas a escolherem determinados canais para alcançar certos objetos interpessoais. Antes de responder à pergunta inicial, a pesquisa analisa a Teoria da Redução da Incerteza (URT) proposta por Berger & Calabrese (1975).

Tópico 1 - Teoria da Redução da Incerteza (URT): Um dos objetivos interpessoais mais básicos é o de reduzir as incertezas sobre os outros, que durante a formação de impressões, pode ser visto como um processo do gerenciamento de impressões. A teoria da redução de incerteza tenta explicar e prever como as pessoas formam suas impressões a respeito dos outros e foca no processo inicial de comunicação interpessoal. O argumento central da URT é que a principal preocupação quando as pessoas se conhecem é reduzir as incertezas a respeito delas e dos outros, a fim de aumentar a previsibilidade sobre o comportamento, tanto de si, quanto dos outros. A teoria sustenta que em situações onde um indivíduo não tem certeza sobre o outro, existirão as tentativas individuais de buscar informações pertencentes a esse ambiente específico para reduzir a ambiguidade sobre a situação. Apesar de ter sido originalmente formulada para analisar a interação interpessoal inicial, a URT tem sido aplicada em diferentes níveis de interação e em diversos tipos de relacionamento, já que as incertezas podem ocorrer em qualquer estágio interacional e mesmo em relacionamentos mais próximos. A necessidade de redução de incertezas sobre os outros não desaparece uma vez que se cria intimidade, mas, ao contrário, é um constante processo, ora de aumento, ora de redução dessas incertezas.
Tópico 2 - ICT Teoria da Sucessão:  Stephens (2007) oferece um modelo de como a escolha do canal ocorre como um processo, ao invés de focar no uso separado de canais individuais. Como parte desse modelo, Stephens sugere que tarefas podem ser melhores cumpridas utilizando diferentes canais, ou diferentes padrões de uso de canais. O modelo é articulado para uso com tarefas de organização, e se baseia em uma lista de tarefas identificadas anteriormente por Flanagin e Metzger (2001). Os autores apresentam as duas hipóteses já citadas na introdução da pesquisa. H1: Canais que permitem que indivíduo anonimamente busque informações sobre um alvo serão utilizados mais frequentemente quando este alvo for menos conhecido por quem pesquisa;  H2: Canais que exigem que o indivíduo seja identificável a um alvo serão utilizados mais frequentemente quando este alvo for mais conhecido por quem pesquisa. A partir deste quadro, é oferecida uma terceira hipótese: de que os canais que combinam determinados atributos (como os sites de redes sociais: Facebook, MySpace) serão utilizados para conhecer alvos mais ou menos conhecidos. O modelo oferece proposições testáveis ​​específicas sobre o uso diferencial de canais para atingir vários objetivos enquanto as relações entre as pessoas se desenvolvem.
Tópico 3 – Método: O texto descreve o público participante (idade, genero, ancestralidade), o procedimento e as medidas utilizadas.
Tópico 4 - Resultados: Os dados coletados com a pesquisa comprovaram as três hipóteses levantadas pelos autores. Os indivíduos são mais propensos a usar canais que lhes permitem manter o anonimato para procurar informações sobre alvos menos conhecidos; quando se busca informações sobre alvos mais conhecidos, os indivíduos são mais propensos utilizar os canais em que são identificáveis; e canais que combinam ambos os tipos de possibilidade, como os sites de redes sociais, serão utilizados para buscar informações sobre os alvos mais e menos conhecidos.  Embora a utilidade de grupos de canais seja consistente com a hipótese, estas previsões dizem pouco sobre o quão útil cada canal realmente é. Os canais que as pessoas geralmente relatam como não sendo úteis para buscar informações sobre os outros, não importando a relação entre o alvo e que pesquisa inclui blogs, cartas e mensagens de texto. Apesar de blogs serem considerados semelhantes aos meios de comunicação que permitem a uma pessoa procurar informações sobre outra pessoa anonimamente, a pesquisa indica que o público de um blog em sua maioria é composto por amigos e familiares de quem escreve.(Lenhart & Fox, 2006). Entretanto, existem canais que são mais úteis para obter informações sociais buscando entre alvos relacionais. Nessa categoria estão incluídas mensagens instantâneas (sms) e usar outra pessoa para obter a informação desejada. Sites de redes sociais, como o Facebook e MySpace são considerados úteis, exceto para buscar informações sobre membros da família. Isso pode ser explicado pelo fato de que esses sites são principalmente utilizados por estudantes do ensino médio e universitários, embora sua popularidade tenha recentemente estendido seu uso a outras populações.  Portanto, muitos desses familiares ainda não tinham uma presença marcante nesses sites. Pesquisas futuras poderiam examinar por que sites de redes sociais são utilizados e como as pessoas formam impressões sobre os outros a partir deles.

Tópico 5 - Implicações Teóricas:  Apesar de a Teoria da Sucessão de Stephens (2007) ter sido desenvolvida com foco nas tarefas organizacionais, sua aplicação às relações interpessoais se mostrou bastante útil, ainda que tal aplicabilidade deixe questionamentos. Essa abordagem pode ajudar a explicar qual canal pode ser utilizado na busca por informação interpessoal desde que seja feita uma reflexão anterior. O estudo analisa especificamente o uso de diferentes canais para uma tarefa que é ao mesmo tempo pessoal e informativa: aprender algo sobre alguém.
Tópico 6 - Limitações e Direcionamentos Futuros: Tal como acontece em outros  estudos, a pesquisas atual tem limitações, e uma delas é sobre a tentativa de medir probabilidades. Os 220 participantes foram solicitados a classificar a probabilidade de uso de cada canal para obter informações sobre uma variedade de pessoas diferentes.  Embora este método seja útil, pode não refletir com precisão o comportamento dos participantes. Há outras maneiras de medir tal participação e comportamento, em vez de classificações hipotéticas, as pessoas poderiam recordar experiências já vividas na busca por informações interpessoais, ou através da observação de experimentos nos quais as pessoas seriam solicitadas a encontrar informações sobre determinadas pessoas, a partir de algumas opções de canais. Outra possível limitação do presente estudo é a amostra utilizada. Embora seja interessante perguntar a estudantes universitários como uma variedade de canais é usada ​​para aprender sobre os outros, seria necessário examinar esses padrões também em grupos diferentes.
Tópico 7 - Conclusão: A presente pesquisa é uma tentativa inicial de entender a maneira pela qual os indivíduos usam uma variedade de canais disponíveis  no processo de busca de informação sobre os outros. Os dados sugerem que as pessoas usam uma variedade de métodos, e que estes métodos diferem em relação ao tipo de alvo sobre o qual se está buscando informações. O estudo aponta para a necessidade de refinamento teórico para a redução da incerteza nos relacionamentos em relação ao uso da internet e de outros canais. Ele também destaca a necessidade de estabelecer os limites das principais teorias na Comunicação Mediada por Computado e aponta que será de grande utilidade direcionar futuras pesquisas para responder tais questões teóricas.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Questões - Aula 13

Relacionadas ao texto: MARWICK, A.; BOYD, D. I tweet honestly, I tweet passionately: Twitter users, context collapse, and the imagined audience.(2010)

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Paulo Victor

Na página 6, comenta-se que se pode usar o Twitter para construir uma metanarrativa do eu. Considerar a ocorrência de uma metanarrativa (ou meta-imagem, como também falam os autores) não abriria espaço para a idealização de um eu? Como problematizar essa questão segundo uma abordagem relacional? Há lugar para tanto?

A expressão "colapso de contexto" é compreendida como o achatamento das diversas camadas de audiência em uma indistinta massa (p. 9). Até onde podemos sustentar que é tal colapso o problema real a girar em torno do que chamamos de privacidade? A manutenção do que é privativo não seria de certa forma sempre ilusória? Não seria a separação (e manutenção) de contextos o que realmente equivaleria à ideia privativo?

Andrea

    Os pesquisadores optaram por enviar as perguntas de pesquisa via twitter. De que forma as respostas às questões, também ficando disponíveis para todo o público (e não apenas para os pesquisadores), não sofreram influência dessa expectativa de uma audiência imaginada?
    Esta busca pela formula do sucesso na internet, do que vai interessar, do que vai chamar a atenção das pessoas parece ser uma prática comum no twitter, embora haja bastante dinâmica e imprevisibilidade nesse meio. De que forma essa busca emplacar ou por atender a múltiplas audiências, ou mesmo a audiências específicas não exclui a possibilidade de se pensar em autenticidade? E ainda que nem todos os usuários tenham essa intencionalidade, o uso de tantos recursos e de edições por si mesmo já não colocaria em questão essa discussão? O que seria ser autêntico nessas redes?
Bianca

 Marwick e Boyd afirmam que, existe uma necessidade dos indivíduos de diversificar as apresentações de si, e estas são complexificadas pelo crescimento das mídias sociais. Porém, será que postar informações em sites de redes sociais não estaria convergindo atualmente para uma única forma de auto apresentação? Será que a partir desses espaços, o indivíduo  está tendo a necessidade de unificar seu discurso e comportamento?

É possível que uma pessoa que utilize o Twitter varie sua auto-apresentação baseada na expectativa dos outros usuários? 

Ao longo do texto, os autores discutem que normalmente o e-mail é usado para fins privados enquanto o Twitter é utilizado de forma pública. Nesse contexto de relações mediadas pelo computador, o que pode ser considerado público e privado? Será que essas definições não precisam ser reavaliadas? 

Lisi

      Marwick e Boyd afirmam que o crescimento das midias sociais complexifica a necessidade que os indivíduos possuem para diversificar auto-apresentações, já que tais midias levam ao colapso a existencia dos multiplos contextos e unem diferentes audiências. A partir dessa afirmação, surge a questão:  A diversidade da audiência nas redes sociais  altera de fato nosso processo de auto-apresentação? No dia a dia não tendemos a simplificar e homogeneizar nossa audiência imaginada?
   
    Por outro lado, se tivéssemos consciência a todo instante da complexidade dessa audiências imaginadas,  quais seriam os desafios para o gerenciamento de impressões? Os usuários de tais redes não acabariam ficando engessados e pouco criativos em suas postagens?

Diogo

O Twitter pode ser uma ferramenta interessante para pessoas com dificuldades para interagir socialmente face-a-face. Será que esta ferramenta pode ser utilizada para propor algum tipo de tratamento com respeito a baixa auto-estima ou isolamento social? Ou será que direcionar um desenvolvimento terapêutico desta forma poderia "piorar" o quadro a médio e longo prazo, visto que o sujeito não desenvolve, de fato, as habilidades que lhe faltam?

O que de fato é autenticidade? Partindo da premissa de que o contexto influencia grandemente em como as pessoas se apresentam, ou seja, que influenciam inclusive se elas vão dar informações sobre si mesmas em maior ou menor quantidade, precisas ou imprecisas, não seria o foco da análise o contexto e não o nível (ou a existência) de autenticidade da pessoa em questão? Não será mais útil, em termos de conhecimento teórico e previsão científica, analisar a relação dos sujeitos com diferentes contextos e como essa história de relações, juntamente com a exposição a novos contextos, modifica a sua forma de apresentação?

Aline

Em relação ao tipo de comunicação realizada no twitter, os textos publicados seriam expressões autênticas e espontâneas dos usuários ou uma auto-promoção, uma consciente mercantilização própria, como cita Marwick e Boyd?

Segundo o texto, a pergunta que se faz no ambiente do twitter é “o que você está fazendo?”. Um dos sujeitos da pesquisa relatou que considera o twitter como um “diário”. Levando em consideração tais fatos, como podemos pensar o desejo de ‘publicar’nossa vida e nossos pensamentos?


Felippe


No trabalho em questão Marwick e boyd constatam que um profile bem sucedido é aquele que consegue antecipar as expectativas de sua audiência, produzindo mensagens que sejam atraentes para tal público. Por outro lado, como pensamos o papel que o deboche, o sarcasmo, a ironia, enfim, os personagens anti-páticos neste contexto? Esta anti-patia já não adquire um status próprio de pathos justamente no momento em que nega uma postura mais "politicamente correta"?

Comumente, no caso de pessoas com reconhecido prestígio em determinados círculos, a quantidade de seguidores é maior que aqueles que são seguidos - Luciano Huck, por exemplo, possui 6.450.692 seguidores e segue somente 336 usuários. Discrepâncias desta natureza podem ser pensadas como moeda, se levarmos em consideração o conceito de capital social? 

Iris

As autoras do artigo sugerem que existe uma necessidade dos usuários do twitter buscar uma relação de equivalência  entre autenticidade pessoal e as expectativas da audiência na referida rede. Embora o conceito de autenticidade seja entendido como uma construção social, o que se pode compreender como autêntico em um ambiente que potencializa a prática de ser micro – celebridade, e consequentemente, sugerir que esta auto – apresentação promova uma percepção social adequada aos padrões existentes no twitter? Será necessário ressignificar a noção que temos sobre o que é ser autêntico?

Marwick e Boyd relatam no texto que as pessoas usam constantemente diversas maneiras de auto – apresentação devido aos múltiplos contextos existentes nas redes sociais, ocorrendo um “colapso de contexto” dificultando apresentação de uma identidade fixa. As diversas estratégias de auto – apresentação só se fazem presentes nas redes sociais? Não necessitamos destes mesmos mecanismos para desempenharmos nossos papéis em nosso cotidiano?

Fichamento - Aula 13


MARWICK, A.; BOYD, D. I tweet honestly, I tweet passionately: Twitter users, context collapse, and the imagined audience.(2010)

Karla Freitas

Danah Boyd: é PhD pela School of Information (iSchool) na University of California-Berkeley), pesquisadora sênior na Microsoft Research, professora assistente de Mídia, Cultura e Comunicação na New York University e pesquisadora visitante na Havard’s Berkman Centers.

Alice E. Marwick: é PhD pelo Departamento de Mídia, Cultura e Comunicação da Universidade de Nova York (2010) e pesquisadora na Microsoft Research New England in Cambridge, MA.

Objetivos: O artigo investiga como os produtores de conteúdo navegam em “audiências imaginadas no Twitter. Entendendo as diferentes técnicas utilizadas, incluindo alcançar diferentes audiências, ocultar assuntos e manter a autenticidade.

1) Introdução
Os indivíduos comportam-se diferentemente de acordo com o contexto social em que estão inseridos. As autoras probletizam como gerenciar a autoapresentação adequada em ambientes de comunicação mediada, já que nestes existem multiplos contextos que agregam audiências go distintas. O artigo examina como os usuários do Twitter imaginam sua audiência e quais estratégias eles usam para navegar por audiências em rede.

2) Imaginando a audiência online
Todo participante num ato comunicativo tem uma audiência imaginada. As tecnologias complicaram a metafora de espaço (onde a audiência está), incluindo a crença de que as audiências estariam separadas umas das outras.
As autoras apresentam o trabalho inicial de Joshua Meyrowitz (No sense of Place, 1985) no qual aplica a teoria situacionista para s mudanças trazidas pelos meios eletrônicos como televisão e radio. Teoriza que tais meios eliminam as barreiras entre situações de separação social contribuindo para a rápida mudança social característica dos Estados Unidos dos anos 60.
Boyd e Marwick utilizaram os estudos de Papacharissi(2002), Schau and Gilly(2003) e Robinson(2007) para descrever características das homepages como controle da performance através da auto-apresentação; audiência ilimitada e indefinida e generalização do outro, tais características tornam as home mais isoladas que os blogs que presumem contínua comunicação com a audiência. Abordam o caso dos sites de encontros, nos quais as pessoas estão altamente conscientes da audiência e constroem seus anúncios pessoais com alto nível de self-consciousness (autoconsciência), já que sabem que serão examinados por seus pretendentes.
As autoras enxergam semelhanças entre as redes sociais e os sites de encontros, a partir da possibilidade de selecionarem suas preferências baseados na audiência imaginada dos amigos e pares. Citam o estudo de gostos culturais (Liu, 2007) que diz que participantes de redes sociais online listam suas preferências a fim de transmitir prestígio, singularidade ou preferência estética.

3) Twitter
Neste tópico as autoras se propõem a descrever o Twitter, no qual os usuários são incentivados constantemente a criar um update em sua linha do tempo através de pequenas mensagens com temas que circulam do humor até as notícias. O Twitter possui uma direção ao modelo de amizade: os participantes escolher contas do twitter para seguir em seu fluxo, e cada um tem seu próprio grupo de seguidores.

a) Twitter e audiência
No Twitter existe uma desconexão entre seguidores e seguidos. Alguns têm inúmeros seguidores enquanto seguem poucos participantes. É importante lembrar que a quantidade de seguidores não é garantia de audiência, sendo apenas uma audiência potencial. Um modo de ampliar sua audiência e possivelmente o número de seguidores no Twitter é a retransmissão das mensagens (retweeting). As mensagens retwitadas frequentemente são alteradas e podem perder a referência com a original. As autoras destacam que sem conhecimento específico sobre sua audiência os participantes do Twitter a imaginam.

4) Como usuários do Twitter imaginam as audiências
a) Metodologia
As autoras explicam a metodologia utilizada para realização da pesquisa. Marwick e Boyd postaram questões para seus seguidores e para alguns participantes do Twitter que estavam na timeline pública. As duas questões iniciais foram: “Quem você imagina lendo seus tweets?” e “Para quem você twita?”, em seguida foi questionado: “O que faz um indivíduo ser autêntico no Twitter?” e “Sobre o que você não twitaria? Quais assuntos são inapropriados para o Twitter?”.
Elas receberam 226 respostas de 181 usuários do Twitter, através de DM’s( mensagens diretas) ou de @replies. As respostas revelaram diferentes perspectivas da audiência e as pesquisadoras perceberam que não tinham como acessar quantas pessoas viram seus tweets.
b) Com quem estou falando?
Os informantes da pesquisa conceituaram sua audiência no Twitter das mais diversas e variadas maneiras. A maioria das respostas recebidas focavam em categorias abstratas de pessoas (‘amigos’), fãs (seguidores) e alguns focavam em si mesmos.
A partir das respostas obtidas, as autoras problematizam a existência de uma sobrecarga ao termo “amigo” nas midias sociais e sobre o conceito do Twitter como um espaço social para se comunicar com amigos pré-existentes. Para os que enxergam eles mesmos como  audiência notam diferentes comportamentos: aqueles que fazem de seus tweets uma narrativa diária ou os que utilizam para expressar suas opiniões. Na página 6,  Marwick e Boyd seguem analisando tweets agora sob a perspectiva da autenticidade e concluem o tópico destacando que a audiência ideal frequentemente é uma imagem-espelho do usuário.
c) Audiências estratégicas
Em contraste com as noções gerais de audiências imaginadas, usuários do Twitter com numerosos seguidores expressam um entendimento pragmático de sua audiência. Alguns mencionam amigos, família e colegas de trabalho enquanto outros que chegam aos 100.000 seguidores sugerem que sua audiência é composta por uma base de fãs ou comunidade. As autoras fazem uma aproximação desses casos com o conceito de “micro-celebridade” descrito por Senft(2008) como uma técnica comunicativa que envolve pessoas e amplia sua popularidade na Web por meio de vídeos,  blogs e sites de rede social. Marwick e Boyd concluem falando sobre a variedade das audiências imaginadas e que essa variedade se dá por conta das diversas apropriações que os participantes fazem do Twitter.

5) Navegando em audiências múltiplas
a) A necessidade de navegar
Igualmente a maioria dos sites de rede social, o Twitter achata múltiplas audiências em uma - um fenômeno conhecido como "colapso de contexto". Os usuários do Twitter gerenciam audiências múltiplas e sobrepostas estrategicamente, escondendo informações, direcionando os tweets para diferentes públicos e tentando retratar  um self autêntico e uma personalidade interessante. Mas porque os usuários precisam navegar nessa multiplicidade? As autoras utilizam conceitos de Goffman (1959) para explicar a construção da identidade como uma performance contínua e a auto-apresentação como um processo colaborativo. Enfim, os indivíduos trabalham juntos para manter suas auto-imagens preferenciais e seus parceiros de conversação, através de estratégias como a manutenção da face, encorajando coletivamente normas sociais ou negociando diferenciais e divergências de poder.
b) Equilibrando expectativas da Audiência
Segundo as autoras, a audiência imaginada afeta como as pessoas twittam. Os participantes devem manter o equilíbrio entre uma norma social contextual de autenticidade pessoal que encoraja a partilha de informação e a comunicação fática.  A tensão entre revelando e ocultando geralmente erra no lado de ocultar no Twitter, mas mesmo usuários que não postam nada muito escandaloso devem formular tweets e escolher os tópicos de discussão com base em julgamento da audiência imaginária. Estas escolhas implicam no gerenciamento das impressões positivas e na necessidade de parecer autentico.
c) Auto-censura
A auto-censura pode ser uma técnica útil para uma face voltada a uma audiência imaginada que inclui pais, empregadores e outros significativos.  Alguns participantes do Twitter mantêm uma face pública pessoal para gerenciar as impressões com potenciais leitores. Preocupações de trabalho influenciam o que as pessoas twittam bem como sobre o que eles se auto-censuram. Essa relação de contexto colapsado e auto-censura pode enquadrar twitter como um lugar onde as mais rigorosas normas aplicam-se.
d) Equilibrio
A partir da analise de discursos de usuários do Twitter, as autoras tratam da dificuldade de manter certo equilibrio no gereciamento de impressão quando se é constamente  monitorado e precisa corresponder as mais diversas expectativas por parte de  seguidores,  além de demonstrar certa autenticidade.
6) Da difusão a rede
Neste ultimo tópico, Marwick e Boyd argumentam que o Twitter é um exemplo de tecnologia com uma audiência em rede e em sites como Twitter e Facebook, os contextos sociais que se imaginava como separados co-existem como as partes da rede. Os indivíduos aprendem a gerenciar as tensões que envolvem esses ambientes de contexto colapsado (a exemplo conceitos como público e privado), além de técnicas para ganhar visibilidade. A audiência em rede cria novas oportunidades para conexões, bem como novas tensões e co

Questões - Aula 12


Compilação das Questões - Aula 01/03
BARASH, Vladimir; DUCHENEAUT, Nicolas; ISAACS, Ellen; BELLOTTI, Victoria. Faceplant: Impression (Mis)management in Facebook Status Updates. Proceedings f the Fourth International AAAI Conference on Weblogs and Social Media, 2010.

ELLISON, Nicole; HANCOCK, Jeffrey; TOMA, Catalina. Profile as promise: A framework for conceptualizing veracity in online dating self-presentations. 2011. Online: disponível em http://nms. sagepub.com/content/early/2011/06/24/1461444811410395

Lisi

A pesquisa de Barash et al concluiu que no Facebook as atualizações de status classificadas como "cool" e "entertaining" são de extrema importância para a manutenção de um face-work de sucesso. Podemos entender o destaque dessas dimensões a partir de quais atributos socialmente aprovados ou de quais especificidades da rede?

Ainda de acordo com tais autores, em redes como o Facebook as pessoas tendem a ver as atualizações de outros usuários a priori de forma positiva. Podemos inferir que tais resultados teriam sido influenciados, sobretudo pelo fato de as pessoas estarem analisando seus próprios amigos, muitas vezes trazidos de "ambientes offline"? De que forma "essa boa disposição" poderia se modificar caso os usuários estivessem analisando perfis de desconhecidos?

De que forma o gerenciamento de impressões em ambientes onlines, facilitados por características tais como assincronicidade, pistas reduzidas e interações textuais  pode contribuir para um processo de racionalização das relações amorosas?

Os antigos chats de encontros estão sendo substituídos por sites de redes sociais tais como o Facebook, que são construído a partir da premissa de que as pessoas preferem se cercar de amigos “reais” com identidades verdadeiras, e assim, se proteger de possíveis golpistas, psicopatas, etc. Podemos considerar que o medo de interagir com desconhecidos acaba por reconfigurar a perspectiva trazida por Ellisson et al?

Karla

A fim de manter sempre uma impressão positiva, um indivíduo pode acabar aprisionando seu perfil online a uma de suas fachadas? Que leitura fariam suas diversas platéias?

 "Formam impressões rápidas e perpétuas" Segundo GOffman a escolha de uma fachada deve ser defendida, mas associar rigidez a ambientes online onde as mudanças são constantes?

A aceitabilidade das discrepâncias entre a autoapresentacão online e o encontro offline também poderia ser analisada a partir da perspetiva de que os dois indivíduos estão em situação de risco?

Além da possibilidade do encontro face a face, podemos dizer que outras informações espalhadas na rede (perfis em redes sociais online, blogs, Lattes) podem servir de inibidores a apresentações idealizadas?

Renata

A noção de 'perfis como promessa' poderia ser aplicada também a perfis 'fakes'? Ou, o fato de ter criado um fake, já anula, para essa pessoa, a existência do 'contrato psicológico'?

Em sites de relacionamento, muitas pessoas flexibilizam as próprias descrições, entre outras práticas, estabelecendo o que se chama aqui de 'perfis como promessa'. Mas e quando saímos de sites assim, encontrando, por exemplo, perfis criados em homenagem ou sátira a personagens (Ex. Netinho), estamos falando de um processo de gerenciamento de impressões que se diferencia, em quais aspectos, dos processos estabelecidos com perfis que, até onde se sabe, efetivamente são verídicos?

Iris

As pesquisas empíricas apresentadas no texto mencionam que os usuários do Facebook, para construir imagens satisfatórias, tendem a postar nos seus respectivos feed de notícias ideias que evidenciem que são legais ou divertidos, pois segundo os autores, estas dimensões são vistas com uma significativa predominância na referida rede, ao fazerem gerenciamento de impressão. Ao pensar nas diversidades sócio – culturais de um contexto e nas distintas necessidades de uma auto - apresentação, pode – se afirmar que os resultados obtidos neste estudo se aplicariam a uma escala global?



"...O relatório feito pela equipe da universidade revelou que cerca de 40% das atualizações do Facebook, por exemplo, são relacionados a mensagens que contêm textos dizendo o que os usuários estão fazendo ou a opinião deles sobre algum assunto. A explicação para isso pode ser esta sensação, que é vista pelo cérebro como tão prazerosa como comer, ganhar dinheiro e até mesmo fazer sexo...” (fonte: http://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2012/05/pesquisa-diz-que-se-gabar-no-facebook-traz-sensacao-tao-boa-quanto-sexo.html)
O texto coloca que as pessoas ao utilizarem o Facebook se apropriam de variados recursos (frase, fotos, informações pessoais e comentários de amigos) para fazer gerenciamento de impressão. A pesquisa mencionada acima afirma que no âmbito da neurociência estas atualizações produzem uma sensação prazerosa. A partir destas duas análises, pode – se afirmar que este gerenciamento de micro impressões no Facebook seja uma tendência para um reconhecimento de uma finalidade não apenas social, mas também, neurológica?

“As descobertas sugerem que nossos participantes buscam em estoque de eus no passado, presente e futuro quando construindo seus perfis, abrindo espaço para evocar qualidades que desejariam ter, costumavam ter ou planejam desenvolver”. Esta hipotetização levantada na pesquisa apenas remete a identidade como uma constante reposição de representações do desempenho dos papeis sociais experenciadas nas vivencias cotidianas, portanto, a ideia de plasticidade percebida na referida pesquisa não é exclusivamente online. A necessidade dos participantes da pesquisa ao realizarem uma auto – apresentação mais embelezada, pode ser entendida como indícios de baixa auto – estima?

Bianca

De acordo com os autores, no Facebook, as atualizações apresentadas na linha do tempo consideradas engraçadas são as que mais prevalecem para que um perfil seja visto como um sucesso. Dessa forma, é possível compreender que as relações estabelecidas através das redes sociais são mais levianas? Será que mobilizações políticas não poderiam ser articuladas ou iniciadas nesses espaços?

As diferentes ferramentas utilizadas nas redes sociais permitem uma maior apresentação e gerenciamento do self? Seria possível que estes aparatos dificultassem essa apresentação?

Nos ambientes digitais, bem como outros espaços, o perfil do usuário deve ser apresentado e reconhecido constantemente para outros.  Essas diferentes faces que são desenvolvidas pelo indivíduo auxiliam ou dificultam a construção de sua identidade?

A elaboração de um perfil fake é construída a partir do que o indivíduo compreende como um referencial identitário, ou como ele acredita que os outros reconheceriam como ideal?

Fichamento 02 - Aula 12


ELLISON, Nicole B.; HANCOCK, Jeffrey T.; TOMA,Catalina L. O perfil como promessa: um arcabouço para conceituação da auto apresentação  em perfis em sites de namoro online [tradução nossa]. New Media &Society, junho, 2011.


Por Aline Carvalho Alves Peixoto

Sobre os autores:
ELLISON, Nichole B., é professora dos cursos de Telecomunicação, Estudos da Informação e do Departamento de Mídia da Universidade de Michigan;
HANCOCK, Jeffrey T., trabalha no departamento de psicologia da Universidade Cornell, em Ítaca, Nova York. Professor dos cursos de Comunicação na Faculdade de Agricultura e Ciências da Vida; Presidentedo departamento de Ciência da Informação e da Faculdade de Computação e Ciência da Informação;
TOMA, Catalina L., é PhD pelo departamento de Comunicação da Universidade de Cornell, mestra em Comunicação pela Universidade de Cornell, Bacharel dupla em Artes em Inglês e em Comunicação de Massa pela Universidade de Bridgeport.

Objetivos do capítulo:
Tece uma análise acerca da construção do perfil de usuários de sites de namoro, bem como a maneira como estes compreendem os exageros, ambivalências e equívocos presentes nas descrições presentes nos perfis, propondo o arcabouço do “perfil como promessa” a ser cumprida num futuro onde se dará o encontro entre os pares.

Argumentação central:
Os autores propõe a ideiade “perfil como promessa”, argumentando que a construção dos perfis presentes em sites de relacionamento pelos usuários dos mesmos, não pretende proporcionar uma representação fidedigna dos sujeitos. Ao invés disso, objetiva o desenho de uma identidade dinâmica, formulada por vários “eus” (presente, passado e futuro) que se deseja ser em um futuro onde se dará o encontro face-a-face, uma vez que o perfil é consumido pelos pares em um momento futuro. Assim, as características que denotam os equívocos, ambiguidades e exageros presentes nas descrições, se possíveis de serem reais no futuro ou não muito diferentes da realidade, são considerados aceitáveis. Se o equívoco for muito diferente do real, é percebido como uma falta moral e assim imperdoável no momento do encontro.


Tópico 1 – Introdução:
O texto é iniciado pela antiga questão “quem sou eu?” proposta por filósofos por muito tempo e fundamental para os usuários da internet que se deparam com ela a cada vez que se apresentam neste ambiente. Os autores tratam que as representações podem ter diversas formas, como descrições da wikipedia, perfil de site de relacionamentos ou página pessoal na internet. Já em relação aos fóruns online, é colocada a ampliação de quanto a apresentação reflete ou diverge da experiência real da comunicação face-a-face. Com a dificuldade de se traduzir a experiência real em uma descrição “estática”,são esperadas, e por vezes aceitas, discrepâncias entre estes, contudo não são em outras situações. Os autores colocam que apesar de pesquisas tratarem destas diferenças, ainda existem lacunas na construção de um arcabouço conceitual para a compreensão de como os usuários justificam tais diferenças, como por que algumas são concebidas como benignas e outras não.
É descrita a pesquisa como de caráter exploratório da maneira como os usuários conceituas distorções nas representações (suas e de seus pares) em um gênero específico de auto-apresentação que se dá em sites de namoro online.
Foram utilizados dados coletados de 37 participantes deste tipo de site, explorou-se a compreensão destes sobre práticas de auto-apresentação/representação, “especificamente como as discrepâncias entre tais representações online e off-line são construídas, avaliadas e justificadas” [tradução nossa]. Para a compreensão da visão dos usuários, foi utilizada a abordagem qualitativa (Strauss e Corbin, 1998) a qual permitiu a continuidade ao trabalho empírico desenvolvido anteriormente. Com base na análise realizada, foi proposto o arcabouço “O perfil como promessa” [tradução nossa], como prisma de análise da captura a compreensão do usuário sobre as representações no perfil a partir da análise qualitativa de suas reflexões.
Foi proposta uma revisão da literatura sobre “representação nos perfis”, bem como o que falta ser explorado neste contexto e a teoria da “comunicação mediada por computador (CMC)”.


Tópico 2 - Auto-apresentação em perfis
Perfis em sites de namoro online
Os autores iniciam o texto descrevendo os perfis online como portfólios de representação estáticos, os quais contém descrições textuais e fotos que são relevantes especialmente para aqueles usuários que desejam um relacionamento pois são uma porta de entrada para uma relação face-a-face.
É ressaltada a possibilidade de aceitação ou rejeição baseada no conteúdo do perfil e desse modo os sujeitos são motivados a construir descrições atraentes aos outros. Os “exageros” observados pedem ser fruto deste contexto.
A pressão por construir um perfil que seja atraente aos pares podem ter diversas razões, como a perda de parceiros caso o perfil seja pouco preciso quando o encontro ocorrer; o desejo de que o par goste do sujeito como ele é e não por uma versão idealizada; a preferência por embelezar ao invés de mentir devido ao desejo de se perceber como honesto.
Os autores ressaltam que frente à duas opções de consequências negativas, os sujeitos preferem usar ambiguidades, informações nem verdadeiras e nem falsas mesmo sem a possibilidade de serem pegos. Neste contexto, tais decisões são influenciadas por três fatores nos ambientes de sites de namoro: a sinalização, assincronismo e a divisão de expectativas conceituais. Para explicar a influências destes fatoresforam utilizados o modelo Hyperpersonal (Walter, 1996) e de Base Comum (Clark, 1996).
O modelo Hyperpersonal pretende explicar o efeito das características da tecnologia em ganhos relacionais e como as propriedades do ambiente online podem transformar aquele que envia, o que recebe, o canal, e a dinâmica do retorno. Na presente pesquisa o modelo foi utilizado para compreender a construção e a justificativa dos equívocos na construção dos perfis. O conceito de Base Comum (Clark, 1996) foi utilizado para compreender o processo pelo qual os usuários de comunidades online específicas desenvolvem e baseiam as expectativas que dividem.

Auto-apresentação do eu em ambientes sem sinalização
O modelo Hyperpersonal pretende descrever o processo de selecionar a auto-representação que, nesta visão, é o comportamento que se busca para formar uma imagem para os outros, tendo por objetivo influenciar outras pessoas a responderem da forma desejada. Segundo Goffman (1959) apud Ellison et al (2011), a auto-representação envolve revelações estratégicas e/ou ocultar informações para apresentar uma imagem desejável.
Este modelo ressalta que o ambiente online proporciona mais controle em relação aos sinais dados nas apresentações pessoais pois muito do que seria evidente nas relações face-a-face não são aparentes neste contexto, como características de gênero, idade e localização. É necessário dizer em textos como meio de comunicação. Tal contextoinduzem a ambiguidades no processo de formação de impressões, especialmente em relação à características mais subjetivas, devido à falta de auto-conhecimento e/ou devido à esforços conscientes para disfarçar. Por fim, o perfil que se apresenta online é moldado pelas possibilidades tecnológicas de cada espaço de interação.

Assincronismo e fatores temporais
Segundo Ellison et al (2011), o modelo Hyperpersonal estabelece que comunicações assincrônicas oferecem aos usuários maior tempo de reflexão e edição de suas mensagens e recursos cognitivo, permitindo auto-representações seletivas  impressões idealizadas. Nas comunidades de namoro online, o tempo entre a produção do perfile quando ele será lido é importante para considerar quando examinar a representação e a aceitar as discrepâncias. Os perfis são construídos para serem consumidos em um tempo futuro, tal ambiguidade temporalsuscita a antecipação da versão do eu que deverá soar verdadeira em um momento desconhecido no futuro.
Os autores tratam que a dificuldade da tarefa se dá no fato de que identificar-se é uma ação à ser realizada em um tempo. As pesquisas apontam que apresentar o eu ideal de alguém é uma estratégia para resolver pressões em ser ao mesmo tempo honesto e seletivo.

Expectativas contextualmente divididas
Segundo Ellison et al (2011), o modelo Hyperpersonal foca em como fatores técnicos e sociais afetam a auto-representação e a dinâmica interpessoal online, sem se dirigir diretamente aos tios de normas sociais ou códigos aceitos pela comunidade que podem surgir em um ambiente online em um determinado tempo. Os autores abordam o conceito de Base Comum Comunal como fatos, normas e procedimentos do léxico que se assume ser conhecido pelos membros de uma dada comunidade, como por exemplo uma gíria que significa algo em um grupo mas em outro não.
No contexto do namoro online, a Base Comum Comunal se fixa em termos usados para a auto-representação e que afetam como as discrepâncias são percebidas. Ellison et al (2011) explicam que os usuários podem se basear em expectativas compartilhadas pelo grupo sobre um tipo de comportamento e como termos descritivos são normalmente interpretados por seus pares. Como exemplo, foi observado em trabalhos anteriores que usuários de sites de namoro tendem a exagerar certas características pessoais pois assumem que outros da mesma comunidade fazem o mesmo. Heinoet al (2010) apud Ellison et al (2011), demonstra em pesquisa que participantes de sites desenvolviam estratégias de interpretação de descrições físicas que levam certo nível de exagero e embelezamento. Expectativas de embelezamento podem influenciar a avaliação sobre a aceitabilidade do mesmo pois os sujeitos esperam esta ação quando acessam as mensagens de outros.

O estudo atual
O objetivo da presente pesquisa era a compreensão de trabalhos anteriores que focaram na auto-representação em contextos de sites de namoro online através do exame de como os usuários contextualizavam seus perfis a luz de uma série de fatores. Foram explorados a maneira como os usuários tomam decisões a respeito das diferenças em seus perfis e nos perfis de seus pares e em se estas diferenças são aceitáveis. Foi focado a produção e a avaliação do perfil de auto-apresentação, e como pergunta de partida foi questionado: como pessoas que buscam relacionamentos online conceituam a aceitabilidade das discrepâncias entre a representação online e a realidade no mundo off-line.

Tópico 3 - Métodos
Participantes do site, investigação e procedimento
Neste tópico os autores descrevem a metodologia de pesquisa. A coleta de dados foi iniciada em Nova York e os participantes foram recrutados através de anúncios que explicitavam a proposta da pesquisa. Foram incluídos usuários heterossexuais que quatro dos mais tradicionais e populares sites dos EUA (Yahoo, Personal, Match. Com/MSN ,Match. Com, American Singles e Webdate) e foram incluídos sites que se baseiam no sistema de agrupamentos (por ex. eHarmony).
Os sujeitos se registraram para o estudo e deram informações sobre o serviço online que usaram, seus nomes de usuário e endereço de e-mail. Os nomes de usuário serviram para localizar os perfis online e identificar participantes caso fosse confirmado que eles tinham um perfil em algum dos sites. Oitenta participantes foram incluídos no estudo geral do qual os 37 primeiros foram entrevistados, fornecendo a base para analise. As entrevistas foram interrompidas quando foi atingida a saturação e não estávamos obtendo informações novas dos participantes. Foram entrevistados 12 homens e 25 mulheres, variando da idade de 18 a 47 anos, com media de 30 anos. Em media, os participantes se cadastraram há aproximadamente dois anos nesses sites, a duração mais curta sendo 2 meses e a mais longa sete anos.
Os participantes foram entrevistados individualmente na New SchoolUniversity em Manhattan. Primeiramente, os participantesse apresentavam com uma cópia impressa de seus perfis online e foi pedido que classificassem a exatidão (definida como a “extensão pela qual as respostas refletiam a verdade a respeito de você agora” e respondessem com uma escala de 0-5 de completamente falso até completamente verdadeiro)cada elemento em seus perfis, assim como a aceitabilidade geral da mentira naquele tópico. Os elementos dos perfis incluíam campos como idade, peso, ocupação e religião. Os participantes completavam a pesquisa e eram entrevistados pelo terceiro autor. Ao finalera pedido aos sujeitos que se engajassem em procedimentos de medição, dados os agradecimentos, inquiridos e eles recebiam trinta dólares de incentivo.

Coleta de dados
Para a coleta de dados foram utilizados métodos qualitativos de forma a possibilitar aos participantesdescrever suas percepções e experiências usando as próprias palavras e usando seu próprio arcabouço conceitual e terminologia. As entrevistas duraram em media 30 minutos. O entrevistador selecionava elementos do perfil que estavam classificados como equivocados e sobre estes eram feitas perguntas como forma de instigar os entrevistados. As entrevistas eram semiestruturadas, utilizando um protocolo na entrevista geral, contudo as questões a ser seguidas permitiam ao pesquisador investigar mais profundamente seus tópicos de interesse. Os participantes também eram livres para conduzir as entrevistas para áreas mais proeminentes. O protocolo da entrevista era designado para extrair percepções sobre a aceitabilidade de vários tipos de equívocos de representação e as lógica guiando as avaliações feitas através das questões como:
Você pode descrever seus processos mentais enquanto decidia como responder às perguntas?
Que tipos de distorções são aceitáveis nos perfis?
Que tipos de distorções não são aceitáveis nos perfis?

Análise de dados
Cada entrevista foi gravada digitalmente, transcrita por um estagiário e então checada pelo entrevistador. “As entrevistas transcritas foram analisadas usando Atlas.ti. O método de comparação constante (Strauss e Corbin, 1998) foi usado para localizar temas comuns e obter um maior insight sobre as questões de pesquisa. O processo analítico empregou uma abordagem teórica sólida, onde níveis sucessivos de analise criaram uma “compreensão teórica abstrata  da experiência estudada” (Charmaz, 2006, p. 4)” [tradução nossa]. A principio, foram identificadas as categorias que emergem dos dados, como “estratégias de auto representação”, “fotografia”, “aceitabilidade social” ou “definições- o que é a mentira?” usando um processo de codificação aberta. Partes dos dados foram codificadas nessas categorias em um esquema de acordos onde cada grupo de perguntas-respostas  era tratado como uma unidade.
“No segundo degrau da analise, partes das entrevistas relacionadas a aceitabilidade dos equívocos no perfil foram assinalados e mais profundamente explorados através de um processo de seleção de códigos  e construção de memorandos” [tradução nossa]. Esse sistema de analise de memorandos, que foi intensivamente discutido e revisado pelos pesquisadores, ressaltou as diferentes categorias, como  maleabilidade, que emergiram quando os participantes discutiam a aceitação dos equívocos.
Finalmente, através de um processo interativo envolvendo frequentes discussões entre os autores, refinamento das categorias de aceitação e revisão da base de dados, foi proposta uma visão comum para interpretar os dados: a promessa. Essa visão, não estava articulada expressamente pelos participantes, contudo servia para unificar o arcabouço através do qualos dados foram compreendidos, evoluindo até o arcabouço do “o perfil como promessa” . Após este processo foi revisada a literatura sobre o conceito de promessa em outros contextos, como em entrevistas de trabalho, na tentativa de entender melhor o fenômeno da “promessa”.

Tópico 4 –Achados
Neste tópico os autores descrevem os pontos abordados na análise dos dados. Ellison et al (2011) referem que foi explorada a maneira como os usuários entendiam o que o perfil representava e como eles conceituavam a aceitação das discrepâncias entre as declarações no perfil e a verdade. É comentado que não havia uma expectativa de veracidade total do perfil, e sim uma imagem construída que refletia uma identidade fluida, composta do eu passado, presente e futuro, limitada pelo auto-conhecimento do usuário. Foi colocada também a relevância das contenções sociais dentro do contexto de relacionamentos online que levaram a uma flexibilidade na aceitação das informações contidas no perfil, fossem estas ambíguas ou exageradas.

Mudança no perfil: Assincronismo ou licença para mentir
Os achados retratam que a flexibilidade nas descrições nos perfis e a magnitude nas diferenças entre auto-representação online e off-line afetou as concepções de aceitação para os sujeitos. A mudança no tempo e a assincronia do perfil afeta a maneira como as mensagens são acessadas. Saber como o perfil será lido no futuro pareceu dar aos usuários liberdade para construir “eus” em seus perfis de maneira a representar um eu futuro, que deverá ser atingido ou que era importante no passado. Desse modo, para algumas pessoas discrepâncias em certas características que poderiam ser mudadas no futuroeram consideradas mais aceitáveis do que outras que não podiam ser modificadas. Com a condição de não houvesse grande diferença ou o futuro fosse possível, a descrição enganosa era aceitável.
O dados retratam que os próprios sujeitos racionalizam seus erros de representaçãofocando na noção de múltiplos eus. Através das representações de eus presente, passado e futuro os sujeitos construíam uma representação digital do eu, permitindo que sejam ressaltadas características positivas com as quais se identificam mesmo não estando presentes na identidade atual.
Uma outra questão a ser observada é a evocação de um eu passivo e na não atualização de dados atuais e verdadeiros.

Sinais reduzidos: tendo que contar ao invés de mostrar
Ellison et al (2011) retrata que no contexto das comunidades de namoro online os usuários necessitam falar certas informações que não seriam necessárias numa relação face-a-face, como traços físicos. Contudo, isso se torna um problema devido a falta de auto-conhecimento dos indivíduos.  No caso de discrepâncias motivadas por uma visão errônea do próprio sujeito em sua descrição de perfil, esses equívocos são percebidos como aceitáveis pelos pares. Uma estratégia possível no caso do conflito entre auto-representação e honestidade é a utilização de ambiguidades ou equívocos, de maneira que não sejam ditas mentiras e nem verdades, como por exemplo: tipo físico médio.
Outro dado relevante é a escolha entre duas opções não tão corretas, daquela mais positiva, sendo sente comportamento percebido pelos usuários devido à habilidade de ser completamente honesto estar bloqueada pelos espaços reduzidos.

Mentindo para escapar da fogueira: Equívocos esperados na representação dentro de ambientes online
Ellison et al (2011) abordam que em relação aos equívocos aceitáveis, os usuários também utilizam expectativas compartilhadas sobre os significados de informações apresentadas no perfil, interpretando certas características da mesma forma que a comunidade compreende, como por exemplo o termo “curvilínea”.  Os dados das entrevistas demonstram uma expectativa compartilhada sobe as possibilidades de realce nos perfis, o que tem implicações no julgamento de se as informações são falsas ou não aceitáveis.  Em resumo, os dados sugerem que a relação entre os usuários e os equívocos é moldadapela assincronia do perfil, as sinalizações reduzidas e as expectativas compartilhadas pela comunidade online.

Tópico 5 –Discussão
Os autores colocam o pioneirismo do trabalho que pretendeu explorar como os usuários de sites de namoro online conceitualizam e racionalizam as discrepâncias em suas apresentações nos perfis online. Foram explorados os conceitos dos usuários acerca de aceitação de equívocose a relação do espaço de tempo entre a construção do perfil e o seu consumo, bem como as sinalizações reduzidas no ambiente online e a base comum comunal online (o namoro online).

Arcabouço do perfil como promessa
Nesta seção os autores argumentam, com base no referencial teórico e análise, que o perfil em sites de namoro online é construído como uma promessa para um grupo de pares que se encontrarão em algum momento no futuro mais do que uma representação fiel de alguém, sendo claro para a comunidade este contexto. Desse modo é compreendida a diferença que os usuários fazem entre os erros aceitáveis e os inaceitáveis. A ideia principal é a de que a desenho contido na descrição do perfil não difere fundamentalmente da realidade, desse modo, não é esperado pelos usuários que o perfil represente uma cópia fiel do indivíduo no ambiente off-line.
No caso dos sites de namoro online, é esperado o relacionamento amoroso e assim a publicação de certas características também, uma vez que em ambientes online estas precisam ser “faladas”, diferente do ambiente off-line em que estas seriam vistas. Logo, o perfil torna-se obrigatório para possibilitar futuros relacionamentos aos usuários, podendo ser visto como um contrato psicológico (Rousseau, 2001), uma vez que informações são veiculadas de comum acordo e de maneira mútua, sendo quebradas tais relações se por ventura houver enganos no conteúdo apresentado offline.
Os autores propõem três propriedades do arcabouço “perfil como promessa”: as promessas precisam ser explicitadas mas podem surgir dentro de contextos que sinalizam as intenções da promessa; as promessas personificam um aspecto da temporalidade pois são orientadas para o futuro; as promessas são tipicamente incompletas uma vez que não se pode prever o futuro de um relacionamento.
Citando a obra de Goffman (1959), os autores argumentam que a obrigação moral das promessas é inerente às deixas na auto-apresentação uma vez que os indivíduos tendem ase relacionar com os outros mediante as impressões que percebem sobre seu passado e futuro. Estas impressões tendem a serem tratadas pelos pares como promessas implícitas e como tais tendem a ter um caráter moral, logo uma violação destas é vista como inaceitável e moralmente incorreta.

Usando o perfil como promessa nos dados das entrevistas
Em relação ao arcabouço teórico “perfil como promessa” é objetivada a compreensão sobre o processo de auto-apresentação em espaços online, bem como aumentar as pesquisas disponibilizando insights sobre o modo como usuários de sites de namoro online percebem suas mensagens e apresentação pessoal e como acessam as informações de outros.
No que concerne às discrepâncias aceitáveis, um dos critérios é a possibilidade da promessa ser comprida no futuro, sendo vista como alcançável e realista, sendo maleáveis e de pouca magnitude. Logo aquelas que não podem ser mantidas são vistas como inaceitáveis
Os autores sugerem que os usuários racionalizam os equívocos nos perfis devido à natureza temporal das promessas, selecionando atributos a partir de eus passado, presente e futuro, expostos para construir identidades que possibilitem incluir realces e a identificação como alguém honesto.
É colocada a crença de que o aporte teórico do perfil como promessa permite descobertas sobre as formas de construção de personas pelos usuários e permite às pesquisas nas apresentações online uma análise imparcial sobre a veracidade das informações e a experimentação de identidades fantasiadas. Sugere-se que pesquisas futuras deverão considerar as formas nas quais as dimensões temporais das interações online afetam a auto apresentação e as avaliações.
Os autores referem que neste contexto os sinais são sempre incompletos devido às dificuldades de representação de um eu dinâmico e das restrições técnicas. Na construção do perfil os usuários se baseiam em expectativas compartilhadas sobre como seus pares se utilizam da trapaça ou da codificação de certas descrições que modificam a interpretação do perfil e da promessa. Como exemplo a linguagem usada que está de acordo com o contexto e produzem e interpretam informações acerca das promessas presentes nos perfis.

Direções futuras e limitações
Os autores descrevem seu trabalho como foco nas implicações do gap entre a criação do perfil e seu “consumo” na percepção dos usuários sobre a auto-apresentação e sua lógica quando o perfil é mostrado. É ressaltada a necessidade de mais pesquisas no que concerne à maneira pela qual a construção psicológica do perfil impacta na auto-apresentação e na formação de impressões em outros contextos assincrônicos.
Os autores referiram dentre os resultados esperados que as discrepânciasfossem julgadas de maneira severa em situações de curto espaço de tempo. É colocado que o presente estudo explorou as implicações do “falar” sobre características que seriam aparentes na comunicação face-a-face. Em relação aos achados, foi sugeridoque a perspectiva “Hyperpersonal” pode ser estendida ao incorporar considerações sobre compreensões gerais em contextos específicos. São propostos novos estudos sobre como o ato da criação do perfil afeta o senso de identidade, autoestima e conhecimento do ‘eu’. Já sobre as limitações, os autores colocam a delimitação dos usuários na área de Nava York e de membros de grandes sites de namoro, bem como a metodologia de avaliação de perfis e posterior entrevista, sendo esta feita de maneira a propiciar racionalizações sobre o próprio comportamento.
Os autores sugerem em futuras pesquisas a captura do pensamento dos participantes durante a criação do perfil.

Tópico 6 –Conclusão
Como conclusão, os autores relatam que ao longo da década a explosão de fóruns online, redes sociais, sites de namoro, wikis, blogs, sites de compartilhamento e notícias trouxe à questão de qual a melhor forma de explicar como e porquê a prática da comunicação nestes ambientes diferem. Pesquisadores explicaram o efeito das características das comunicações mediadas por computador, como o ambiente com “sinalização reduzida”[tradução nossa], comunicação interpessoal e o desenvolvimento de relacionamentos. Dos estudos sobre contextos online específicos como opostas as características gerais da comunicação mediada por computador “sugerem que as expectativas especificas compartilhadas que se desenvolvem entre os membros de um ambiente online particular afetarão a prática comunicativa dos membros”[tradução nossa], contudo as abordagens não foram integradas à uma perspectiva teórica compreensível que englobasse ambos os contextos.
É colocado pelos autores que a proposta teórica do “perfil como promessa” pretende a exploração da produção de mensagens mediadas, bem como sua avaliação. Os fatores técnicos e sociais do contexto particular moldam a produção e a posterior avaliação das mensagens de maneira importante, englobando a natureza mutável do perfil, os “sinais reduzidos” e as ideias compartilhadas dentro de um mesmo ambiente/ comunidade. Tal proposta teórica objetiva explicar o processo pelo qual os usuários decidem o que incluir ou não quando criam o perfil, permitindo a compreensão da dinâmica e de quando uma representação é mentira ou uma promessa futura.