segunda-feira, 11 de março de 2013

Questões - Aula 13

Relacionadas ao texto: MARWICK, A.; BOYD, D. I tweet honestly, I tweet passionately: Twitter users, context collapse, and the imagined audience.(2010)

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Paulo Victor

Na página 6, comenta-se que se pode usar o Twitter para construir uma metanarrativa do eu. Considerar a ocorrência de uma metanarrativa (ou meta-imagem, como também falam os autores) não abriria espaço para a idealização de um eu? Como problematizar essa questão segundo uma abordagem relacional? Há lugar para tanto?

A expressão "colapso de contexto" é compreendida como o achatamento das diversas camadas de audiência em uma indistinta massa (p. 9). Até onde podemos sustentar que é tal colapso o problema real a girar em torno do que chamamos de privacidade? A manutenção do que é privativo não seria de certa forma sempre ilusória? Não seria a separação (e manutenção) de contextos o que realmente equivaleria à ideia privativo?

Andrea

    Os pesquisadores optaram por enviar as perguntas de pesquisa via twitter. De que forma as respostas às questões, também ficando disponíveis para todo o público (e não apenas para os pesquisadores), não sofreram influência dessa expectativa de uma audiência imaginada?
    Esta busca pela formula do sucesso na internet, do que vai interessar, do que vai chamar a atenção das pessoas parece ser uma prática comum no twitter, embora haja bastante dinâmica e imprevisibilidade nesse meio. De que forma essa busca emplacar ou por atender a múltiplas audiências, ou mesmo a audiências específicas não exclui a possibilidade de se pensar em autenticidade? E ainda que nem todos os usuários tenham essa intencionalidade, o uso de tantos recursos e de edições por si mesmo já não colocaria em questão essa discussão? O que seria ser autêntico nessas redes?
Bianca

 Marwick e Boyd afirmam que, existe uma necessidade dos indivíduos de diversificar as apresentações de si, e estas são complexificadas pelo crescimento das mídias sociais. Porém, será que postar informações em sites de redes sociais não estaria convergindo atualmente para uma única forma de auto apresentação? Será que a partir desses espaços, o indivíduo  está tendo a necessidade de unificar seu discurso e comportamento?

É possível que uma pessoa que utilize o Twitter varie sua auto-apresentação baseada na expectativa dos outros usuários? 

Ao longo do texto, os autores discutem que normalmente o e-mail é usado para fins privados enquanto o Twitter é utilizado de forma pública. Nesse contexto de relações mediadas pelo computador, o que pode ser considerado público e privado? Será que essas definições não precisam ser reavaliadas? 

Lisi

      Marwick e Boyd afirmam que o crescimento das midias sociais complexifica a necessidade que os indivíduos possuem para diversificar auto-apresentações, já que tais midias levam ao colapso a existencia dos multiplos contextos e unem diferentes audiências. A partir dessa afirmação, surge a questão:  A diversidade da audiência nas redes sociais  altera de fato nosso processo de auto-apresentação? No dia a dia não tendemos a simplificar e homogeneizar nossa audiência imaginada?
   
    Por outro lado, se tivéssemos consciência a todo instante da complexidade dessa audiências imaginadas,  quais seriam os desafios para o gerenciamento de impressões? Os usuários de tais redes não acabariam ficando engessados e pouco criativos em suas postagens?

Diogo

O Twitter pode ser uma ferramenta interessante para pessoas com dificuldades para interagir socialmente face-a-face. Será que esta ferramenta pode ser utilizada para propor algum tipo de tratamento com respeito a baixa auto-estima ou isolamento social? Ou será que direcionar um desenvolvimento terapêutico desta forma poderia "piorar" o quadro a médio e longo prazo, visto que o sujeito não desenvolve, de fato, as habilidades que lhe faltam?

O que de fato é autenticidade? Partindo da premissa de que o contexto influencia grandemente em como as pessoas se apresentam, ou seja, que influenciam inclusive se elas vão dar informações sobre si mesmas em maior ou menor quantidade, precisas ou imprecisas, não seria o foco da análise o contexto e não o nível (ou a existência) de autenticidade da pessoa em questão? Não será mais útil, em termos de conhecimento teórico e previsão científica, analisar a relação dos sujeitos com diferentes contextos e como essa história de relações, juntamente com a exposição a novos contextos, modifica a sua forma de apresentação?

Aline

Em relação ao tipo de comunicação realizada no twitter, os textos publicados seriam expressões autênticas e espontâneas dos usuários ou uma auto-promoção, uma consciente mercantilização própria, como cita Marwick e Boyd?

Segundo o texto, a pergunta que se faz no ambiente do twitter é “o que você está fazendo?”. Um dos sujeitos da pesquisa relatou que considera o twitter como um “diário”. Levando em consideração tais fatos, como podemos pensar o desejo de ‘publicar’nossa vida e nossos pensamentos?


Felippe


No trabalho em questão Marwick e boyd constatam que um profile bem sucedido é aquele que consegue antecipar as expectativas de sua audiência, produzindo mensagens que sejam atraentes para tal público. Por outro lado, como pensamos o papel que o deboche, o sarcasmo, a ironia, enfim, os personagens anti-páticos neste contexto? Esta anti-patia já não adquire um status próprio de pathos justamente no momento em que nega uma postura mais "politicamente correta"?

Comumente, no caso de pessoas com reconhecido prestígio em determinados círculos, a quantidade de seguidores é maior que aqueles que são seguidos - Luciano Huck, por exemplo, possui 6.450.692 seguidores e segue somente 336 usuários. Discrepâncias desta natureza podem ser pensadas como moeda, se levarmos em consideração o conceito de capital social? 

Iris

As autoras do artigo sugerem que existe uma necessidade dos usuários do twitter buscar uma relação de equivalência  entre autenticidade pessoal e as expectativas da audiência na referida rede. Embora o conceito de autenticidade seja entendido como uma construção social, o que se pode compreender como autêntico em um ambiente que potencializa a prática de ser micro – celebridade, e consequentemente, sugerir que esta auto – apresentação promova uma percepção social adequada aos padrões existentes no twitter? Será necessário ressignificar a noção que temos sobre o que é ser autêntico?

Marwick e Boyd relatam no texto que as pessoas usam constantemente diversas maneiras de auto – apresentação devido aos múltiplos contextos existentes nas redes sociais, ocorrendo um “colapso de contexto” dificultando apresentação de uma identidade fixa. As diversas estratégias de auto – apresentação só se fazem presentes nas redes sociais? Não necessitamos destes mesmos mecanismos para desempenharmos nossos papéis em nosso cotidiano?

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