WESTERMAN, David; HEIDE, Brandon; KLEIN, Katherine; WALTHER, Joseph. How do people really seek information about others?: Information seeking across Internet and traditional communication channels. Journal of Computer-Mediated Communication, v.13, 2008 (p.751 - 767).
FICHAMENTO | Por Lisianne Barberino
Autores:
David Westerman é professor assistente Ph.D. na Universidade
Estadual de Michigan-Ma (USA). Sua área de atuação é em Comunicação de
Massa e Comunicação Mediada por Computador.
Brandon Van der Heide
é doutor pela Universidade Estadual de Michigan (EUA) e professor assistente na
Escola de Comunicação da Universidade Estadual de Ohio. Pesquisa as formas de
interação mediada por computador, tendo como foco o modo como às pessoas formam
e administram impressões a respeito das outras através das tecnologias de
comunicação.
Katherine A. Klein
é doutora pela Universidade do Texas (EUA) e professora na Universidade da
Pensilvânia. Possui pesquisa nas áreas de liderança e psicologia
organizacional, grupos e redes sociais, implementação e inovação tecnológica.
Joseph Walther é
professor no Departamento de Comunicação e no Departamento de Telecomunicações,
Estudos de Informação e Media. Suas pesquisas são focadas n a dinâmica da
comunicação mediada por computador e no impacto da internet nas relações
interpessoais.
Objetivo do artigo: Investigar
a maneira como os indivíduos
utilizam os diferentes meios de comunicação no processo de busca de informação
interpessoal. Com base na teoria de
Stephens (2007) sobre os usos das Tecnologias de Informação e Comunicação,
buscou-se classificar os tipos de usos e quais os canais empregados pelos
indivíduos na busca por informações a respeitos de pessoas em diferentes tipos
de relacionamento. A partir da aplicação de questionários com cerca de duzentos
participantes, os autores examinam o papel dos sites de redes sociais nesse
processo de busca, assim como suas
implicações teóricas e apontam direções para pesquisas futuras.
Argumentação Central:
A partir da questão de como as pessoas buscam informações sobre outras
através da internet e dos meios de comunicação tradicionais, os autores
sustentam a hipótese que alguns relacionamentos contemporâneos ultrapassam as
teorias comumente utlizadas para fazer previsões sobre eles. Tal pesquisa, alerta para o fato de que o
número reduzido de análises descritivas sobre o assunto aponta uma lacuna na
literatura sobre Comunicação Mediada por Computador (CMC). Ainda segundo os
pesquisadores, embora haja um número cada vez maior de canais disponíveis para
a comunicação, é pequeno o número de estudos sobre o que leva as pessoas a
escolherem determinados canais para alcançar certos objetos interpessoais.
Antes de responder à pergunta inicial, a pesquisa analisa a Teoria da Redução
da Incerteza (URT) proposta por Berger & Calabrese (1975).
Tópico 1 - Teoria da
Redução da Incerteza (URT): Um dos objetivos interpessoais mais básicos é o
de reduzir as incertezas sobre os outros, que durante a formação de impressões,
pode ser visto como um processo do gerenciamento de impressões. A teoria da
redução de incerteza tenta explicar e prever como as pessoas formam suas
impressões a respeito dos outros e foca no processo inicial de comunicação
interpessoal. O argumento central da URT é que a principal preocupação quando as
pessoas se conhecem é reduzir as incertezas a respeito delas e dos outros, a
fim de aumentar a previsibilidade sobre o comportamento, tanto de si, quanto
dos outros. A teoria sustenta que em situações onde um indivíduo não tem
certeza sobre o outro, existirão as tentativas individuais de buscar
informações pertencentes a esse ambiente específico para reduzir a ambiguidade
sobre a situação. Apesar de ter sido originalmente formulada para analisar a
interação interpessoal inicial, a URT tem sido aplicada em diferentes níveis de
interação e em diversos tipos de relacionamento, já que as incertezas podem
ocorrer em qualquer estágio interacional e mesmo em relacionamentos mais
próximos. A necessidade de redução de incertezas sobre os outros não desaparece
uma vez que se cria intimidade, mas, ao contrário, é um constante processo, ora
de aumento, ora de redução dessas incertezas.
Tópico 2 - ICT Teoria
da Sucessão: Stephens (2007) oferece
um modelo de como a escolha do canal ocorre como um processo, ao invés de focar
no uso separado de canais individuais. Como parte desse modelo, Stephens sugere
que tarefas podem ser melhores cumpridas utilizando diferentes canais, ou
diferentes padrões de uso de canais. O modelo é articulado para uso com tarefas
de organização, e se baseia em uma lista de tarefas identificadas anteriormente
por Flanagin e Metzger (2001). Os autores apresentam as duas hipóteses já
citadas na introdução da pesquisa. H1: Canais que permitem que indivíduo
anonimamente busque informações sobre um alvo serão utilizados mais
frequentemente quando este alvo for menos conhecido por quem pesquisa; H2: Canais que exigem que o indivíduo seja
identificável a um alvo serão utilizados mais frequentemente quando este alvo for
mais conhecido por quem pesquisa. A partir deste quadro, é oferecida uma
terceira hipótese: de que os canais que combinam determinados atributos (como
os sites de redes sociais: Facebook, MySpace) serão utilizados para conhecer
alvos mais ou menos conhecidos. O modelo oferece proposições testáveis
específicas sobre o uso diferencial de canais para atingir vários objetivos
enquanto as relações entre as pessoas se desenvolvem.
Tópico 3 – Método:
O texto descreve o público participante (idade, genero, ancestralidade), o
procedimento e as medidas utilizadas.
Tópico 4 -
Resultados: Os dados coletados com a pesquisa comprovaram as três hipóteses
levantadas pelos autores. Os indivíduos são mais propensos a usar canais que
lhes permitem manter o anonimato para procurar informações sobre alvos menos conhecidos;
quando se busca informações sobre alvos mais conhecidos, os indivíduos são mais
propensos utilizar os canais em que são identificáveis; e canais que combinam
ambos os tipos de possibilidade, como os sites de redes sociais, serão
utilizados para buscar informações sobre os alvos mais e menos conhecidos. Embora a utilidade de grupos de canais seja
consistente com a hipótese, estas previsões dizem pouco sobre o quão útil cada
canal realmente é. Os canais que as pessoas geralmente relatam como não sendo
úteis para buscar informações sobre os outros, não importando a relação entre o
alvo e que pesquisa inclui blogs, cartas e mensagens de texto. Apesar de blogs
serem considerados semelhantes aos meios de comunicação que permitem a uma
pessoa procurar informações sobre outra pessoa anonimamente, a pesquisa indica que
o público de um blog em sua maioria é composto por amigos e familiares de quem
escreve.(Lenhart & Fox, 2006). Entretanto, existem canais que são mais
úteis para obter informações sociais buscando entre alvos relacionais. Nessa
categoria estão incluídas mensagens instantâneas (sms) e usar outra pessoa para
obter a informação desejada. Sites de redes sociais, como o Facebook e MySpace
são considerados úteis, exceto para buscar informações sobre membros da
família. Isso pode ser explicado pelo fato de que esses sites são
principalmente utilizados por estudantes do ensino médio e universitários,
embora sua popularidade tenha recentemente estendido seu uso a outras
populações. Portanto, muitos desses
familiares ainda não tinham uma presença marcante nesses sites. Pesquisas
futuras poderiam examinar por que sites de redes sociais são utilizados e como
as pessoas formam impressões sobre os outros a partir deles.
Tópico 5 - Implicações Teóricas: Apesar de a Teoria da Sucessão de Stephens
(2007) ter sido desenvolvida com foco nas tarefas organizacionais, sua
aplicação às relações interpessoais se mostrou bastante útil, ainda que tal
aplicabilidade deixe questionamentos. Essa abordagem pode ajudar a explicar
qual canal pode ser utilizado na busca por informação interpessoal desde que
seja feita uma reflexão anterior. O estudo analisa especificamente o uso de
diferentes canais para uma tarefa que é ao mesmo tempo pessoal e informativa:
aprender algo sobre alguém.
Tópico 6 - Limitações e
Direcionamentos Futuros: Tal como acontece em outros
estudos, a pesquisas atual tem limitações, e uma delas é sobre a
tentativa de medir probabilidades. Os 220 participantes foram solicitados a
classificar a probabilidade de uso de cada canal para obter informações sobre
uma variedade de pessoas diferentes. Embora este método seja útil, pode não
refletir com precisão o comportamento dos participantes. Há outras maneiras de
medir tal participação e comportamento, em vez de classificações hipotéticas,
as pessoas poderiam recordar experiências já vividas na busca por informações
interpessoais, ou através da observação de experimentos nos quais as pessoas
seriam solicitadas a encontrar informações sobre determinadas pessoas, a partir
de algumas opções de canais. Outra possível limitação do presente estudo é a
amostra utilizada. Embora seja interessante perguntar a estudantes
universitários como uma variedade de canais é usada para aprender sobre os
outros, seria necessário examinar esses padrões também em grupos diferentes.
Tópico 7 - Conclusão: A presente pesquisa é uma tentativa
inicial de entender a maneira pela qual os indivíduos usam uma variedade de
canais disponíveis no processo de busca
de informação sobre os outros. Os dados sugerem que as pessoas usam uma
variedade de métodos, e que estes métodos diferem em relação ao tipo de alvo
sobre o qual se está buscando informações. O estudo aponta para a necessidade
de refinamento teórico para a redução da incerteza nos relacionamentos em
relação ao uso da internet e de outros canais. Ele também destaca a necessidade
de estabelecer os limites das principais teorias na Comunicação Mediada por
Computado e aponta que será de grande utilidade direcionar futuras pesquisas
para responder tais questões teóricas.
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