ELLISON,
Nicole B.; HANCOCK, Jeffrey T.; TOMA,Catalina L. O perfil como promessa: um
arcabouço para conceituação da auto apresentação em perfis em sites de namoro online [tradução
nossa]. New Media &Society, junho, 2011.
Por
Aline Carvalho Alves Peixoto
Sobre
os autores:
ELLISON,
Nichole B., é professora dos cursos de Telecomunicação, Estudos da Informação e
do Departamento de Mídia da Universidade de Michigan;
HANCOCK,
Jeffrey T., trabalha no departamento de psicologia da
Universidade Cornell, em Ítaca, Nova York. Professor dos cursos de Comunicação
na Faculdade de Agricultura e Ciências da Vida; Presidentedo departamento de
Ciência da Informação e da Faculdade de Computação e Ciência da Informação;
TOMA,
Catalina L., é PhD pelo departamento de Comunicação da Universidade de Cornell,
mestra em Comunicação pela Universidade de Cornell, Bacharel dupla em Artes em
Inglês e em Comunicação de Massa pela Universidade de Bridgeport.
Objetivos
do capítulo:
Tece uma
análise acerca da construção do perfil de usuários de sites de namoro, bem como
a maneira como estes compreendem os exageros, ambivalências e equívocos
presentes nas descrições presentes nos perfis, propondo o arcabouço do “perfil
como promessa” a ser cumprida num futuro onde se dará o encontro entre os
pares.
Argumentação
central:
Os
autores propõe a ideiade “perfil como promessa”, argumentando que a construção
dos perfis presentes em sites de relacionamento pelos usuários dos mesmos, não
pretende proporcionar uma representação fidedigna dos sujeitos. Ao invés disso,
objetiva o desenho de uma identidade dinâmica, formulada por vários “eus”
(presente, passado e futuro) que se deseja ser em um futuro onde se dará o
encontro face-a-face, uma vez que o perfil é consumido pelos pares em um
momento futuro. Assim, as características que denotam os equívocos,
ambiguidades e exageros presentes nas descrições, se possíveis de serem reais
no futuro ou não muito diferentes da realidade, são considerados aceitáveis. Se
o equívoco for muito diferente do real, é percebido como uma falta moral e
assim imperdoável no momento do encontro.
Tópico
1 – Introdução:
O texto
é iniciado pela antiga questão “quem sou eu?” proposta por filósofos por muito
tempo e fundamental para os usuários da internet que se deparam com ela a cada
vez que se apresentam neste ambiente. Os autores tratam que as representações
podem ter diversas formas, como descrições da wikipedia, perfil de site de
relacionamentos ou página pessoal na internet. Já em relação aos fóruns online,
é colocada a ampliação de quanto a apresentação reflete ou diverge da
experiência real da comunicação face-a-face. Com a dificuldade de se traduzir a
experiência real em uma descrição “estática”,são esperadas, e por vezes aceitas,
discrepâncias entre estes, contudo não são em outras situações. Os autores
colocam que apesar de pesquisas tratarem destas diferenças, ainda existem
lacunas na construção de um arcabouço conceitual para a compreensão de como os
usuários justificam tais diferenças, como por que algumas são concebidas como
benignas e outras não.
É
descrita a pesquisa como de caráter exploratório da maneira como os usuários
conceituas distorções nas representações (suas e de seus pares) em um gênero
específico de auto-apresentação que se dá em sites de namoro online.
Foram
utilizados dados coletados de 37 participantes deste tipo de site, explorou-se
a compreensão destes sobre práticas de auto-apresentação/representação,
“especificamente como as discrepâncias entre tais representações online e
off-line são construídas, avaliadas e justificadas” [tradução nossa]. Para a
compreensão da visão dos usuários, foi utilizada a abordagem qualitativa
(Strauss e Corbin, 1998) a qual permitiu a continuidade ao trabalho empírico
desenvolvido anteriormente. Com base na análise realizada, foi proposto o
arcabouço “O perfil como promessa” [tradução nossa], como prisma de
análise da captura a compreensão do usuário sobre as representações no perfil a
partir da análise qualitativa de suas reflexões.
Foi
proposta uma revisão da literatura sobre “representação nos perfis”, bem como o
que falta ser explorado neste contexto e a teoria da “comunicação mediada por
computador (CMC)”.
Tópico
2 - Auto-apresentação em perfis
Perfis
em sites de namoro online
Os
autores iniciam o texto descrevendo os perfis online como portfólios de
representação estáticos, os quais contém descrições textuais e fotos que são
relevantes especialmente para aqueles usuários que desejam um relacionamento
pois são uma porta de entrada para uma relação face-a-face.
É
ressaltada a possibilidade de aceitação ou rejeição baseada no conteúdo do
perfil e desse modo os sujeitos são motivados a construir descrições atraentes
aos outros. Os “exageros” observados pedem ser fruto deste contexto.
A
pressão por construir um perfil que seja atraente aos pares podem ter diversas
razões, como a perda de parceiros caso o perfil seja pouco preciso quando o
encontro ocorrer; o desejo de que o par goste do sujeito como ele é e não por
uma versão idealizada; a preferência por embelezar ao invés de mentir devido ao
desejo de se perceber como honesto.
Os
autores ressaltam que frente à duas opções de consequências negativas, os
sujeitos preferem usar ambiguidades, informações nem verdadeiras e nem falsas
mesmo sem a possibilidade de serem pegos. Neste contexto, tais decisões são
influenciadas por três fatores nos ambientes de sites de namoro: a sinalização,
assincronismo e a divisão de expectativas conceituais. Para explicar a
influências destes fatoresforam utilizados o modelo Hyperpersonal (Walter,
1996) e de Base Comum (Clark, 1996).
O modelo
Hyperpersonal pretende explicar o efeito das características da tecnologia em
ganhos relacionais e como as propriedades do ambiente online podem transformar
aquele que envia, o que recebe, o canal, e a dinâmica do retorno. Na presente
pesquisa o modelo foi utilizado para compreender a construção e a justificativa
dos equívocos na construção dos perfis. O conceito de Base Comum (Clark, 1996)
foi utilizado para compreender o processo pelo qual os usuários de comunidades
online específicas desenvolvem e baseiam as expectativas que dividem.
Auto-apresentação
do eu em ambientes sem sinalização
O modelo
Hyperpersonal pretende descrever o processo de selecionar a auto-representação
que, nesta visão, é o comportamento que se busca para formar uma imagem para os
outros, tendo por objetivo influenciar outras pessoas a responderem da forma
desejada. Segundo Goffman (1959) apud Ellison et al (2011), a
auto-representação envolve revelações estratégicas e/ou ocultar informações
para apresentar uma imagem desejável.
Este
modelo ressalta que o ambiente online proporciona mais controle em relação aos
sinais dados nas apresentações pessoais pois muito do que seria evidente nas
relações face-a-face não são aparentes neste contexto, como características de
gênero, idade e localização. É necessário dizer em textos como meio de
comunicação. Tal contextoinduzem a ambiguidades no processo de formação de
impressões, especialmente em relação à características mais subjetivas, devido
à falta de auto-conhecimento e/ou devido à esforços conscientes para disfarçar.
Por fim, o perfil que se apresenta online é moldado pelas possibilidades
tecnológicas de cada espaço de interação.
Assincronismo
e fatores temporais
Segundo
Ellison et al (2011), o modelo Hyperpersonal estabelece que comunicações
assincrônicas oferecem aos usuários maior tempo de reflexão e edição de suas
mensagens e recursos cognitivo, permitindo auto-representações seletivas impressões idealizadas. Nas comunidades de
namoro online, o tempo entre a produção do perfile quando ele será lido é
importante para considerar quando examinar a representação e a aceitar as
discrepâncias. Os perfis são construídos para serem consumidos em um tempo
futuro, tal ambiguidade temporalsuscita a antecipação da versão do eu que
deverá soar verdadeira em um momento desconhecido no futuro.
Os
autores tratam que a dificuldade da tarefa se dá no fato de que identificar-se
é uma ação à ser realizada em um tempo. As pesquisas apontam que apresentar o
eu ideal de alguém é uma estratégia para resolver pressões em ser ao mesmo
tempo honesto e seletivo.
Expectativas
contextualmente divididas
Segundo
Ellison et al (2011), o modelo Hyperpersonal foca em como fatores técnicos e
sociais afetam a auto-representação e a dinâmica interpessoal online, sem se
dirigir diretamente aos tios de normas sociais ou códigos aceitos pela
comunidade que podem surgir em um ambiente online em um determinado tempo. Os
autores abordam o conceito de Base Comum Comunal como fatos, normas e
procedimentos do léxico que se assume ser conhecido pelos membros de uma dada
comunidade, como por exemplo uma gíria que significa algo em um grupo mas em
outro não.
No
contexto do namoro online, a Base Comum Comunal se fixa em termos usados para a
auto-representação e que afetam como as discrepâncias são percebidas. Ellison
et al (2011) explicam que os usuários podem se basear em expectativas
compartilhadas pelo grupo sobre um tipo de comportamento e como termos
descritivos são normalmente interpretados por seus pares. Como exemplo, foi
observado em trabalhos anteriores que usuários de sites de namoro tendem a
exagerar certas características pessoais pois assumem que outros da mesma
comunidade fazem o mesmo. Heinoet al (2010) apud Ellison et al (2011),
demonstra em pesquisa que participantes de sites desenvolviam estratégias de
interpretação de descrições físicas que levam certo nível de exagero e
embelezamento. Expectativas de embelezamento podem influenciar a avaliação
sobre a aceitabilidade do mesmo pois os sujeitos esperam esta ação quando
acessam as mensagens de outros.
O
estudo atual
O
objetivo da presente pesquisa era a compreensão de trabalhos anteriores que
focaram na auto-representação em contextos de sites de namoro online através do
exame de como os usuários contextualizavam seus perfis a luz de uma série de
fatores. Foram explorados a maneira como os usuários tomam decisões a respeito
das diferenças em seus perfis e nos perfis de seus pares e em se estas
diferenças são aceitáveis. Foi focado a produção e a avaliação do perfil de
auto-apresentação, e como pergunta de partida foi questionado: como pessoas que
buscam relacionamentos online conceituam a aceitabilidade das discrepâncias
entre a representação online e a realidade no mundo off-line.
Tópico
3 - Métodos
Participantes
do site, investigação e procedimento
Neste
tópico os autores descrevem a metodologia de pesquisa. A coleta de dados foi
iniciada em Nova York e os participantes foram recrutados através de anúncios
que explicitavam a proposta da pesquisa. Foram incluídos usuários
heterossexuais que quatro dos mais tradicionais e populares sites dos EUA (Yahoo,
Personal, Match. Com/MSN ,Match. Com, American Singles e Webdate) e foram
incluídos sites que se baseiam no sistema de agrupamentos (por ex. eHarmony).
Os
sujeitos se registraram para o estudo e deram informações sobre o serviço
online que usaram, seus nomes de usuário e endereço de e-mail. Os nomes de
usuário serviram para localizar os perfis online e identificar participantes
caso fosse confirmado que eles tinham um perfil em algum dos sites. Oitenta
participantes foram incluídos no estudo geral do qual os 37 primeiros foram
entrevistados, fornecendo a base para analise. As entrevistas foram
interrompidas quando foi atingida a saturação e não estávamos obtendo
informações novas dos participantes. Foram entrevistados 12 homens e 25
mulheres, variando da idade de 18 a 47 anos, com media de 30 anos. Em media, os
participantes se cadastraram há aproximadamente dois anos nesses sites, a
duração mais curta sendo 2 meses e a mais longa sete anos.
Os
participantes foram entrevistados individualmente na New SchoolUniversity em
Manhattan. Primeiramente, os participantesse apresentavam com uma cópia
impressa de seus perfis online e foi pedido que classificassem a exatidão
(definida como a “extensão pela qual as respostas refletiam a verdade a
respeito de você agora” e respondessem com uma escala de 0-5 de completamente
falso até completamente verdadeiro)cada elemento em seus perfis, assim como a
aceitabilidade geral da mentira naquele tópico. Os elementos dos perfis
incluíam campos como idade, peso, ocupação e religião. Os participantes
completavam a pesquisa e eram entrevistados pelo terceiro autor. Ao finalera
pedido aos sujeitos que se engajassem em procedimentos de medição, dados os
agradecimentos, inquiridos e eles recebiam trinta dólares de incentivo.
Coleta
de dados
Para a
coleta de dados foram utilizados métodos qualitativos de forma a possibilitar
aos participantesdescrever suas percepções e experiências usando as próprias
palavras e usando seu próprio arcabouço conceitual e terminologia. As
entrevistas duraram em media 30 minutos. O entrevistador selecionava elementos
do perfil que estavam classificados como equivocados e sobre estes eram feitas
perguntas como forma de instigar os entrevistados. As entrevistas eram
semiestruturadas, utilizando um protocolo na entrevista geral, contudo as
questões a ser seguidas permitiam ao pesquisador investigar mais profundamente
seus tópicos de interesse. Os participantes também eram livres para conduzir as
entrevistas para áreas mais proeminentes. O protocolo da entrevista era
designado para extrair percepções sobre a aceitabilidade de vários tipos de
equívocos de representação e as lógica guiando as avaliações feitas através das
questões como:
Você
pode descrever seus processos mentais enquanto decidia como responder às perguntas?
Que
tipos de distorções são aceitáveis nos perfis?
Que
tipos de distorções não são aceitáveis nos perfis?
Análise
de dados
Cada
entrevista foi gravada digitalmente, transcrita por um estagiário e então
checada pelo entrevistador. “As entrevistas transcritas foram analisadas usando
Atlas.ti. O método de comparação constante (Strauss e Corbin, 1998) foi usado
para localizar temas comuns e obter um maior insight sobre as questões de
pesquisa. O processo analítico empregou uma abordagem teórica sólida, onde
níveis sucessivos de analise criaram uma “compreensão teórica abstrata da experiência estudada” (Charmaz, 2006, p.
4)” [tradução nossa]. A principio, foram identificadas as categorias que emergem
dos dados, como “estratégias de auto representação”, “fotografia”,
“aceitabilidade social” ou “definições- o que é a mentira?” usando um processo
de codificação aberta. Partes dos dados foram codificadas nessas categorias em
um esquema de acordos onde cada grupo de perguntas-respostas era tratado como uma unidade.
“No
segundo degrau da analise, partes das entrevistas relacionadas a aceitabilidade
dos equívocos no perfil foram assinalados e mais profundamente explorados
através de um processo de seleção de códigos
e construção de memorandos” [tradução nossa]. Esse sistema de analise de
memorandos, que foi intensivamente discutido e revisado pelos pesquisadores,
ressaltou as diferentes categorias, como
maleabilidade, que emergiram quando os participantes discutiam a
aceitação dos equívocos.
Finalmente,
através de um processo interativo envolvendo frequentes discussões entre os
autores, refinamento das categorias de aceitação e revisão da base de dados,
foi proposta uma visão comum para interpretar os dados: a promessa. Essa
visão, não estava articulada expressamente pelos participantes, contudo servia
para unificar o arcabouço através do qualos dados foram compreendidos,
evoluindo até o arcabouço do “o perfil como promessa” . Após este processo foi
revisada a literatura sobre o conceito de promessa em outros contextos, como em
entrevistas de trabalho, na tentativa de entender melhor o fenômeno da
“promessa”.
Tópico
4 –Achados
Neste
tópico os autores descrevem os pontos abordados na análise dos dados. Ellison
et al (2011) referem que foi explorada a maneira como os usuários entendiam o
que o perfil representava e como eles conceituavam a aceitação das
discrepâncias entre as declarações no perfil e a verdade. É comentado que não
havia uma expectativa de veracidade total do perfil, e sim uma imagem
construída que refletia uma identidade fluida, composta do eu passado, presente
e futuro, limitada pelo auto-conhecimento do usuário. Foi colocada também a
relevância das contenções sociais dentro do contexto de relacionamentos online
que levaram a uma flexibilidade na aceitação das informações contidas no
perfil, fossem estas ambíguas ou exageradas.
Mudança
no perfil: Assincronismo ou licença para mentir
Os
achados retratam que a flexibilidade nas descrições nos perfis e a magnitude
nas diferenças entre auto-representação online e off-line afetou as concepções
de aceitação para os sujeitos. A mudança no tempo e a assincronia do perfil
afeta a maneira como as mensagens são acessadas. Saber como o perfil será lido
no futuro pareceu dar aos usuários liberdade para construir “eus” em seus
perfis de maneira a representar um eu futuro, que deverá ser atingido ou que
era importante no passado. Desse modo, para algumas pessoas discrepâncias em
certas características que poderiam ser mudadas no futuroeram consideradas mais
aceitáveis do que outras que não podiam ser modificadas. Com a condição de não
houvesse grande diferença ou o futuro fosse possível, a descrição enganosa era
aceitável.
O dados
retratam que os próprios sujeitos racionalizam seus erros de representaçãofocando
na noção de múltiplos eus. Através das representações de eus presente, passado
e futuro os sujeitos construíam uma representação digital do eu, permitindo que
sejam ressaltadas características positivas com as quais se identificam mesmo
não estando presentes na identidade atual.
Uma
outra questão a ser observada é a evocação de um eu passivo e na não
atualização de dados atuais e verdadeiros.
Sinais
reduzidos: tendo que contar ao invés de mostrar
Ellison
et al (2011) retrata que no contexto das comunidades de namoro online os
usuários necessitam falar certas informações que não seriam necessárias numa
relação face-a-face, como traços físicos. Contudo, isso se torna um problema
devido a falta de auto-conhecimento dos indivíduos. No caso de discrepâncias motivadas por uma
visão errônea do próprio sujeito em sua descrição de perfil, esses equívocos
são percebidos como aceitáveis pelos pares. Uma estratégia possível no caso do
conflito entre auto-representação e honestidade é a utilização de ambiguidades
ou equívocos, de maneira que não sejam ditas mentiras e nem verdades, como por
exemplo: tipo físico médio.
Outro
dado relevante é a escolha entre duas opções não tão corretas, daquela mais
positiva, sendo sente comportamento percebido pelos usuários devido à
habilidade de ser completamente honesto estar bloqueada pelos espaços
reduzidos.
Mentindo
para escapar da fogueira: Equívocos esperados na representação dentro de
ambientes online
Ellison
et al (2011) abordam que em relação aos equívocos aceitáveis, os usuários
também utilizam expectativas compartilhadas sobre os significados de
informações apresentadas no perfil, interpretando certas características da
mesma forma que a comunidade compreende, como por exemplo o termo “curvilínea”. Os dados das entrevistas demonstram uma
expectativa compartilhada sobe as possibilidades de realce nos perfis, o que
tem implicações no julgamento de se as informações são falsas ou não
aceitáveis. Em resumo, os dados sugerem
que a relação entre os usuários e os equívocos é moldadapela assincronia do
perfil, as sinalizações reduzidas e as expectativas compartilhadas pela
comunidade online.
Tópico
5 –Discussão
Os
autores colocam o pioneirismo do trabalho que pretendeu explorar como os usuários
de sites de namoro online conceitualizam e racionalizam as discrepâncias em
suas apresentações nos perfis online. Foram explorados os conceitos dos
usuários acerca de aceitação de equívocose a relação do espaço de tempo entre a
construção do perfil e o seu consumo, bem como as sinalizações reduzidas no
ambiente online e a base comum comunal online (o namoro online).
Arcabouço
do perfil como promessa
Nesta
seção os autores argumentam, com base no referencial teórico e análise, que o
perfil em sites de namoro online é construído como uma promessa para um grupo
de pares que se encontrarão em algum momento no futuro mais do que uma
representação fiel de alguém, sendo claro para a comunidade este contexto.
Desse modo é compreendida a diferença que os usuários fazem entre os erros
aceitáveis e os inaceitáveis. A ideia principal é a de que a desenho contido na
descrição do perfil não difere fundamentalmente da realidade, desse modo, não é
esperado pelos usuários que o perfil represente uma cópia fiel do indivíduo no
ambiente off-line.
No caso
dos sites de namoro online, é esperado o relacionamento amoroso e assim a
publicação de certas características também, uma vez que em ambientes online
estas precisam ser “faladas”, diferente do ambiente off-line em que estas
seriam vistas. Logo, o perfil torna-se obrigatório para possibilitar futuros
relacionamentos aos usuários, podendo ser visto como um contrato psicológico
(Rousseau, 2001), uma vez que informações são veiculadas de comum acordo e de
maneira mútua, sendo quebradas tais relações se por ventura houver enganos no
conteúdo apresentado offline.
Os
autores propõem três propriedades do arcabouço “perfil como promessa”: as
promessas precisam ser explicitadas mas podem surgir dentro de contextos que
sinalizam as intenções da promessa; as promessas personificam um aspecto da
temporalidade pois são orientadas para o futuro; as promessas são tipicamente
incompletas uma vez que não se pode prever o futuro de um relacionamento.
Citando
a obra de Goffman (1959), os autores argumentam que a obrigação moral das
promessas é inerente às deixas na auto-apresentação uma vez que os indivíduos
tendem ase relacionar com os outros mediante as impressões que percebem sobre
seu passado e futuro. Estas impressões tendem a serem tratadas pelos pares como
promessas implícitas e como tais tendem a ter um caráter moral, logo uma
violação destas é vista como inaceitável e moralmente incorreta.
Usando
o perfil como promessa nos dados das entrevistas
Em
relação ao arcabouço teórico “perfil como promessa” é objetivada a compreensão
sobre o processo de auto-apresentação em espaços online, bem como aumentar as
pesquisas disponibilizando insights sobre o modo como usuários de sites de
namoro online percebem suas mensagens e apresentação pessoal e como acessam as
informações de outros.
No que
concerne às discrepâncias aceitáveis, um dos critérios é a possibilidade da
promessa ser comprida no futuro, sendo vista como alcançável e realista, sendo
maleáveis e de pouca magnitude. Logo aquelas que não podem ser mantidas são
vistas como inaceitáveis
Os
autores sugerem que os usuários racionalizam os equívocos nos perfis devido à
natureza temporal das promessas, selecionando atributos a partir de eus
passado, presente e futuro, expostos para construir identidades que
possibilitem incluir realces e a identificação como alguém honesto.
É
colocada a crença de que o aporte teórico do perfil como promessa permite
descobertas sobre as formas de construção de personas pelos usuários e permite
às pesquisas nas apresentações online uma análise imparcial sobre a veracidade
das informações e a experimentação de identidades fantasiadas. Sugere-se que
pesquisas futuras deverão considerar as formas nas quais as dimensões temporais
das interações online afetam a auto apresentação e as avaliações.
Os
autores referem que neste contexto os sinais são sempre incompletos devido às
dificuldades de representação de um eu dinâmico e das restrições técnicas. Na
construção do perfil os usuários se baseiam em expectativas compartilhadas
sobre como seus pares se utilizam da trapaça ou da codificação de certas
descrições que modificam a interpretação do perfil e da promessa. Como exemplo
a linguagem usada que está de acordo com o contexto e produzem e interpretam
informações acerca das promessas presentes nos perfis.
Direções
futuras e limitações
Os
autores descrevem seu trabalho como foco nas implicações do gap entre a criação
do perfil e seu “consumo” na percepção dos usuários sobre a auto-apresentação e
sua lógica quando o perfil é mostrado. É ressaltada a necessidade de mais
pesquisas no que concerne à maneira pela qual a construção psicológica do
perfil impacta na auto-apresentação e na formação de impressões em outros
contextos assincrônicos.
Os
autores referiram dentre os resultados esperados que as discrepânciasfossem
julgadas de maneira severa em situações de curto espaço de tempo. É colocado
que o presente estudo explorou as implicações do “falar” sobre características
que seriam aparentes na comunicação face-a-face. Em relação aos achados, foi
sugeridoque a perspectiva “Hyperpersonal” pode ser estendida ao incorporar
considerações sobre compreensões gerais em contextos específicos. São propostos
novos estudos sobre como o ato da criação do perfil afeta o senso de
identidade, autoestima e conhecimento do ‘eu’. Já sobre as limitações, os
autores colocam a delimitação dos usuários na área de Nava York e de membros de
grandes sites de namoro, bem como a metodologia de avaliação de perfis e posterior
entrevista, sendo esta feita de maneira a propiciar racionalizações sobre o
próprio comportamento.
Os
autores sugerem em futuras pesquisas a captura do pensamento dos participantes
durante a criação do perfil.
Tópico
6 –Conclusão
Como
conclusão, os autores relatam que ao longo da década a explosão de fóruns
online, redes sociais, sites de namoro, wikis, blogs, sites de compartilhamento
e notícias trouxe à questão de qual a melhor forma de explicar como e porquê a
prática da comunicação nestes ambientes diferem. Pesquisadores explicaram o
efeito das características das comunicações mediadas por computador, como o
ambiente com “sinalização reduzida”[tradução nossa], comunicação interpessoal e
o desenvolvimento de relacionamentos. Dos estudos sobre contextos online específicos
como opostas as características gerais da comunicação mediada por computador
“sugerem que as expectativas especificas compartilhadas que se desenvolvem
entre os membros de um ambiente online particular afetarão a prática comunicativa
dos membros”[tradução nossa], contudo as abordagens não foram integradas à uma
perspectiva teórica compreensível que englobasse ambos os contextos.
É
colocado pelos autores que a proposta teórica do “perfil como promessa”
pretende a exploração da produção de mensagens mediadas, bem como sua
avaliação. Os fatores técnicos e sociais do contexto particular moldam a
produção e a posterior avaliação das mensagens de maneira importante,
englobando a natureza mutável do perfil, os “sinais reduzidos” e as ideias
compartilhadas dentro de um mesmo ambiente/ comunidade. Tal proposta teórica
objetiva explicar o processo pelo qual os usuários decidem o que incluir ou não
quando criam o perfil, permitindo a compreensão da dinâmica e de quando uma
representação é mentira ou uma promessa futura.
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