Relacionadas ao texto: MARWICK, A.; BOYD, D. I tweet honestly, I tweet passionately: Twitter users, context collapse, and the imagined audience.(2010)
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Paulo Victor
Na página 6, comenta-se que se
pode usar o Twitter para construir uma metanarrativa do eu. Considerar a
ocorrência de uma metanarrativa (ou meta-imagem, como também falam os autores)
não abriria espaço para a idealização de um eu? Como problematizar essa questão
segundo uma abordagem relacional? Há lugar para tanto?
A expressão "colapso de
contexto" é compreendida como o achatamento das diversas camadas de
audiência em uma indistinta massa (p. 9). Até onde podemos sustentar que é tal
colapso o problema real a girar em torno do que chamamos de privacidade? A
manutenção do que é privativo não seria de certa forma sempre ilusória? Não
seria a separação (e manutenção) de contextos o que realmente equivaleria à
ideia privativo?
Andrea
Os pesquisadores optaram por enviar as
perguntas de pesquisa via twitter. De que forma as respostas às questões,
também ficando disponíveis para todo o público (e não apenas para os
pesquisadores), não sofreram influência dessa expectativa de uma audiência
imaginada?
Esta busca pela formula do sucesso na
internet, do que vai interessar, do que vai chamar a atenção das pessoas parece
ser uma prática comum no twitter, embora haja bastante dinâmica e
imprevisibilidade nesse meio. De que forma essa busca emplacar ou por atender a
múltiplas audiências, ou mesmo a audiências específicas não exclui a
possibilidade de se pensar em autenticidade? E ainda que nem todos os usuários
tenham essa intencionalidade, o uso de tantos recursos e de edições por si
mesmo já não colocaria em questão essa discussão? O que seria ser autêntico
nessas redes?
Bianca
Marwick e Boyd afirmam que,
existe uma necessidade dos indivíduos de diversificar as apresentações de si, e
estas são complexificadas pelo crescimento das mídias sociais. Porém, será que
postar informações em sites de redes sociais não estaria convergindo atualmente
para uma única forma de auto apresentação? Será que a partir desses espaços, o
indivíduo está tendo a necessidade de unificar seu discurso e
comportamento?
É possível que uma pessoa que
utilize o Twitter varie sua auto-apresentação baseada na expectativa dos outros
usuários?
Ao longo do texto, os autores
discutem que normalmente o e-mail é usado para fins privados enquanto o Twitter
é utilizado de forma pública. Nesse contexto de relações mediadas pelo
computador, o que pode ser considerado público e privado? Será que essas
definições não precisam ser reavaliadas?
Lisi
Marwick e Boyd afirmam que o crescimento
das midias sociais complexifica a necessidade que os indivíduos possuem para
diversificar auto-apresentações, já que tais midias levam ao colapso a
existencia dos multiplos contextos e unem diferentes audiências. A partir dessa
afirmação, surge a questão: A
diversidade da audiência nas redes sociais
altera de fato nosso processo de auto-apresentação? No dia a dia não
tendemos a simplificar e homogeneizar nossa audiência imaginada?
Por outro lado, se tivéssemos consciência a todo instante da complexidade dessa audiências imaginadas, quais seriam os desafios para o gerenciamento de impressões? Os usuários de tais redes não acabariam ficando engessados e pouco criativos em suas postagens?
Diogo
O Twitter pode ser
uma ferramenta interessante para pessoas com dificuldades para interagir
socialmente face-a-face. Será que esta ferramenta pode ser utilizada para
propor algum tipo de tratamento com respeito a baixa auto-estima ou isolamento
social? Ou será que direcionar um desenvolvimento terapêutico desta forma
poderia "piorar" o quadro a médio e longo prazo, visto que o sujeito
não desenvolve, de fato, as habilidades que lhe faltam?
O que de fato é autenticidade? Partindo da premissa de que o contexto influencia grandemente em como as pessoas se apresentam, ou seja, que influenciam inclusive se elas vão dar informações sobre si mesmas em maior ou menor quantidade, precisas ou imprecisas, não seria o foco da análise o contexto e não o nível (ou a existência) de autenticidade da pessoa em questão? Não será mais útil, em termos de conhecimento teórico e previsão científica, analisar a relação dos sujeitos com diferentes contextos e como essa história de relações, juntamente com a exposição a novos contextos, modifica a sua forma de apresentação?
Aline
Em relação ao tipo de
comunicação realizada no twitter, os textos publicados seriam expressões
autênticas e espontâneas dos usuários ou uma auto-promoção, uma consciente
mercantilização própria, como cita Marwick e Boyd?
Segundo o texto, a
pergunta que se faz no ambiente do twitter é “o que você está fazendo?”. Um dos
sujeitos da pesquisa relatou que considera o twitter como um “diário”. Levando
em consideração tais fatos, como podemos pensar o desejo de ‘publicar’nossa
vida e nossos pensamentos?
Felippe
No trabalho em questão Marwick e
boyd constatam que um profile bem sucedido é aquele que consegue antecipar as
expectativas de sua audiência, produzindo mensagens que sejam atraentes para
tal público. Por outro lado, como pensamos o papel que o deboche, o sarcasmo, a
ironia, enfim, os personagens anti-páticos neste contexto? Esta anti-patia já
não adquire um status próprio de pathos justamente no momento em
que nega uma postura mais "politicamente correta"?
Comumente, no caso de pessoas
com reconhecido prestígio em determinados círculos, a quantidade de seguidores
é maior que aqueles que são seguidos - Luciano Huck, por exemplo, possui
6.450.692 seguidores e segue somente 336 usuários. Discrepâncias desta natureza
podem ser pensadas como moeda, se levarmos em consideração o conceito de
capital social?
Iris
As autoras do artigo
sugerem que existe uma necessidade dos usuários do twitter buscar uma relação
de equivalência entre autenticidade
pessoal e as expectativas da audiência na referida rede. Embora o conceito de
autenticidade seja entendido como uma construção social, o que se pode
compreender como autêntico em um ambiente que potencializa a prática de ser
micro – celebridade, e consequentemente, sugerir que esta auto – apresentação
promova uma percepção social adequada aos padrões existentes no twitter? Será
necessário ressignificar a noção que temos sobre o que é ser autêntico?
Marwick e Boyd relatam no texto que as pessoas usam constantemente diversas maneiras de auto – apresentação devido aos múltiplos contextos existentes nas redes sociais, ocorrendo um “colapso de contexto” dificultando apresentação de uma identidade fixa. As diversas estratégias de auto – apresentação só se fazem presentes nas redes sociais? Não necessitamos destes mesmos mecanismos para desempenharmos nossos papéis em nosso cotidiano?
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