segunda-feira, 11 de março de 2013

Fichamento - Aula 13


MARWICK, A.; BOYD, D. I tweet honestly, I tweet passionately: Twitter users, context collapse, and the imagined audience.(2010)

Karla Freitas

Danah Boyd: é PhD pela School of Information (iSchool) na University of California-Berkeley), pesquisadora sênior na Microsoft Research, professora assistente de Mídia, Cultura e Comunicação na New York University e pesquisadora visitante na Havard’s Berkman Centers.

Alice E. Marwick: é PhD pelo Departamento de Mídia, Cultura e Comunicação da Universidade de Nova York (2010) e pesquisadora na Microsoft Research New England in Cambridge, MA.

Objetivos: O artigo investiga como os produtores de conteúdo navegam em “audiências imaginadas no Twitter. Entendendo as diferentes técnicas utilizadas, incluindo alcançar diferentes audiências, ocultar assuntos e manter a autenticidade.

1) Introdução
Os indivíduos comportam-se diferentemente de acordo com o contexto social em que estão inseridos. As autoras probletizam como gerenciar a autoapresentação adequada em ambientes de comunicação mediada, já que nestes existem multiplos contextos que agregam audiências go distintas. O artigo examina como os usuários do Twitter imaginam sua audiência e quais estratégias eles usam para navegar por audiências em rede.

2) Imaginando a audiência online
Todo participante num ato comunicativo tem uma audiência imaginada. As tecnologias complicaram a metafora de espaço (onde a audiência está), incluindo a crença de que as audiências estariam separadas umas das outras.
As autoras apresentam o trabalho inicial de Joshua Meyrowitz (No sense of Place, 1985) no qual aplica a teoria situacionista para s mudanças trazidas pelos meios eletrônicos como televisão e radio. Teoriza que tais meios eliminam as barreiras entre situações de separação social contribuindo para a rápida mudança social característica dos Estados Unidos dos anos 60.
Boyd e Marwick utilizaram os estudos de Papacharissi(2002), Schau and Gilly(2003) e Robinson(2007) para descrever características das homepages como controle da performance através da auto-apresentação; audiência ilimitada e indefinida e generalização do outro, tais características tornam as home mais isoladas que os blogs que presumem contínua comunicação com a audiência. Abordam o caso dos sites de encontros, nos quais as pessoas estão altamente conscientes da audiência e constroem seus anúncios pessoais com alto nível de self-consciousness (autoconsciência), já que sabem que serão examinados por seus pretendentes.
As autoras enxergam semelhanças entre as redes sociais e os sites de encontros, a partir da possibilidade de selecionarem suas preferências baseados na audiência imaginada dos amigos e pares. Citam o estudo de gostos culturais (Liu, 2007) que diz que participantes de redes sociais online listam suas preferências a fim de transmitir prestígio, singularidade ou preferência estética.

3) Twitter
Neste tópico as autoras se propõem a descrever o Twitter, no qual os usuários são incentivados constantemente a criar um update em sua linha do tempo através de pequenas mensagens com temas que circulam do humor até as notícias. O Twitter possui uma direção ao modelo de amizade: os participantes escolher contas do twitter para seguir em seu fluxo, e cada um tem seu próprio grupo de seguidores.

a) Twitter e audiência
No Twitter existe uma desconexão entre seguidores e seguidos. Alguns têm inúmeros seguidores enquanto seguem poucos participantes. É importante lembrar que a quantidade de seguidores não é garantia de audiência, sendo apenas uma audiência potencial. Um modo de ampliar sua audiência e possivelmente o número de seguidores no Twitter é a retransmissão das mensagens (retweeting). As mensagens retwitadas frequentemente são alteradas e podem perder a referência com a original. As autoras destacam que sem conhecimento específico sobre sua audiência os participantes do Twitter a imaginam.

4) Como usuários do Twitter imaginam as audiências
a) Metodologia
As autoras explicam a metodologia utilizada para realização da pesquisa. Marwick e Boyd postaram questões para seus seguidores e para alguns participantes do Twitter que estavam na timeline pública. As duas questões iniciais foram: “Quem você imagina lendo seus tweets?” e “Para quem você twita?”, em seguida foi questionado: “O que faz um indivíduo ser autêntico no Twitter?” e “Sobre o que você não twitaria? Quais assuntos são inapropriados para o Twitter?”.
Elas receberam 226 respostas de 181 usuários do Twitter, através de DM’s( mensagens diretas) ou de @replies. As respostas revelaram diferentes perspectivas da audiência e as pesquisadoras perceberam que não tinham como acessar quantas pessoas viram seus tweets.
b) Com quem estou falando?
Os informantes da pesquisa conceituaram sua audiência no Twitter das mais diversas e variadas maneiras. A maioria das respostas recebidas focavam em categorias abstratas de pessoas (‘amigos’), fãs (seguidores) e alguns focavam em si mesmos.
A partir das respostas obtidas, as autoras problematizam a existência de uma sobrecarga ao termo “amigo” nas midias sociais e sobre o conceito do Twitter como um espaço social para se comunicar com amigos pré-existentes. Para os que enxergam eles mesmos como  audiência notam diferentes comportamentos: aqueles que fazem de seus tweets uma narrativa diária ou os que utilizam para expressar suas opiniões. Na página 6,  Marwick e Boyd seguem analisando tweets agora sob a perspectiva da autenticidade e concluem o tópico destacando que a audiência ideal frequentemente é uma imagem-espelho do usuário.
c) Audiências estratégicas
Em contraste com as noções gerais de audiências imaginadas, usuários do Twitter com numerosos seguidores expressam um entendimento pragmático de sua audiência. Alguns mencionam amigos, família e colegas de trabalho enquanto outros que chegam aos 100.000 seguidores sugerem que sua audiência é composta por uma base de fãs ou comunidade. As autoras fazem uma aproximação desses casos com o conceito de “micro-celebridade” descrito por Senft(2008) como uma técnica comunicativa que envolve pessoas e amplia sua popularidade na Web por meio de vídeos,  blogs e sites de rede social. Marwick e Boyd concluem falando sobre a variedade das audiências imaginadas e que essa variedade se dá por conta das diversas apropriações que os participantes fazem do Twitter.

5) Navegando em audiências múltiplas
a) A necessidade de navegar
Igualmente a maioria dos sites de rede social, o Twitter achata múltiplas audiências em uma - um fenômeno conhecido como "colapso de contexto". Os usuários do Twitter gerenciam audiências múltiplas e sobrepostas estrategicamente, escondendo informações, direcionando os tweets para diferentes públicos e tentando retratar  um self autêntico e uma personalidade interessante. Mas porque os usuários precisam navegar nessa multiplicidade? As autoras utilizam conceitos de Goffman (1959) para explicar a construção da identidade como uma performance contínua e a auto-apresentação como um processo colaborativo. Enfim, os indivíduos trabalham juntos para manter suas auto-imagens preferenciais e seus parceiros de conversação, através de estratégias como a manutenção da face, encorajando coletivamente normas sociais ou negociando diferenciais e divergências de poder.
b) Equilibrando expectativas da Audiência
Segundo as autoras, a audiência imaginada afeta como as pessoas twittam. Os participantes devem manter o equilíbrio entre uma norma social contextual de autenticidade pessoal que encoraja a partilha de informação e a comunicação fática.  A tensão entre revelando e ocultando geralmente erra no lado de ocultar no Twitter, mas mesmo usuários que não postam nada muito escandaloso devem formular tweets e escolher os tópicos de discussão com base em julgamento da audiência imaginária. Estas escolhas implicam no gerenciamento das impressões positivas e na necessidade de parecer autentico.
c) Auto-censura
A auto-censura pode ser uma técnica útil para uma face voltada a uma audiência imaginada que inclui pais, empregadores e outros significativos.  Alguns participantes do Twitter mantêm uma face pública pessoal para gerenciar as impressões com potenciais leitores. Preocupações de trabalho influenciam o que as pessoas twittam bem como sobre o que eles se auto-censuram. Essa relação de contexto colapsado e auto-censura pode enquadrar twitter como um lugar onde as mais rigorosas normas aplicam-se.
d) Equilibrio
A partir da analise de discursos de usuários do Twitter, as autoras tratam da dificuldade de manter certo equilibrio no gereciamento de impressão quando se é constamente  monitorado e precisa corresponder as mais diversas expectativas por parte de  seguidores,  além de demonstrar certa autenticidade.
6) Da difusão a rede
Neste ultimo tópico, Marwick e Boyd argumentam que o Twitter é um exemplo de tecnologia com uma audiência em rede e em sites como Twitter e Facebook, os contextos sociais que se imaginava como separados co-existem como as partes da rede. Os indivíduos aprendem a gerenciar as tensões que envolvem esses ambientes de contexto colapsado (a exemplo conceitos como público e privado), além de técnicas para ganhar visibilidade. A audiência em rede cria novas oportunidades para conexões, bem como novas tensões e co

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