MARWICK, A.; BOYD, D. I tweet honestly, I
tweet passionately: Twitter users, context collapse, and the imagined
audience.(2010)
Karla Freitas
Danah
Boyd: é PhD pela
School of Information (iSchool) na University of California-Berkeley),
pesquisadora sênior na Microsoft Research, professora assistente de Mídia,
Cultura e Comunicação na New York University e pesquisadora visitante na
Havard’s Berkman Centers.
Alice
E. Marwick: é PhD
pelo Departamento de Mídia, Cultura e Comunicação da Universidade de Nova York
(2010) e pesquisadora na Microsoft Research New England in Cambridge, MA.
Objetivos:
O artigo
investiga como os produtores de conteúdo navegam em “audiências imaginadas no
Twitter. Entendendo as diferentes técnicas utilizadas, incluindo alcançar
diferentes audiências, ocultar assuntos e manter a autenticidade.
1) Introdução
Os
indivíduos comportam-se diferentemente de acordo com o contexto social em que
estão inseridos. As autoras probletizam como gerenciar a autoapresentação
adequada em ambientes de comunicação mediada, já que nestes existem multiplos
contextos que agregam audiências go distintas. O artigo examina como os
usuários do Twitter imaginam sua audiência e quais estratégias eles usam para
navegar por audiências em rede.
2)
Imaginando a audiência online
Todo
participante num ato comunicativo tem uma audiência imaginada. As tecnologias
complicaram a metafora de espaço (onde a audiência está), incluindo a crença de
que as audiências estariam separadas umas das outras.
As
autoras apresentam o trabalho inicial de Joshua Meyrowitz (No sense of Place,
1985) no qual aplica a teoria situacionista para s mudanças trazidas pelos
meios eletrônicos como televisão e radio. Teoriza que tais meios eliminam as
barreiras entre situações de separação social contribuindo para a rápida
mudança social característica dos Estados Unidos dos anos 60.
Boyd e
Marwick utilizaram os estudos de Papacharissi(2002), Schau and Gilly(2003) e
Robinson(2007) para descrever características das homepages como controle da
performance através da auto-apresentação; audiência ilimitada e indefinida e
generalização do outro, tais características tornam as home mais isoladas que
os blogs que presumem contínua comunicação com a audiência. Abordam o caso dos
sites de encontros, nos quais as pessoas estão altamente conscientes da
audiência e constroem seus anúncios pessoais com alto nível de
self-consciousness (autoconsciência), já que sabem que serão examinados por
seus pretendentes.
As
autoras enxergam semelhanças entre as redes sociais e os sites de encontros, a
partir da possibilidade de selecionarem suas preferências baseados na audiência
imaginada dos amigos e pares. Citam o estudo de gostos culturais (Liu, 2007)
que diz que participantes de redes sociais online listam suas preferências a
fim de transmitir prestígio, singularidade ou preferência estética.
3)
Twitter
Neste
tópico as autoras se propõem a descrever o Twitter, no qual os usuários são
incentivados constantemente a criar um update em sua linha do tempo através de
pequenas mensagens com temas que circulam do humor até as notícias. O Twitter
possui uma direção ao modelo de amizade: os participantes escolher contas do twitter para seguir em seu fluxo, e cada um tem seu
próprio grupo de seguidores.
a)
Twitter e audiência
No
Twitter existe uma desconexão entre seguidores e seguidos. Alguns têm inúmeros
seguidores enquanto seguem poucos participantes. É importante lembrar que a
quantidade de seguidores não é garantia de audiência, sendo apenas uma
audiência potencial. Um modo de ampliar sua audiência e possivelmente o número
de seguidores no Twitter é a retransmissão das mensagens (retweeting). As
mensagens retwitadas frequentemente são alteradas e podem perder a referência
com a original. As autoras destacam que sem conhecimento específico sobre sua
audiência os participantes do Twitter a imaginam.
4)
Como usuários do Twitter imaginam as audiências
a)
Metodologia
As
autoras explicam a metodologia utilizada para realização da pesquisa. Marwick e
Boyd postaram questões para seus seguidores e para alguns participantes do
Twitter que estavam na timeline pública. As duas questões iniciais foram: “Quem
você imagina lendo seus tweets?” e “Para quem você twita?”, em seguida foi
questionado: “O que faz um indivíduo ser autêntico no Twitter?” e “Sobre o que
você não twitaria? Quais assuntos são inapropriados para o Twitter?”.
Elas
receberam 226 respostas de 181 usuários do Twitter, através de DM’s( mensagens
diretas) ou de @replies. As respostas revelaram diferentes perspectivas
da audiência e as pesquisadoras perceberam que não tinham como acessar quantas
pessoas viram seus tweets.
b)
Com quem estou falando?
Os
informantes da pesquisa conceituaram sua audiência no Twitter das mais diversas
e variadas maneiras. A maioria das respostas recebidas focavam em categorias
abstratas de pessoas (‘amigos’), fãs (seguidores) e alguns focavam em si
mesmos.
A partir
das respostas obtidas, as autoras problematizam a existência de uma sobrecarga
ao termo “amigo” nas midias sociais e sobre o conceito do Twitter como um
espaço social para se comunicar com amigos pré-existentes. Para os que enxergam
eles mesmos como audiência notam
diferentes comportamentos: aqueles que fazem de seus tweets uma narrativa
diária ou os que utilizam para expressar suas opiniões. Na página 6, Marwick e Boyd seguem analisando tweets agora
sob a perspectiva da autenticidade e concluem o tópico destacando que a
audiência ideal frequentemente é uma imagem-espelho do usuário.
c)
Audiências estratégicas
Em
contraste com as noções gerais de audiências imaginadas, usuários do Twitter
com numerosos seguidores expressam um entendimento pragmático de sua audiência.
Alguns mencionam amigos, família e colegas de trabalho enquanto outros que
chegam aos 100.000 seguidores sugerem que sua audiência é composta por uma base
de fãs ou comunidade. As autoras fazem uma aproximação desses casos com o
conceito de “micro-celebridade” descrito por Senft(2008) como uma técnica
comunicativa que envolve pessoas e amplia sua popularidade na Web por meio de
vídeos, blogs e sites de rede social.
Marwick e Boyd concluem falando sobre a variedade das audiências imaginadas e
que essa variedade se dá por conta das diversas apropriações que os
participantes fazem do Twitter.
5)
Navegando em audiências múltiplas
a) A
necessidade de navegar
Igualmente
a maioria dos sites de rede social, o Twitter achata múltiplas audiências em
uma - um
fenômeno conhecido como "colapso de contexto". Os
usuários do Twitter gerenciam audiências múltiplas e sobrepostas
estrategicamente, escondendo informações, direcionando os tweets para
diferentes públicos e tentando retratar um self autêntico e uma personalidade
interessante. Mas porque os usuários precisam navegar nessa multiplicidade? As
autoras utilizam conceitos de Goffman (1959) para explicar a construção da
identidade como uma performance contínua e a auto-apresentação como um processo
colaborativo. Enfim, os indivíduos trabalham juntos para manter suas
auto-imagens preferenciais e seus parceiros de conversação, através de
estratégias como a manutenção da face, encorajando coletivamente normas sociais
ou negociando diferenciais e divergências de poder.
b) Equilibrando
expectativas da Audiência
Segundo
as autoras, a audiência imaginada afeta como as pessoas twittam. Os
participantes devem manter o equilíbrio entre uma norma social contextual de
autenticidade pessoal que encoraja a partilha de informação e a comunicação
fática. A tensão entre revelando e ocultando
geralmente erra no lado de ocultar no Twitter, mas mesmo usuários que não
postam nada muito escandaloso devem formular tweets e escolher os tópicos de
discussão com base em julgamento da audiência imaginária. Estas escolhas
implicam no gerenciamento das impressões positivas e na necessidade de parecer
autentico.
c)
Auto-censura
A auto-censura pode ser uma técnica útil para uma face
voltada a uma audiência imaginada que inclui pais, empregadores e outros
significativos. Alguns
participantes do Twitter mantêm uma face pública pessoal para gerenciar as
impressões com potenciais leitores. Preocupações de trabalho influenciam
o que as pessoas twittam bem como sobre o que eles se auto-censuram. Essa
relação de contexto colapsado e auto-censura pode enquadrar twitter como um
lugar onde as mais rigorosas normas aplicam-se.
d) Equilibrio
A partir da analise de discursos de usuários do Twitter,
as autoras tratam da dificuldade de manter certo equilibrio no gereciamento de
impressão quando se é constamente
monitorado e precisa corresponder as mais diversas expectativas por
parte de seguidores, além de demonstrar certa autenticidade.
6) Da difusão a rede
Neste ultimo tópico, Marwick e Boyd argumentam
que o Twitter é um exemplo de tecnologia com uma audiência em rede e em sites
como Twitter e Facebook, os contextos sociais que se imaginava como separados
co-existem como as partes da rede. Os indivíduos aprendem a gerenciar as
tensões que envolvem esses ambientes de contexto colapsado (a exemplo conceitos
como público e privado), além de técnicas para ganhar visibilidade. A audiência
em rede cria novas oportunidades para conexões, bem como novas tensões e co
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