segunda-feira, 11 de março de 2013

Fichamento 01 - Aula 12


FICHAMENTO:
BARASH, Vladimir; DUCHENEAUT, Nicolas; ISAACS, Ellen; BELLOTTI, Victoria. Faceplant: Impression (Mis)management in Facebook Status Updates. Proceedings f the Fourth International AAAI Conference on Weblogs and Social Media, 2010.




Por Renata Cerqueira
Sobre os autores:
Vladimir Barash – pesquisador da Cornell University, NY.
Nicolas Ducheneaut, Ellen Isaacs e Victoria Bellotti – pesquisadores do Palo Alto Research Center, CA.

Objetivos do capítulo: O texto se propõe a analisar o processo de formação de impressões compartilhadas no Facebook, destacando as circunstâncias de ‘quebra’ nessa dinâmica, em que as impressões produzidas são destoantes daquelas pretendidas.

Argumentação Central: Os autores defendem que, com a possibilidade de compartilhar atualizações no Facebook, os usuários têm uma maior oportunidade para gerenciar as impressões no site, o que, nem sempre, significa que as impressões produzidas sejam de acordo com as intenções pretendidas (processo de quebra).

Tópico 01: Introdução

O texto começa indicando como os sites de redes sociais se tornaram populares nas mídias sociais e como, nesses ambientes, as pessoas criam perfis, incluindo dados básicos, como demográficos, gostos pessoais e amigos aos quais vão se associar publicamente. Abraçando as potencialidades existentes nessa dinâmica, muitas pesquisas foram realizadas focando no processo de gerenciamento impressões, analisando os tipos de sinais que foram produzidos por um determinado usuário em seu perfil, causando impressões diversas em outros internautas.

O Facebook, contudo, ao disponibilizar a possibilidade (semelhante ao Twitter) de as pessoas publicarem atualizações diversas, que são vistas pelas suas redes de contato, abriu uma oportunidade para que se compreendesse como as pessoas gerenciam impressões como uma atividade secundária ao ato de se comunicar, por este site, com outras pessoas. Os autores destacam como tudo isso pode ter implicação no modo como nós nos relacionamos com os outros e, além disso, compreendemos a nós mesmos.

Partindo desse panorama, o artigo faz referência aos trabalhos realizados por Goffman (1959). De acordo com os autores, é possível interpretar tais atualizações como performance, que dão a chance de outros usuários formarem impressões sobre o proprietário do perfil no site, ainda que este não tenha trabalhado intencionalmente para produzir essa impressão. Com base nisso, os autores vão destacar um interesse especial, que será abordado no artigo: circunstâncias em que tais performances acabam dando, nos demais usuários, uma impressão diferente daquela que foi pretendida.

Tópico 02: Medindo o gerenciamento das atualizações

Antes de adentrar no experimento realizado, buscando estudar o processo de formação de impressões desejadas e indesejadas, os autores afirmam que Goffman, embora faça uma boa metáfora para compreender gerenciamento de impressões (palco e audiência), não elucida claramente as dimensões que constituem uma impressão prática. Com isso, os autores recorrem a outros estudiosos e às descobertas deles na caracterização/motivação dessas dimensões que atuam no gerenciamento de impressões:

Jones and Pittman (1982): bajulação, intimidação, auto-promoção, exemplificação e súplica
McClellan (1988: poder, afiliação e realização
Leary (1995): pessoas querem serem vistas como fisicamente atraentes, ‘gostáveis’, competentes capazes e virtuosas.

Contudo, ao olhar os trabalhos produzidos, os autores verificaram que muitas atualizações do Facebook não se encaixavam nessas taxonomias, o que os levou a produzir um estudo piloto, com mais de 20 usuários do Facebook. Na ocasião, pediu-se a eles para caracterizar as impressões que formaram das atualizações de seus amigos, usando quaisquer adjetivos que desejassem. Separou-se, assim, uma lista com as principais dimensões coletadas, que foram classificadas como ‘valor social positivo’ e ‘valor social negativo’ (impressão ‘falha’).

Tópico 03: Métodos e Resultados
Para obter as dimensões, foi criado um aplicativo no Facebook, em que pessoas viam atualizações de seu feed de notícias (suas e de seus amigos), mas sem ver interações com a postagem (‘curtir’, comentários etc.), para não enviesar as percepções sobre o conteúdo indicado. Embaixo de cada conteúdo, os usuários deveriam indicar com qual dimensão a postagem mais se identificava e, para aquelas que não fossem associadas, deveria-se atribuir um adjetivo. Foram coletados dados de 100 participantes ao longo de 21 dias, sendo avaliadas 674 atualizações.

Tópico 04: Relevância das Dimensões

Os principais resultados com o estudo foram os seguintes:

- 71% dos participantes associaram as postagens dos amigos de, pelo menos, uma das cinco dimensões de gerenciamento de impressões selecionadas no estudo piloto;

- 3,5% dos participantes atribuíram algum adjetivo às postagens dos amigos.

Conclusão parcial: as dimensões propostas geralmente capturam as impressões das pessoas sobre a maioria dos tipos de atualização de status no Facebook.

- Curiosamente, os usuários associaram às dimensões propostas apenas 45% de suas próprias atualizações.

- Dos 55% dos conteúdos restantes, apenas 5,7% receberam um adjetivo.

Conclusão parcial: há uma indicação inicial de que pode haver uma lacuna entre as impressões que as pessoas acreditam deixar escapar e as impressões que eles formam sobre os outros.

Olhando-se os dois casos explicitados acima, nota-se que as dimensões mais associadas foram ‘divertido – chato’ para classificar conteúdos dos amigos e ‘legal – não legal’ para classificar as próprias postagens. Como tiveram mais destaque, esses espectros podem capturar as dimensões que a percepção dos usuários mais vêem como ‘bem sucedidas’ no Facebook.

Tópico 05: Alinhamento das impressões dadas e ‘soltas’

Para os autores, o ponto crucial é questionar se as impressões que as pessoas acham que estão passando estão alinhadas com as impressões que os outros formam sobre elas. Para responder a esse questionamento, o artigo comparou como as pessoas avaliaram a si mesmas e aos outros nas cinco dimensões. Em média, pessoas viram as atualizações dos outros positivamente nas cinco dimensões, exceto uma (os usuários deixariam escapar uma impressão em que se veem como ‘importantes’). Quando julgando os próprios conteúdos compartilhados, por outro lado, os usuários se viram mais apreciadores do que críticos. Outros dados não foram significantes.

Tópico 06: Construção da Fachada que provoca uma resposta
Próximo à conclusão do artigo, os autores relataram que houve um interesse de ver quais tipos de atualizações provocaram mais retornos no Facebook, em forma de comentários e ‘curtir’. Observou-se que os conteúdos mais curtidos foram aqueles percebidos como mais divertidos, em detrimento dos mais chatos. Da mesma forma, os que foram vistos como mais depressivos geraram mais comentários do que os elevadores.

Tópico 07: Conclusão
Embora o escopo de estudo tenha sido limitado, o trabalho inicial forneceu alguns esclarecimentos sobre o jogo do gerenciamento de impressões realizado a partir das atualizações do Facebook. A prevalência de conteúdos legais e divertidos sugere que essas dimensões são as mais bem sucedidas na construção de fachada nos sites de redes sociais, o que é reforçado pela tendência deles de atrair mais comentários do que outros tipos de postagens. Notou-se que indivíduos subestimam como alguns elementos os fazem parecer ‘importantes’. Conclui que pessoas precisam andar por uma linha estrita entre as impressões que eles dão e as que eles entregam.

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