FICHAMENTO:
BARASH, Vladimir; DUCHENEAUT, Nicolas; ISAACS, Ellen; BELLOTTI,
Victoria. Faceplant: Impression (Mis)management in Facebook Status Updates.
Proceedings f the Fourth International AAAI Conference on Weblogs and Social
Media, 2010.
Por Renata Cerqueira
Sobre os
autores:
Vladimir Barash – pesquisador da Cornell University, NY.
Nicolas Ducheneaut, Ellen Isaacs e Victoria Bellotti – pesquisadores do Palo Alto Research Center, CA.
Objetivos do
capítulo: O texto se propõe a analisar o processo de formação
de impressões compartilhadas no Facebook, destacando as circunstâncias de
‘quebra’ nessa dinâmica, em que as impressões produzidas são destoantes
daquelas pretendidas.
Argumentação
Central: Os autores defendem que, com a possibilidade de
compartilhar atualizações no Facebook, os usuários têm uma maior oportunidade
para gerenciar as impressões no site, o que, nem sempre, significa que as
impressões produzidas sejam de acordo com as intenções pretendidas (processo de
quebra).
Tópico 01:
Introdução
O texto
começa indicando como os sites de redes sociais se tornaram populares nas
mídias sociais e como, nesses ambientes, as pessoas criam perfis, incluindo
dados básicos, como demográficos, gostos pessoais e amigos aos quais vão se
associar publicamente. Abraçando as potencialidades existentes nessa dinâmica,
muitas pesquisas foram realizadas focando no processo de gerenciamento
impressões, analisando os tipos de sinais que foram produzidos por um
determinado usuário em seu perfil, causando impressões diversas em outros
internautas.
O Facebook,
contudo, ao disponibilizar a possibilidade (semelhante ao Twitter) de as
pessoas publicarem atualizações diversas, que são vistas pelas suas redes de
contato, abriu uma oportunidade para que se compreendesse como as pessoas
gerenciam impressões como uma atividade secundária ao ato de se comunicar, por
este site, com outras pessoas. Os autores destacam como tudo isso pode ter
implicação no modo como nós nos relacionamos com os outros e, além disso,
compreendemos a nós mesmos.
Partindo desse panorama, o artigo faz referência
aos trabalhos realizados por Goffman (1959). De acordo com os autores, é
possível interpretar tais atualizações como performance, que dão a chance de
outros usuários formarem impressões sobre o proprietário do perfil no site,
ainda que este não tenha trabalhado intencionalmente para produzir essa
impressão. Com base nisso, os autores vão destacar um interesse especial, que
será abordado no artigo: circunstâncias em que tais performances acabam dando,
nos demais usuários, uma impressão diferente daquela que foi pretendida.
Tópico 02: Medindo o gerenciamento das atualizações
Antes de adentrar no experimento realizado,
buscando estudar o processo de formação de impressões desejadas e indesejadas,
os autores afirmam que Goffman, embora faça uma boa metáfora para compreender
gerenciamento de impressões (palco e audiência), não elucida claramente as
dimensões que constituem uma impressão prática. Com isso, os autores recorrem a
outros estudiosos e às descobertas deles na caracterização/motivação dessas
dimensões que atuam no gerenciamento de impressões:
Jones and Pittman (1982): bajulação, intimidação,
auto-promoção, exemplificação e súplica
McClellan (1988: poder, afiliação e realização
Leary (1995): pessoas querem serem vistas como
fisicamente atraentes, ‘gostáveis’, competentes capazes e virtuosas.
Contudo, ao olhar os trabalhos produzidos, os
autores verificaram que muitas atualizações do Facebook não se encaixavam nessas
taxonomias, o que os levou a produzir um estudo piloto, com mais de 20 usuários
do Facebook. Na ocasião, pediu-se a eles para caracterizar as impressões que
formaram das atualizações de seus amigos, usando quaisquer adjetivos que
desejassem. Separou-se, assim, uma lista com as principais dimensões coletadas,
que foram classificadas como ‘valor social positivo’ e ‘valor social negativo’
(impressão ‘falha’).
Tópico 03: Métodos e Resultados
Para obter as dimensões, foi criado um aplicativo
no Facebook, em que pessoas viam atualizações de seu feed de notícias (suas e
de seus amigos), mas sem ver interações com a postagem (‘curtir’, comentários
etc.), para não enviesar as percepções sobre o conteúdo indicado. Embaixo de
cada conteúdo, os usuários deveriam indicar com qual dimensão a postagem mais
se identificava e, para aquelas que não fossem associadas, deveria-se atribuir
um adjetivo. Foram coletados dados de 100 participantes ao longo de 21 dias,
sendo avaliadas 674 atualizações.
Tópico 04: Relevância das Dimensões
Os principais resultados com o estudo foram os
seguintes:
- 71% dos participantes associaram as postagens dos
amigos de, pelo menos, uma das cinco dimensões de gerenciamento de impressões
selecionadas no estudo piloto;
- 3,5% dos participantes atribuíram algum adjetivo
às postagens dos amigos.
Conclusão parcial: as dimensões propostas geralmente
capturam as impressões das pessoas sobre a maioria dos tipos de atualização de
status no Facebook.
- Curiosamente, os usuários associaram às dimensões
propostas apenas 45% de suas próprias atualizações.
- Dos 55% dos conteúdos restantes, apenas 5,7% receberam
um adjetivo.
Conclusão parcial: há uma indicação inicial de que
pode haver uma lacuna entre as impressões que as pessoas acreditam deixar
escapar e as impressões que eles formam sobre os outros.
Olhando-se os dois casos explicitados acima,
nota-se que as dimensões mais associadas foram ‘divertido – chato’ para
classificar conteúdos dos amigos e ‘legal – não legal’ para classificar as próprias
postagens. Como tiveram mais destaque, esses espectros podem capturar as
dimensões que a percepção dos usuários mais vêem como ‘bem sucedidas’ no
Facebook.
Tópico 05: Alinhamento das impressões dadas e ‘soltas’
Para os autores, o ponto crucial é questionar se as
impressões que as pessoas acham que estão passando estão alinhadas com as
impressões que os outros formam sobre elas. Para responder a esse
questionamento, o artigo comparou como as pessoas avaliaram a si mesmas e aos
outros nas cinco dimensões. Em média, pessoas viram as atualizações dos outros
positivamente nas cinco dimensões, exceto uma (os usuários deixariam escapar
uma impressão em que se veem como ‘importantes’). Quando julgando os próprios
conteúdos compartilhados, por outro lado, os usuários se viram mais
apreciadores do que críticos. Outros dados não foram significantes.
Tópico 06: Construção da Fachada que provoca uma
resposta
Próximo à conclusão do artigo, os autores relataram
que houve um interesse de ver quais tipos de atualizações provocaram mais
retornos no Facebook, em forma de comentários e ‘curtir’. Observou-se que os
conteúdos mais curtidos foram aqueles percebidos como mais divertidos, em
detrimento dos mais chatos. Da mesma forma, os que foram vistos como mais
depressivos geraram mais comentários do que os elevadores.
Tópico 07: Conclusão
Embora o escopo de estudo tenha sido limitado, o
trabalho inicial forneceu alguns esclarecimentos sobre o jogo do gerenciamento
de impressões realizado a partir das atualizações do Facebook. A prevalência de
conteúdos legais e divertidos sugere que essas dimensões são as mais bem
sucedidas na construção de fachada nos sites de redes sociais, o que é reforçado
pela tendência deles de atrair mais comentários do que outros tipos de
postagens. Notou-se que indivíduos subestimam como alguns elementos os fazem
parecer ‘importantes’. Conclui que pessoas precisam andar por uma linha estrita
entre as impressões que eles dão e as que eles entregam.
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