RAMIREZ, A.; WALTHER, J.; BURGOON, J.; SUNNAFRANK, M..
Information-Seeking Strategies, Uncertainty, and Computer-Mediated
Communication. In Human Communication Research, 28, 2002. (p. 213 – 228)
WESTERMAN, David; HEIDE, Brandon; KLEIN, Katherine;
WALTHER, Joseph. How do people really seek information about others?:
Information seeking across Internet and traditional communication channels. Journal of Computer-Mediated Communication, v.13, 2008
(p.751- 767).
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Andrea
De que forma as
estratégias de autoapresentação, o gerenciamento de impressões e as limitações
técnicas das ferramentas disponíveis na comunicação mediada pelo computador não
estão alterando a forma como conhecemos e “selecionamos” nossos contatos ou
focos de interesse, uma vez que a busca por informações via internet é cada vez
mais difundida e tem se tornado principal meio em muitas situações, sobretudo
sociais?
Em relação à
escolha pela busca passiva e ativa (interativa) por informações sociais parece
variar também em relação às relações estabelecidas previamente com a pessoa
sobre quem se busca informações e sobre a natureza da informação que se busca,
sendo preferível, por exemplo, buscar de forma passiva ou indireta informações
que poderiam ser desconfortáveis para se perguntar diretamente a alguém, a
exemplo do salário. Essas estratégias citadas no texto de Ramirez et al. (2002)
pareceram de alguma forma semelhantes à classificação sugerida por Westerman et
al. (2008) para as relações, cujas categorias influenciariam a escolha do meio
de busca: identificável (email, mensagem), não identificável (blog) ou misto
(redes sociais).
A comunicação
mediada por computador para apresentar uma particularidade, a de ser mais
neutra em relação à intimidade, uma vez que a busca por informações via
mensagem, blogs, fóruns aparecem como uma possibilidade que independe do alvo
da busca e do tipo de relação. Já meios mais tradicionais como telefone, que já
foram utilizados dessa forma, quando não havia outros meios, agora parece ser
dependente da relação que é estabelecida entre quem busca e o alvo.
Por que será que
os blogs pessoais não apareceram como meios interessantes para busca de
informações sobre as pessoas? Fiquei pensando sobre as pessoas que não fazem
parte das redes sociais, eu não tem blog, que ainda são inúmeras, a partir da
leitura desses artigos tive a real impressão de que elas realmente perdem a
existência.
Ambos os textos
trazem de diferentes maneiras a perspectiva de que na verdade enquanto o
objetivo de obter as informações não for atingido os diversos meios de busca
serão utilizados, Westermanet al. (2008) traz como o uso processual, continuado
das ferramentas e Ramirez (2002) como um processo que vai se autorregulando,
buscando diferentes estratégias a medida que os resultados das buscas vão
aparecendo (inicial factorsà emergente factors).
Paulo
Os
autores dizem que, agora, as pessoas podem se utilizar de motores de busca para
descobrirem informações na internet sobre outros indivíduos. Obviamente, vale perguntar:
e como fazíamos tal procedimento antes, sem termos tais mecanismos de busca?
Listas telefônicas dariam alguma pista nesse sentido?
Dando
continuidade à pergunta anterior, o que muda nesse novo cenário é a facilidade
ou a formalidade em torno das buscas? Parece claro que queremos sempre
"pegar no flagra", observar as pessoas em sua informalidade. O
"desenquadramento" das informações pode ser considerado o ponto chave
dessas buscas?
Ao
considerarem a possibilidade de buscar informações anonimamente, sem se dar a
ver ("unindentifiably seek information"), podemos dizer que os
autores, de certa forma, reforçam a ideia de autenticidade? O que há por trás
disso parece ser a capacidade de escrutinar os indivíduos sem que eles se percebam
observados. Até que ponto podemos pensar em seres autênticos aí?
Por
ignorância e menos desconfiança: a URT não parece dar tons muito funcionalistas
à "busca por informações"? Não se podem visitar perfis alheios
simplesmente por uma atitude diletante, como quem "flana" por entre
galerias de rostos? Tudo precisa se resumir a buscas por informações?
Aline
As
ferramentas do Facebook estariam substituindo as do Orkut a nível de busca de
informações sobre os usuários? De que forma os mecanismos de privacidade de
cada ambiente pode influenciar este contexto?
Haveria
uma mudança social do padrão de comportamento dos usuários de redes sociais, de
busca de informações sobre outros usuários para publicações de informações
próprias (auto-apresentação, gerenciamento de impressões, etc)?
As
estratégias de busca de informações pela comunicação mediada por computador
poderiam auxiliar indivíduos que possuem algum tipo de dificuldade em se
comunicar face-a-face (não necessariamente uma patologia), de maneira a
apreender formas de se comunicar nos ambientes virtuais e aplica-las no
contexto off-line?
Como
as tecnologias de imagem (câmeras, vídeos com transmissão em tempo real), cada
vez mais presentes nas redes sociais, modificaram asdificuldades (no que
concerne à imagem e percepção da expressão de sentimentos pelo outro) presentes
nas relações mediadas por computador entre pares, sejam relações amorosas e/ou
de amizade?
Bianca
Westerman, Heide, Klein e Walther
(2008) pontuam ao longo do texto que buscar informações sobre os outros
influencia na formação da impressão e das relações. Porém, é possível pensar na
autenticidade das informações que são encontradas na Internet?
Em relação a essa busca por
informações, é possível afirmar que a Internet pode facilitar uma interação, já
que uma pessoa pode saber tudo sobre um determinado usuário (a) e
posteriomente, se apresentar como alguém que já possui interesses em comum?
Em serviços como o Facebook, no qual
o usuário pode alterar informações postadas anteriormente, isso pode
influenciar a sua forma de auto-apresentação no presente?
Na comunicação mediada por
computador, é possível identificar padrões comportamentais/gestuais ou expectativas
nas interações realizadas nesses espaços?
Felippe
Ramirez
et al., no exercício de revisão dos métodos de adquirir informações dos objetos
nos CMC classificam - baseados em estudos anteriores - estes mesmos métodos em
"ativo", "passivo", "extra-ativo" (p. 220 e 221).
Neste sentido, ressalta que o uso de ferramentas digitais para
"garimpar" as informações desejadas é algo que empodera mais o
observador (técnico habilidoso na utilização destas) que o observado, uma vez que
parte destas informações podem ser adquiridas sem o conhecimento do último.
Podemos pensar em uma reconfiguração dos métodos de pesquisa nas ciências
humanas, de modo que a lente adotada para observar fenômenos sociais é tanto
humana quanto maquínica?
Ainda no
tocante à questão anterior, quais as implicações para o campo teórico de
tamanha exatidão no levantamento de dados? Os pesquisadores sociais poderiam
ser renomeados "interpretadores de dados"? Quais os pontos positivos
e quais os pontos negativos na utilização destas ferramentas?
Os
autores, na discussão dos resultados obtidos com a survey, afirmam que,
conforme esperado, a utilização de cartas para obtenção de informação não é
mais preferível. Por outro lado, surpreendem-se ao notar que, apesar de os
blogs se assemelharem aos mass media, eles objetivam os círculos sociais mais
próximos dos usuários como público alvo. Ainda evidenciam a carência de
evidências que levariam a uma possível conjectura do motivo pelo qual os blogs
não são utilizados pelos participantes da survey como meio de obtenção de
informação dos demais. Poderíamos supor que o fato de os blogs serem menos
utilizados se deve, justamente, à sua composição textual? Seria a preferência
por meios como facebook e twitter um indício de uma relação mais fugidia com a
leitura? A velocidade destes meios e a instantaneidade, características dos
tempos hodiernos, se apresentam com maior evidência nos posts de 140 caracteres
e suas consequentes interpretações?
Os
próprios autores apontam entre as limitações deste estudo a categorização
simplista entre "less known" e "well known" no que toca aos
grupos de relacionamento que os respondentes possuem. Tal classificação é um
sintoma do impacto da velocidade sobre os próprios pesquisadores? Não seria
esta própria lógica de produção acadêmica um reflexo daquilo que é
"criticado" nos papers? Como podemos, de fato - e com propriedade -,
problematizar o contexto social em que vivemos?
Iris
Os autores através da pesquisa procuram entender de que maneira o desenvolvimento da CMC tem influenciado no processo de construção das relações interpessoais. Ainda que o contexto virtual ofereça ferramentas distintas da comunicação face – a – face, pode – se concluir que a CMC exerça de fato uma ação sobre os relacionamentos desenvolvidos nas redes já que os atores sociais possuem a capacidade de interferir e modificar os meios em que atuam?
Os autores fazem considerações acerca do texto, propondo o estabelecimento de um quadro comparativo entre a veracidade de informações que um indivíduo apresenta estando online e off-line. É possível mensurar estas informações e identificá - las como inverídicas já que em diversos ambientes estamos propensos a nos apresentarmos de forma diferenciada?
O texto coloca que as buscas por informações sobre os outros interfere no gerenciamento de impressão e no desenvolvimento das relações, devido a necessidade de construí – los partindo da observação do outro. Entendendo a percepção como um pré – requisito para interação social, até que ponto a teoria da redução da incerteza pode ser relevante?
A pesquisa em específico coloca que quando as pessoas buscam informações, elas de primeiro momento preferem não revelar suas buscas permanecendo anônimas. Já em momentos de aproximação inicial, o anonimato é deixado de lado. Ao pensar no processo inverso desta relação, ou seja, buscar informações apresentando sua identidade e depois permanecer anônimo, quais as possíveis constatações que teríamos acerca destes dados?
Renata
Os autores chamam de ESTRATÉGIAS EXTRATIVAS, a busca de informação disponibilizada pelas pessoas na internet e o uso destas com um determinado objetivo comunicacional. A busca e o tratamento dessas informações torna-se uma atividade cada vez mais importante para a publicidade e o marketing. Poderá o uso dos rastros deixados na internet se transformar numa questão ou debate publico num futuro próximo?
Será mesmo que as estratégias extrativas são uma particularidade da CMC, como afirma o autor? Não deixamos rastros também no mundo off line?
Até que ponto essas estratégias de redução de incertezas podem nos levar a uma idéia precisa do outro? Não estaríamos criando uma idealização do outro que pode não corresponder em nada com a realidade? Afinal, existe a interpretação das pistas, como fator pessoal, no meio desse processo.
Existiria uma relação objetiva entre o gerenciamento de impressão e a formação de impressão? Ou, apesar de reflexos, esses processos estão sujeitos a uma série de "ruídos"?
Ao mesmo
tempo em que estratégias extrativas se multiplicam com o advento de uma série
de ferramentas especializadas, há um crescente volume de dados disponíveis na
internet. Essa tensão traz consequências de qual ordem para as estratégias de
busca de informações sociais?
Cada vez
mais as pessoas sabem que seus 'rastros digitais' permanecerão acessíveis para
outros usuários. Em que medida, assim, o processo de gerenciamento de
impressões se reconfigura?
Quais
contribuições se originam no estudo dos agrupamentos sociais em que alguém se
encontra, em ambientes online, tendo em vista o objetivo de buscar
informações 'para reduzir incertezas' e 'aprender sobre alguém'?
A seleção
dos canais em que as informações podem ser buscadas dependem, em grande parte,
dos objetivos existentes do 'observador'. Quais tipos de características
sócio-técnicas dos ambientes poderiam exercer uma influência nesse processo?
André
Os autores chamam de ESTRATÉGIAS EXTRATIVAS, a busca de informação disponibilizada pelas pessoas na internet e o uso destas com um determinado objetivo comunicacional. A busca e o tratamento dessas informações torna-se uma atividade cada vez mais importante para a publicidade e o marketing. Poderá o uso dos rastros deixados na internet se transformar numa questão ou debate publico num futuro próximo?
Será mesmo que as estratégias extrativas são uma particularidade da CMC, como afirma o autor? Não deixamos rastros também no mundo off line?
Até que ponto essas estratégias de redução de incertezas podem nos levar a uma idéia precisa do outro? Não estaríamos criando uma idealização do outro que pode não corresponder em nada com a realidade? Afinal, existe a interpretação das pistas, como fator pessoal, no meio desse processo.
Existiria uma relação objetiva entre o gerenciamento de impressão e a formação de impressão? Ou, apesar de reflexos, esses processos estão sujeitos a uma série de "ruídos"?
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